Mecanismos opioidérgicos envolvidos na antinocicepção induzida comportamentalmente e por estimulação mesencefálica no teleósteo Leporinus macrocephalus (2010)
- Authors:
- Autor USP: ALVES, FABIANA LUCA - FMRP
- Unidade: FMRP
- Sigla do Departamento: RFI
- DOI: 10.11606/T.17.2010.tde-26032025-161135
- Subjects: PEIXES; NOCICEPTORES; ANALGESIA; FISIOLOGIA
- Keywords: Analgesia; Nocicepção; Peixe; Teste da formalina; Teto óptico
- Agências de fomento:
- Language: Português
- Abstract: A habilidade dos peixes em perceber a dor é um assunto controverso. Alguns autores argumentam que a dor resulta da ativação de várias regiões do córtex cerebral, restringindo assim a sua percepção aos humanos e primatas. No entanto, recentes pesquisadores têm demonstrado que existem algumas semelhanças entre os peixes e os vertebrados superiores em relação à estrutura básica do sistema nervoso envolvida na percepção dolorosa. O objetivo deste estudo foi examinar as respostas do piauçu evocadas pela injeção subcutânea de formalina a 3% (teste algesimétrico muito empregado em mamíferos), pesquisar a existência de um sistema analgésico endógeno e sua ativação comportamental, bem como estudar a participação do teto óptico, como possível componente desse sistema. As alterações dos batimentos operculares e da atividade natatória foram utilizadas como indicadores nociceptivos. Nossos dados demonstraram que a injeção subcutânea de formalina a 3% na região próxima à nadadeira adiposa induziu um aumento dos batimentos operculares, o qual foi bloqueado pela injeção sistêmica de morfina (agonista opióide) nas doses de 50mg/kg, 100mg/kg, mas não de 30mg/kg. A injeção prévia sistêmica de morfina 50mg/kg também bloqueou o aumento da atividade natatória. O pré-tratamento com naloxona (antagonista opióide) nas doses de 10mg/kg e 20mg/kg não foram suficientes para reverter o efeito da morfina, porém o bloqueio da resposta foi obtido com a dose de 30mg/kg. Essas respostas neurovegetativas e comportamentais demonstraram que os peixes não reagem passiva e reflexamente a um potente estímulo doloroso, mostrando uma possível capacidade de experimentar a dor. No entanto, os animais não responderam à injeção subcutânea de capsaicina, que é um dos componentes vanilóides ativos da pimenta e pode evocar uma sensação de formigamento e ardor e atua ativandocanais de cátions não seletivos, chamados de VR-1, nas terminações nervosas de fibras amielínicas do tipo C. Além disso, o aumento da atividade natatória decorrente de injeção subcutânea de formalina a 3% foi bloqueado (ou reduzido) após a exposição dos animais à substância de alarme de um co-específico, mostrando que o sistema analgésico endógeno pode ser mobilizado em situações que potencialmente sinalizam predação. Esse efeito é bloqueado pela naloxona (20mg/kg) mostrando sua natureza opióide. Assim, podemos sugerir que a antinocicepção permite que um animal ameaçado, em uma situação de perigo iminente, apresente comportamentos de defesa (freezing) prevenindo que os comportamentos recuperativos interfiram nos esforços defensivos, aumentando a sua chance de sobrevivência. Observamos também que a microinjeção central de morfina 1,1 nmol/0,1µl no teto óptico medial, reduz a atividade natatória induzida pela injeção subcutânea de formalina a 3%. Nos vertebrados não-mamíferos o teto óptico é uma estrutura homóloga ao colículo superior, que sabidamente está envolvido em defesa e antinocicepção. Dessa forma, parece razoável que o teto óptico esteja envolvido com respostas defensivas e de antinocicepção, bem como de orientação e aproximação frente ao estímulo novo, pois a decisão de se orientar frente a esse estímulo está intimamente ligada com a decisão de evitá-lo. Caso a decisão escolhida seja evitar tal estímulo é necessário que as respostas antinociceptivas sejam deflagradas juntamente com comportamentos defensivos, já que durante um confronto presa-predador é importante amenizar a sensação aversiva
- Imprenta:
- Publisher place: Ribeirão Preto
- Date published: 2010
- Data da defesa: 11.02.2010
- Este periódico é de acesso aberto
- Este artigo NÃO é de acesso aberto
-
ABNT
ALVES, Fabiana Luca. Mecanismos opioidérgicos envolvidos na antinocicepção induzida comportamentalmente e por estimulação mesencefálica no teleósteo Leporinus macrocephalus. 2010. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2010. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17134/tde-26032025-161135/. Acesso em: 26 jan. 2026. -
APA
Alves, F. L. (2010). Mecanismos opioidérgicos envolvidos na antinocicepção induzida comportamentalmente e por estimulação mesencefálica no teleósteo Leporinus macrocephalus (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. Recuperado de https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17134/tde-26032025-161135/ -
NLM
Alves FL. Mecanismos opioidérgicos envolvidos na antinocicepção induzida comportamentalmente e por estimulação mesencefálica no teleósteo Leporinus macrocephalus [Internet]. 2010 ;[citado 2026 jan. 26 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17134/tde-26032025-161135/ -
Vancouver
Alves FL. Mecanismos opioidérgicos envolvidos na antinocicepção induzida comportamentalmente e por estimulação mesencefálica no teleósteo Leporinus macrocephalus [Internet]. 2010 ;[citado 2026 jan. 26 ] Available from: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17134/tde-26032025-161135/
Informações sobre o DOI: 10.11606/T.17.2010.tde-26032025-161135 (Fonte: oaDOI API)
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