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Características de virulência, morfológicas e genotípicas de amostras clínicas de Histoplasma capsulatum (2006)

  • Authors:
  • Autor USP: CAZZANIGA, RODRIGO ANSELMO - FMRP
  • Unidade: FMRP
  • Sigla do Departamento: RBP
  • Subjects: VIRULÊNCIA; FILOGENIA; MICROBIOLOGIA MÉDICA
  • Language: Português
  • Abstract: Histoplasma capsulatum var. capsulatum é um fungo que apresenta dimorfisrno térmico, tem forma sexuada perfeita definida (Ajellomyces capsulatus), e que ao ser inalado pelo tomem ocasiona uma doença respiratória que pode ter regressão espontânea ou evoluir para um acometimento sistêmico. Indivíduos imunodeprimidos são mais susceptíveis a este patógeno, que é encontrado naturalmente em substratos ricos em nitrogênio e fósforo (como as fezes de morcegos), em diferentes regiões geográficas, principalmente no sul e meio oeste dos EUA, na América Central e na América do Sul. No Brasil, onde certamente há inúmeros reservatórios naturais do fungo, este vem adquirindo relevante importância em saúde publica. Motivados pela alta freqüência de Histoplasmose disseminada observada nos últimos 5 anos no HC-FMRP/USP, principalmente em pacientes com AIDS, buscamos neste trabalho estudar aspectos da biologia celular, molecular e poder patogênico de 20 amostras clínicas de H capsulatum var. capsulatum mantidas em micoteca. Como o período de estocagem pode alterar as características morfológicas, antigênicas e de virulência desse fungo, a maioria das amostras foram reativadas por passarem em animal, mas a análise das características macro e micromorfológicas sugere que não ocorreu uma boa recuperação da capacidade reprodutiva dessas amostras uma vez que 85% delas apresentaram textura com preponderância de elementos vegetativos (cotonosa, aveludada e membranosa) e 45%apresentaram pouca produção de micro ou macroconídios, mesmo crescendo em ágar-batata que estimula a conidiogênse pela carência de nutrientes. Os conídios, responsáveis pela infectividade das amostras quando inalados por mamíferos, são estruturas de resistência que possuem melanina em sua parede, componente importante também para a virulência do fungo na fase leveduriforme, uma vez que permite às leveduras melanizadas escape da ação de reativos ativos do oxigênio ) liberados por macrófagos parasitados. Observamos que frente à compostos fenólicos (L- DOP A), as leveduras de H capsulatum foram capazes de sintetizar melanina, embora em pequena quantidade, detectada pela pouca alteração da cor das colônias e pela distribuição irregular de grânulos eletrodensos desse pigmento na superfície da parede celular de leveduras, documentada por microscopia de transmissão eletrônica. A virulência das amostras também foi avaliada em camundongos BALB/c inoculados endovenosamente com 5 x '10 POT. 6' leveduras através de curvas de sobrevivência e análise histopatológica. Pela mortalidade, as vinte amostras foram divididas em três grupos de virulência: Grupo 1 composto por 11 isolados que ocasionaram a morte de 50% dos animais entre 5 e 10 dias pós-infecção e 100% de morte aos 20 dias, Grupo 2 composto por 5 amostras que levaram à morte 50% dos animais entre 20 e 30 dias pós-infecção, e Grupo 3 com 4 amostras que causaram a morte de 50% dos animais apenas em períodos superiores a 40 diaspós-infecção. O padrão de resposta tecidual não foi alterado pela virulência da amostra, mas observamos uma disseminação mais rápida e mais intensa com as amostras mais virulentas. Por fim, a variabilidade genética dessas amostras foi avaliada por cariotipagem e seqüenciamento das regiões ITS do gene 5.8S rDNA. A separação eletroforética dos cromossomos de 18 amostras, feita por PFGE revelou amostras com 3 e 5 cromossomos, cujos tamanhos variaram de 2,43 Mpb a 8,27 Mpb. O mapeamento das bandas .cromossômicas permitiu a construção de um dendograma de similaridade que mostrou a existência de 16 diferentes cariótipos (A a P), com identidade total de 2 amostras nos grupos A (amostras 1391/2002 e 1436/2004) e H (amostras 856/2002 e 1986/2005). Após amplificação, os resultados do seqüenciamento e alinhamento das regiões ITS1 e ITS2 indicaram que a seqüência de nucleotídeos das 20 amostras em ) estudo não são idênticas, com variações pontuais em 7 posições da região ITS1 e em 14 posições da região ITS2, do total de 504 pb seqüenciados. Essas variações permitiram classificar as amostras em 7 tipos moleculares distintos, alguns apresentando subdivisões internas. O tipo molecular mais freqüente foi o III, apresentado por 45% das amostras. Considerando que as variações de nucleotídeos observadas possivelmente são decorrentes de pressões seletivas, construímos uma árvore filo genética pelo método de máxima verisimilhança, que mostrou grande correlação evolutiva entre os 20isolados, com pequenas divergências individuais. Concluímos que embora não tenhamos observado relação direta entre os diferentes parâmetros observados (características morfológicas, genotípicas e de virulência), as amostras de H. capsulatum isoladas de pacientes da região de Ribeirão Preto apresentaram diferentes comportamentos fenotípicos e genotípicos que podem suscitar diferenças na relação parasito-hospedeiro
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 03.02.2006

  • How to cite
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    • ABNT

      CAZZANIGA, Rodrigo Anselmo; MAFFEI, Claudia Maria Leite. Características de virulência, morfológicas e genotípicas de amostras clínicas de Histoplasma capsulatum. 2006.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2006.
    • APA

      Cazzaniga, R. A., & Maffei, C. M. L. (2006). Características de virulência, morfológicas e genotípicas de amostras clínicas de Histoplasma capsulatum. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Cazzaniga RA, Maffei CML. Características de virulência, morfológicas e genotípicas de amostras clínicas de Histoplasma capsulatum. 2006 ;
    • Vancouver

      Cazzaniga RA, Maffei CML. Características de virulência, morfológicas e genotípicas de amostras clínicas de Histoplasma capsulatum. 2006 ;


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