Estudo comparativo das proteses do complexo Torula-Humicola (2009)
- Authors:
- Autor USP: BELTRAMINI, TATIANE - FFCLRP
- Unidade: FFCLRP
- Sigla do Departamento: 592
- Subjects: ENZIMAS HIDROLÍTICAS; FUNGOS TERMÓFILOS; BIOQUÍMICA (PROPRIEDADES)
- Language: Português
- Abstract: Proteases são enzimas amplamente distribuídas nos organismos e sua função é clivar proteínas liberando peptídeos e aminoácidos. Proteases microbiais estão entre as mais importantes enzimas hidrolíticas conhecidas, e são estudadas extensivamente desde o advento da enzimologia. Proteases são um dos três maiores grupos de enzimas industriais, e representam aproximadamente 60% das enzimas comercializadas no mundo. Elas tem numerosas aplicações na produção industrial de diferentes itens, incluindo detergente, alimentos, remédios, couro e reagentes para diagnósticos. Recentemente, as enzimas produzidas por microrganismos termofílicos têm atraído considerável atenção, devido a sua excelente resistência térmica e potencial biotecnológico. O objetivo deste trabalho foi estudar a produção e propriedades bioquímicas das proteases dos fungos termofílicos: Humicola grisa var thermoídea, Humicola insolens e Scytalidium thermophilum. Esses fungos foram classificados por poucos micologistas em um grupo denominado Complexo Torula-Humicola. Estes pesquisadores postularam que H. grisea var thermoidea, H. insolens e S. thermophilum eram o mesmo organismo, que exibia diferentes fenótipos morfológicos quando crescido em diferentes meios de cultura. Entretanto várias evidências em nosso laboratório mostraram que estes fungos exibiam diferenças morfológicas significantes mesmo após crescidos nas mesmas condições físicas e no mesmo meio de cultura. Deste modo, umobjetivo secundário deste trabalho foi analisar se as proteases poderiam ser utilizadas como uma ferramenta rápida e fácil para distinguir os três fungos. Independente da linhagem utilizada a maior produção de atividade da protease extracelular ocorreu quando 1,5% de glicose foi oferecido como fonte de carbono. Altos níveis de protease extracelular ocorreram após 48, 72 e 96 h de crescimento para H. grisea var thermoídea, H. insolens e S. thermophilum, respectivamente. Glicose em concentrações acima de 1,5% diminui drasticamente a produção de protease. A concentração de extrato de levedura revelou-se também um importante fator para a máxima produção de protease extracelular para os três microrganismos estudados, com altos níveis produzidos na presença de 0,4% de extrato de levedura. Para os três organismos estudados, a atividade proteolítica máxima ocorre quando os níveis de glicose no meio de cultura são drasticamente diminuídos. Curiosamente, bons níveis de protease extracelular foram alcançados quando material celulósico foi oferecido como principal fonte de carbono, enquanto caseína foi uma fonte de carbono pobre para a produção de proteases. Esses dados sugerem que as proteases não foram induzidas por hidrólises de uma proteína exógena, oferecida simplesmente como fonte de carbono. Talvez as proteases produzidas na presença de glicose ou no meio de cultura contendo celulose estariam relacionadas com processos dediferenciação celular. Entretanto, está claro que as enzimas estão sob repressão catabólica, desde que em todas as linhagens altos níveis de proteases foram encontrados após uma drástica redução nos níveis de glicose. O pH ótimo para a atividade proteolítica foi 8.0, 8.5 e 7.0 para H. insolens, H. grisea var thermoídea e S. thermophilum, respectivamente. As proteases dos três fungos exibiram máxima atividade a 50°C. As enzimas de S. thermophilum e H. insolens foram estáveis até 50°C, com meia-vidas de 20 min e 11 min a 55°C, respectivamente. A atividade proteolítica de H. grisea var thermoídea foi estável até 55°C, e exibiu meia vida de 20 min a 60°C. Em pHs extremos (3 e 11), as proteases produzidas pelas três linhagens se mostraram com boa estabilidade, mesmo quando incubadas por 6 horas. As enzimas de H. insolens e S. thermophilum foram significantemente ativadas por cálcio, magnésio e 'beta'-mercaptoetanol. Em contraste estes efetores não influenciaram a atividade de H. grisea var thermoídea. A presença da mistura de efetores no meio de reação resultou no decréscimo da atividade para as enzimas de H. insoles e S. thermophilum, comparados aqueles estimados para cada íons sozinho. Estes dados sugerem que cálcio e magnésio competem por um único sítio de ligação. Estudos de Zimograma ou análise por detecção da atividade da protease em fatias de gel após PAGE mostraram que cada uma das três linhagens produziam três principaisproteases. Os perfis qualitativos das atividades das bandas/picos foram muito similares para o extrato bruto de H. grisea var thermoídea e H. insolens. Entretanto, existiram diferenças na quantidade relativa de cada protease entre as duas linhagens de Humicola. Comparativamente, S. thermophilum produz uma protease com rápida migração em PAGE e apresentou apenas vestígios de uma protease correspondente as principais proteases presentes no extrato bruto de ambas as linhagens de Humicola. Estes achados sugerem que os zimogramas de extrato bruto extracelulares para as linhagens termofílicas H. grisea var thermoídea, H. insolens e S. thermophilum podem ser muito úteis para distinguir os três fungos usando um procedimento simples
- Imprenta:
- Publisher place: Ribeirão Preto
- Date published: 2009
- Data da defesa: 22.06.2009
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ABNT
BELTRAMINI, Tatiane. Estudo comparativo das proteses do complexo Torula-Humicola. 2009. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2009. . Acesso em: 29 jan. 2026. -
APA
Beltramini, T. (2009). Estudo comparativo das proteses do complexo Torula-Humicola (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto. -
NLM
Beltramini T. Estudo comparativo das proteses do complexo Torula-Humicola. 2009 ;[citado 2026 jan. 29 ] -
Vancouver
Beltramini T. Estudo comparativo das proteses do complexo Torula-Humicola. 2009 ;[citado 2026 jan. 29 ]
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