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1935-1965: trinta anos de edifícios modernos em São Paulo (2005)

  • Authors:
  • Autor USP: ALBA, LILIAN BUENO - FAU
  • Unidade: FAU
  • Sigla do Departamento: AUH
  • Assunto: ARQUITETURA MODERNA
  • Language: Português
  • Abstract: Presume-se que na análise de suas características construtivas, formais e funcionais poderá indicar o que então se entendia por moderno, modernidade e modernismo na cidade de São Paulo. Embora parte dos arquitetos (e engenheiros) autores dos projetos estivesse razoavelmente em dia com a produção arquitetônica internacional contemporânea, muitos edifícios repetiam de modo, às vezes, descuidado ou pouco informado alguns estilemas "modernos" que acabaram se consagrando. Arquitetos como Rino Levi, Adolph Franz Heep, Abelardo R. de Souza, Francisco Beck, entre outros, estiveram muito cientes do que faziam e porque o faziam. Mas, havia também outros, como Artacho Jurado, que tomaram grandes licenças em relação a uma pretensa ortodoxia moderna, e produziram obras com certo interesse que se tornaram (ao menos em parte) paradigmas para outras edificações. Isto induziu à diversificação de nossa análise tipológica, pois, além da grande maioria dos edifícios erigidos na cidade, nas décadas mencionadas, serem de uso misto, observamos diferentes implantações na região estudada. O fio condutor desta pesquisa é a estratégia de ocupação territorial da cidade. Assim, em conformidade com as transformações nela ocorridas, localizaremos o objeto de estudo. Sendo assim, vemos na administração do prefeito Fábio Prado -1934 a 1938 - principiarem-se as obras previstas no Plano de Avenidas, aprovado em 1930, de autoria do engenheiro PrestesMaia (a obra em tela é o túnel Nove de Julho), bem como, o concurso para o novo Viaduto do Chá. Tais intervenções fomentam o comércio sofisticado no trecho que engloba as ruas Barão de Itapetininga, Vinte e Quatro de Maio e Sete de Abril - considerado como o Centro Novo da cidade nas décadas de 40 e 50. Ainda, nesta administração, deu-se à desapropriação da área para construção da Biblioteca Municipal, obra atribuída ao arquiteto francês, Jacques Pilon. Em 1937, o referido arquiteto entregou à Prefeitura o anteprojeto deste edifício, o qual foi completado por funcionários da municipalidade. Na década de 40, acontecimentos culturais ativam a consolidação da nova linguagem arquitetônica: a criação das escolas paulistas de arquitetura - Mackenzie e USP -, a fundação e construção da sede do Instituto de Arquitetos do Brasil, seção São Paulo, e a criação dos Museus de Arte - Museu de Arte de São Paulo e o Museu de Arte Moderna. Estes tiveram suas primeiras instalações localizadas no mesmo edifício, sito à rua Sete de Abril. A adaptação de ambas foi elaborada por arquitetos; o MAM pelo arquiteto Vilanova Artigas e o MASP pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi.A professora doutora Regina Meyer, em sua tese de doutorado, elucida por meio de múltiplas referências, o decênio 50/60 como etapa decisiva para a emergência da Metrópole, e considera "marcos da cultura metropolitana" a nova forma de construir, de comprar, de morar, de circular, de sedivertir, de usufruir e produzir objetos artísticos, de se comunicar e, sobretudo a nova forma de conviver.Nestes anos a região central e o bairro de Higienópolis já possuíam sua configuração atual. Exceção feita à avenida Paulista, até hoje palco de remodelações urbanísticas e inovações arquitetônicas.No decurso do século XIX para o século XX, a cidade de São Paulo, deixara de ser apenas um entreposto de café e outros produtos agrícolas. As imagens da cidade, nesse período, fixavam a amálgama de modelos, referências, fantasias, interesses e ansiedades que começavam a pontilhar na paisagem urbana.Data da primeira década do século XX a realização de importantes obras de remodelação do centro urbano, bem como a criação de bairros residenciais para a burguesia em ascensão, nos moldes das cidades-jardins inglesas. Exemplos destes últimos, nesta pesquisa, são: o bairro de Higienópolis e a avenida Paulista. A deflagração da Primeira Guerra, a conseqüente queda das exportações de café e da importação de produtos industrializados, provocam uma grave crise econômica. A indústria nacional, especificamente a paulista, observa serem ampliadas às necessidades de seu mercado interno, levando a alterações nos materiais utilizados, bem como, a diversificação da produção nacional. Na construção civil, tais fatos, acarretaram substituições nos materiais utilizados, o ferro foi substituído pelo concreto, e o pinho-de-riga pelo pinheiro do Paraná, pelo cedro ou pela peroba. Entretanto, as formas acompanharam mais lentamente tais modificações.As sementes lançadas nos anos 20 - os manifestos de Gregori Warchavchik e Rino Levi; a construção da casa da rua Santa Cruz, pelo mesmo Warchavchik com patrocínio da família Klabin; as construções das casas da Rua Itápolis, que abrigou a"Exposição de uma Casa Modernista", e da Rua Bahia; a primeira