Repensando os commons na comunicação científica (2006)
- Authors:
- Autor USP: PINTO, EVELYN CRISTINA - IME
- Unidade: IME
- Sigla do Departamento: MAC
- DOI: 10.11606/D.45.2006.tde-07052007-092617
- Assunto: INTERNET
- Language: Português
- Abstract: Recentemente estudiosos como Benkler, Lessig, Boyle, Hess e Ostrom retomaram o uso do conceito de commons, mas agora relacionado à informação em geral ou à informação científica. Nesse trabalho, nós lançamos mão desse termo para destacar o caráter cooperativo da pesquisa científica, a importância da transparência e neutralidade no acesso ao commons da Ciência e a natureza anti-rival da informação científica. O conceito de commons nos é muito útil para focar todo o conjunto dos artigos científicos já publicados, quer estejam na forma impressa ou na digital. Ainda permite um estudo através de prismas multidisciplinares e, finalmente, enfatiza a dinâmica das comunidades científicos como um todo. Em qualquer commons de informação, quanto maior a distribuição do conhecimento, mais dinâmico e eficiente é o processo de evolução do conhecimento. A tecnologia da imprensa tem desempenhado um papel fundamental na divulgação de informação e o seu surgimento marcou uma revolução no conhecimento e na cultura da nossa civilização. A tecnologia digital tem se mostrado mais eficiente ainda, uma vez que a natureza da sua implementação em bits se aproxima mais da natureza anti-rival das idéias do que qualquer outra tecnologia hoje empregada para preservação e distribuição de informação. Em nosso estudo, constatamos que o commons da Ciência pode ser enormemente enriquecido através de práticas cooperativas e de acesso aberto na publicação da academia. Percebemos também que o uso da tecnologia digital no commons científico, especialmente na publicação dos resultados da pesquisa, aumenta grandemente a distribuição do conhecimento acadêmico, suas oportunidades de escrutínio e validação, a dinâmica de amadurecimento das idéias científicas e, conseqüentemente, pode tornar o desenvolvimento da Ciência mais veloz e eficiente.No entanto, o meio digital tem sido utilizado tanto para criar um ambiente de livre circulação de idéias quanto para controlá-las. Por um lado, código computacional tem sido implementado para garantir o acesso apenas aos que pagam pelos altos preços das revistas científicas. Por outro lado, a publicação de revistas on-line de acesso aberto e outras formas alternativas de disseminação de conteúdo científico têm se proliferado. Ainda, o decrescente orçamento das bibliotecas, o crescente preço das assinaturas de revistas científicas e as crescentes restrições aplicadas pelas leis de propriedade intelectual têm minado a natureza livre das idéias científicas e colocado a Comunicação Científica numa crise. Estamos no meio de uma transição de paradigmas quanto à publicação dos resultados de pesquisa científica, onde aspectos legais, tecnológicos e sócio-econômicos estão em renegociação. À luz das oportunidades da tecnologia digital e da publicação em acesso aberto, as formas de disseminação dos resultados da pesquisa científica presentemente estabelecidas tem sido repensadas. Inserimos essa análise num contexto maior, o paradigma da Comunicação Científica. Isso nos auxilia a fazer um estudo mais abrangente das complexas questões envolvendo nosso tema, analisando os aspectos tecnológicos, legais e sócio-econômicos de uma possível transição para o modelo de publicação de acesso aberto. Tão grandes são as oportunidades desse novo modelo que ele tem agregado em torno de si iniciativas sócio-acadêmicas conhecidas por Movimento de Acesso Aberto à literatura científica. Atualmente, há muitos testes e modelos de publicação dessa literatura. Em especial, nesse trabalho focamos o modelo de acesso aberto aos resultados científicos, suas vantagens, as dificuldades para seu estabelecimento e como ele tem se desenvolvido.Analisamos a viabilidade de criação de um ecossistema de bibliotecas digitais de acesso aberto, especializadas em cada ramo da Ciência. Nossos modelos de partida baseiam-se em alguns aspectos de serviços como arXiv, CiteSeer e Google Scholar. Entre as muitas conclusões desse estudo, constatamos que bibliotecas desse tipo aumentam sobremaneira a dinâmica de circulação, geração, transformação e renovação do conhecimento científico. Assim, o processo de produção de recursos no commons científico pode se tornar muito mais eficiente.
- Imprenta:
- Data da defesa: 23.05.2006
- Status:
- Artigo publicado em periódico de acesso aberto (Gold Open Access)
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- Versão publicada (Published version)
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-
ABNT
PINTO, Evelyn Cristina. Repensando os commons na comunicação científica. 2006. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/45/45134/tde-07052007-092617/. Acesso em: 06 maio 2026. -
APA
Pinto, E. C. (2006). Repensando os commons na comunicação científica (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://teses.usp.br/teses/disponiveis/45/45134/tde-07052007-092617/ -
NLM
Pinto EC. Repensando os commons na comunicação científica [Internet]. 2006 ;[citado 2026 maio 06 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/45/45134/tde-07052007-092617/ -
Vancouver
Pinto EC. Repensando os commons na comunicação científica [Internet]. 2006 ;[citado 2026 maio 06 ] Available from: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/45/45134/tde-07052007-092617/
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