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Influência do tamanho do alvéolo de cria no peso ao nascer e no comportamento de forrageamento das operárias de abelhas Apis mellifera L. (2009)

  • Authors:
  • Autor USP: SILVA, CAMILA MAIA DA - FFCLRP
  • Unidade: FFCLRP
  • Sigla do Departamento: 592
  • Subjects: ABELHAS (DESENVOLVIMENTO); PÓLEN; GENÉTICA ANIMAL
  • Language: Português
  • Abstract: Uma eficiente coleta de alimento é fundamental para colônias de insetos sociais, pois garante o crescimento e reprodução da colônia. Portanto, para profundamente entender como o forrageamento é regulado a compreensão dos fatores que influenciam este comportamento é muito importante. Devido ao fato, que existem várias diferenças comportamentais entre as abelhas Apis mellifera africanizadas (poli-híbrido) e as abelhas Apis mellifera de subespécies de origem européias, algumas respostas podem ser obtidas através da comparação entre tais abelhas. Alguns fatores como o tamanho corporal, indicado pelo peso da operária recém-nascida, podem contribuir para a organização social de tais abelhas e conseqüentemente influenciar o comportamento forrageiro. Sabe-se que, com o objetivo de produzir abelhas africanizadas de tamanho maior, uma prática muito comum entre os apicultores profissionais é o uso de cera estampada com padrões europeus (alvéolos maiores), no entanto os efeitos deste tipo de prática são desconhecidos. Os objetivos deste trabalho se constituíram em investigar a influência do peso e das características genéticas das operárias africanizadas e européias no comportamento de forrageamento de pólen em duas estações do ano. Para tal, observamos a atividade forrageira de abelhas Apis mellifera africanizadas e de abelhas Apis mellifera carnica desenvolvidas em alvéolos de cria grandes (tamanho européia) e pequenos (tamanho africanizada). Os experimentos foram realizadosno Apiário Experimental do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. Próximo ao laboratório foi montada uma Estação Climatológica Modelo Vantage Pro-2 acoplada ao computador (com recepção wireless) para registro dos dados climáticos. Para realizarmos os experimentos utilizamos operárias recém-nascidas de abelhas Apis mellifera africanizada e de abelhas Apis mellifera carnica. Para determinar uma possível variação no peso das operárias, utilizamos favos de cria contendo alvéolos grandes (5.4 mm de largura) e pequenos (4.6 mm de largura). No momento do nascimento de cada operária, tais abelhas foram cuidadosamente pesadas e marcadas no tórax com etiquetas numeradas e coloridas. Posteriormente as abelhas foram introduzidas em uma colônia de observação de abelhas africanizadas. Neste estudo foram marcadas 1384 operárias. Para avaliarmos uma possível influência do peso e das características genéticas das operárias no comportamento de forrageamento realizamos dois experimentos. No experimento 1 realizamos a comparação entre forrageadoras africanizadas desenvolvidas em alvéolos pequenos (AAP) e grandes (AAG). No experimento 2 realizamos a comparação entre forrageadoras Apis mellifera africanizadas desenvolvidas em alvéolos pequenos (AAP) e grandes (AAG) e, forrageadoras Apis mellifera carnica desenvolvidas nos alvéolos pequenos (ACP) e grandes (ACG), ambos em colônia de abelhas Apis melliferaafricanizada. Desta maneira, constatamos que o tamanho do alvéolo determina o peso das operárias recém-nascidas. O peso das operárias desenvolvidas em alvéolos grandes foi maior do que o peso das operárias desenvolvidas em alvéolos pequenos (Experimento 1: AAP = 89.9 ± 5.35 mg; AAG = 101.8 ± 7.65 mg p < 0.001; Experimento 2: AAP = 91.3 ± 6.22 mg; AAG = 99.6 ± 7.10 mg; ACP = 108.5 ± 4.75 mg e ACG = 115.3 ± 9.25 mg, p < 0.001). Verificamos que as operárias carnicas