visita de Le Corbusier ao Brasil; o projeto de Flávio de Carvalho para o concurso do Palácio do Governo - encontraram solo fértil apenas nos anos 30. Contudo, parte dos membros do governo de Getúlio Vargas, especialmente o Ministro da Educação e da Saúde, Gustavo Capanema, almejando imprimir um caráter de modernidade ao novo regime, convoca a participação de alguns arquitetos comprometidos com os princípios do Movimento Moderno para a construção de algumas obras estatais.Este processo é elucidado pelos episódios da nomeação de Lúcio Costa para a direção da Escola Nacional de Belas Artes e sua posterior demissão; a realização de concurso público para o projeto da nova sede do Ministério da Educação e Saúde; e a composição de equipe - que contou com a colaboração de Le Corbusier - para elaboração do projeto final. Fatos que culminam com a construção de um edifício com implantação distinta, de linhas inovadoras, totalmente inserido nos preceitos modernos propalado por Le Corbusier, entre outros. A somatória dos acontecimentos narrados colaborou para a consolidação da linguagem moderna na arquitetura brasileira. Linguagem esta que aplica os novos preceitos de espaço livre, da estrutura livre, das fachadas independentes, aliados a uma forte preocupação em usar de elementos arquitetônicos para amenizar o calor e a abundância de luz, típicos de um país tropical.Pela primeiravez seriam exploradas amplamente as possibilidades de acomodação ao terreno, em que pese muitas vezes a exigüidade dos lotes. Para isso contribuiria principalmente o uso das estruturas em concreto, que viriam libertar as paredes de sua primitiva função de sustentação, transformando-as em elementos de controle de luz e de vedação, e as estruturas de sua rigidez. ) As lajes de piso e de cobertura seriam de concreto, em substituição às velhas estruturas de madeira. Passavam a vigorar os preceitos da "planta livre", com ampla flexibilidade, de modo que, pelo menos em teoria, seriam satisfeitas nos projetos as exigências de funcionalidade e da própria composição.Particularmente, na cidade de São Paulo, a opção pela construção dos arranha-céus denota, para alguns estudiosos, como a professora doutora Nadia Somek, a alteração do padrão urbanístico adotado. Assim, a década de 1920 assinala a passagem do padrão europeu, marcado pelas obras de Bouvard - remodelação do Parque Anhangabaú - e Barry Parker - o Parque e o Belvedere do Trianon, na avenida Paulista, e o Mirante Germaine Buchart, no bairro de Higienópolis; para o padrão americano, caracterizado pela verticalização, pela construção de altos edifícios, e adensamento dos centros urbanos. Porém, os primeiros edifícios erigidos na cidade, obedeciam a preceitos estilísticos ecléticos ou art-nouveau. Situação que seria alterada, a partir da transição da década de 20 para a década de 30, com a construçãodo edifício projetado por Júlio de Abreu, localizado na Avenida Angélica, considerado por alguns, o Primeiro Edifício Moderno de São Paulo.A par com o descrito acima, esta pesquisa, estuda os edifícios construídos na região central da cidade de São Paulo, no período entre 1935, ano da construção do Edifício Esther, na Praça da República, obra do arquiteto Álvaro Vital Brazil, considerado o primeiro Edifício Moderno significativo da cidade e 1965 que podem ser enquadrados na difusa definição de modernos ou modernistas. Na promoção das vendas de imóveis a qualificação moderno contava pontos a favor, pois, fazia subentender qualidades como funcionalidade, salubridade, racionalidade, economia de tempo e de material etc., que, de certo modo, correspondiam ao entusiasmo industrializador que marcou o período em São Paulo.A região que foi objeto desse surto verticalizador, no período aventado, abrange o chamado Centro Velho (região da Praça da Sé), e o Centro Novo (região da Praça da República), a Avenida Paulista e seus arredores e o bairro de Higienópolis. Embora edifícios "modernos" tenham sido construídos em outras localidades da cidade - Santa Cecília, Vila Buarque, Cambuci, Vila Mariana, etc., parece que a preferência por edifícios que trouxessem a marca do moderno se encontram de modo peculiar, na região demarcada para este estudo.A intenção da pesquisa é de, inicialmente, proceder ao levantamento e à caracterização das referidas edificações.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 22.02.2005

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    • ABNT

      ALBA, Lilian Bueno; AZEVEDO, Ricardo Marques de. 1935-1965: trinta anos de edifícios modernos em São Paulo. 2005.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
    • APA

      Alba, L. B., & Azevedo, R. M. de. (2005). 1935-1965: trinta anos de edifícios modernos em São Paulo. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Alba LB, Azevedo RM de. 1935-1965: trinta anos de edifícios modernos em São Paulo. 2005 ;
    • Vancouver

      Alba LB, Azevedo RM de. 1935-1965: trinta anos de edifícios modernos em São Paulo. 2005 ;

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