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Botos, mapinguarys, curupiras...narrativas de crianças ribeirinhas (2007)

  • Authors:
  • Autor USP: PARMIGIANI, TÂNIA ROCHA - FE
  • Unidade: FE
  • Sigla do Departamento: EDM
  • Subjects: NARRATIVA; ESCRITA; INFÂNCIA (ESTUDO E ENSINO); CULTURA; ENSINO E APRENDIZAGEM; LINGUAGEM
  • Language: Português
  • Abstract: Este estudo tem por objetivo discutir o papel das narrativas orais, culturalmente constituídas, como mediadoras da aprendizagem escrita de crianças de 3º e 4º séries do Ensino Fundamental de uma escola pertencente a uma comunidade ribeirinha, às margens do Rio Madeira, em Porto Velho, Rondônia, Estado situado ao sudoeste da Amazônia, cujo ensino era fundamentalmente direcionado pelo livro didático. A partir de pressupostos teóricos de Bakhtin - que defende uma concepção dialógica de linguagem; de Benjamin - que fundamenta uma concepção de narrativa alicerçada em uma tradição partilhada, elos de memória de uma comunidade - , de Vygostsky - que concebe a aprendizagem como um processo social mediado pela palavra e pelo outro - e de procedimentos metodológicos da pesquisa-ação, criamos estratégias de produção conjunta de textos, levamos para a sala de aula as narrativas orais, a partir de três modos de narrar: as autobiografias - em que as crianças relatavam os acontecimentos vividos; os mitos e as lendas regionais - em que as crianças expressavam as narrativas orais de memória fundadas em uma tradição partilhada; os contos de fada e outras histórias da literatura infanto-juvenil em que ouviam histórias e partilhavam-nas oralmente e por escrito com os colegas, deixando entrever aspectos de sua cultura. A partir desse procedimento, as crianças contavam umas às outras, no contexto pedagógico, as experiências vividas na comunidade: as travessuras no rio, as aventuras napesca, nos passeios pela floresta. Ao considerarmos as crianças, a partir do contexto social e histórico onde vivem e adotarmos uma concepção dialógica de linguagem, reconhecendo a alta capacidade mimética presente em seus discursos, recuperamos a tradição oral que garantiu, pela mediação do outro, o êxito da escrita. Botos, mapinguarys e curupiras saíam da floresta, dos rios e apareciam entre carteiras, quadros e cadernos ) Os textos, resultantes de diferentes situações de interação em sala de aula, mostraram que as crianças ampliaram a sua concepção de escrita, registraram as experiências vividas na comunidade e deixaram entrever uma tensão permanente entre a cultura oral da comunidade e a cultura escrita, resultado de suas interações com outros grupos culturais e do processo de ensino-aprendizagem que tinha por fim superar a cisão, antes existente no contexto pedagógico, entre oralidade e escrita. A recuperação das narrativas orais, no contexto de sala de aula, mediou a produção escrita que, longe das repetidas cópias, permitiu que narrassem ao outro a sua história, que registrassem os fios tecidos pelas vozes fundadas em uma tradição partilhada
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 10.04.2007

  • How to cite
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    • ABNT

      PARMIGIANI, Tânia Rocha; DIETZCH, Mary Julia Martins. Botos, mapinguarys, curupiras..narrativas de crianças ribeirinhas. 2007.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.
    • APA

      Parmigiani, T. R., & Dietzch, M. J. M. (2007). Botos, mapinguarys, curupiras..narrativas de crianças ribeirinhas. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Parmigiani TR, Dietzch MJM. Botos, mapinguarys, curupiras..narrativas de crianças ribeirinhas. 2007 ;
    • Vancouver

      Parmigiani TR, Dietzch MJM. Botos, mapinguarys, curupiras..narrativas de crianças ribeirinhas. 2007 ;

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