desenvolvidas em alvéolos pequenos (4.6 mm) tiveram o peso corporal reduzido, ou seja, o tamanho do alvéolo limitou o crescimento das larvas de operárias carnicas. Existe influência genética na determinação dos pesos das operárias, visto que, as operárias A. m. carnica sempre apresentaram peso corporal superior ao peso das operárias de abelhas africanizadas. Ocorreram variações no peso das operárias e variações comportamentais na atividade de forrageamento durante as diferentes estações do ano. Nosso estudo indicou que, em geral, a atividade de coleta de pólen foi maior no grupo das AAG (Experimento 1, p < 0.001 e Experimento 2, p = 0.002), demonstrando que tais abelhas são mais eficientes na coleta de pólen do que as AAP. Em ambos os experimentos, as abelhas desenvolvidas em alvéolos grandes (AAG) iniciaram a atividade forrageira mais cedo do que as abelhas desenvolvidas em alvéolos pequenos (AAP) embora, a idade média do experimento 1 não apresentou diferençaestatística (Experimento 1: AAP = 12 dias; AAG = 11 dias, p = 0.659 e Experimento 2: AAP = 18 dias; AAG = 17 dias, p < 0.05). No experimento 1 a longevidade média das operárias africanizadas desenvolvidas em alvéolos grandes foi maior do que das operárias africanizadas desenvolvidas em alvéolos pequenos (Experimento 1: AAP = 12 dias; AAG = 14 dias, p = 0.044). O comportamento de forrageamento de pólen das abelhas carnicas desenvolvidas em alvéolos pequenos e grandes (ACP e ACG) não apresentou diferença estatística. A idade média do início do forrageamento das operárias desenvolvidas em alvéolos pequenos foi menor do que a idade média das operárias desenvolvidas em alvéolos grandes (AAP = 17 dias e ACG = 18 dias), porém estes resultados não apresentaram diferença estatística. Aparentemente, o inicio da atividade forrageira influenciou o índice de mortalidade das ACP durante os primeiros vôos de forrageamento. Pois, tais abelhas tiveram longevidade média menor do que as operárias ACG (AAP = 19 dias e ACG = 20 dias, p = 0.0016). Observamos também que as operárias africanizadas e as operárias carnicas, desenvolvidas em colméia de abelhas africanizadas, iniciaram a atividade forrageira com a mesma idade média (18 dias). Porém, a porcentagem de abelhas forrageiras africanizadas que coletaram pólen foi maior do que a porcentagem de abelhas forrageiras A. m. carnica (p = 0.001), demonstrando que as abelhas africanizadas apresentampreferências intrínsecas mais altas, para executar tarefas relacionadas à coleta de pólen. Visto que as operárias africanizadas forragearam mais do que as operárias carnicas conseqüentemente, as operárias africanizadas tiveram longevidade média menor do que as operárias carnicas (africanizadas, 19 dias e carnicas, 20 dias)
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 02.04.2009

  • How to cite
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    • ABNT

      SILVA, Camila Maia da; JONG, David De. Influência do tamanho do alvéolo de cria no peso ao nascer e no comportamento de forrageamento das operárias de abelhas Apis mellifera L.. 2009.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2009.
    • APA

      Silva, C. M. da, & Jong, D. D. (2009). Influência do tamanho do alvéolo de cria no peso ao nascer e no comportamento de forrageamento das operárias de abelhas Apis mellifera L. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Silva CM da, Jong DD. Influência do tamanho do alvéolo de cria no peso ao nascer e no comportamento de forrageamento das operárias de abelhas Apis mellifera L. 2009 ;
    • Vancouver

      Silva CM da, Jong DD. Influência do tamanho do alvéolo de cria no peso ao nascer e no comportamento de forrageamento das operárias de abelhas Apis mellifera L. 2009 ;


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