O(s) lugar(es) do entre na arquitetura contemporânea: arquitetura e pós-estruturalismo francês (2005)
- Authors:
- Autor USP: GUATELLI, IGOR - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLM
- Subjects: ARQUITETURA (TEORIA;FILOSOFIA); DESCONSTRUÇÃO
- Language: Português
- Abstract: A história da filosofia tem demonstrado sempre intersecções de interesse com a arquitetura, por exemplo, a filosofia procurando mostrar a arquitetura como uma forma estética na obra "Aesthetics", de Hegel, ou o conceito de espaço na filosofia e a plástica do século XX, presentes na famosa conferência de 1951, "Bauen-Wohnen-Denken" (Construir, Habitar, Pensar), de Heidegger. Mais recentemente, coube a Jacques Derrida, o "filósofo da Desconstrução", este papel articulador entre arquitetura e filosofia, manifesto não apenas em escritos, mas em trabalhos conjuntos com arquitetos como Peter Eisenman e Bernard Tschumi. Um interessante paralelo pode ser feito entre os escritos de Derrida sobre Arquitetura e Literatura, pois ambas são, normalmente, logocêntricas, "lugares habitáveis" e construídos pela repetição da Metafísica; para Derrida, contudo, ambas deveriam ser alguma coisa sempre por vir, significantes e não signos com um significado apriorístico. Assim, a partir de uma visão multidisplinar e, por vezes, transdisciplinar, aqui representada por analogias entre conceitos pertencentes aos campos da arquitetura, filosofia e literatura, pretende-se ampliar as possíveis relações e correspondências entre duas das mais influentes correntes arquitetônicas do século XX - a saber, a corrente racionalista/funcionalista do Movimento Moderno, e a chamada Arquitetura Desconstrutivista - com algumas modalidades de texto, como o texto legível, o texto escriptível e ointertexto, extraídos das teorias sobre o texto de Roland Barthes, e, principalmente, com o conceito do entre, presente nas teorias da filosofia da Desconstrução de Derrida. Propõe-se, com isso, também, não só abrir a possibilidade para outras leituras e entendimentos dessa arquitetura conhecida como ) Desconstrutivista, e ainda pouco estudada entre nós, como indagar se uma possível aproximação entre o discurso da Desconstrução, aqui parcialmente representado pelo conceito do entre, em arquitetura, e o conceito de intertexto, ou intertextualidade, não abriria uma possibilidade fundamental para o que poderíamos entender como uma condição para o advento de novas humanidades em arquitetura. Certamente, não estaríamos falando de humanidades ligadas ao humanismo metafísico contestado por Derrida, ou um humanismo semelhante àquele do pós-Segunda Guerra, calcado em uma visão de revalorização e fortalecimento do homem face às destruições da guerra, visto por alguns críticos como "conseqüência inevitável" de um exacerbado otimismo tecnológico e crença na máquina. Seriam, talvez, humanidades expressas na possibilidade da arquitetura dar condições para aqueles que não querem apenas o lugar que lhes foi destinado, criando condições para uma recuperação e estímulo da atividade criadora humana, em que a ação criativa espontânea, por intermédio do simples movimento de corpos no espaço, potencializados pela materialização do entre em arquitetura, sobrepõe-se aos aspectosestético-formais e ao fazer programado -ações pré-definidas por funções pré-definidas - como valores fundamentais durante o ato projetual. Em resposta ao autor deste trabalho apresentado, o arquiteto Bernard Tschumi, um dos arquitetos presentes neste estudo, diz considerar as ações no espaço do ser humano "naturalmente" violentas, entendendo-se violentas como imprevisíveis, espontâneas. Assim, a arquitetura deveria adequar-se a essa condição, tornando-se mais flexível, criando espaços flexíveis e de suporte [infra-estruturais] e não "se enrijecer" em rigorosos princípios ) estético-formais ou pares de conceitos como forma/função, espaço/uso.Este trabalho busca esse outro olhar, um olhar que pretende entender e considerar, através de uma dissolução de fronteiras, a chamada Arquitetura Desconstrutivista e, a partir dela, a própria disciplina Arquitetura, não apenas partindo dos referenciais arquitetônicos históricos e institucionalizados criados pela própria Arquitetura, baseados na clássica oposição estrutura/ornamento e na primazia da condição "forming" em relação à condição "spacing", mas a partir de suas possíveis relações com as teorias do texto, a filosofia da Desconstrução, particularmente do conceito do entre, e as implicações possíveis desse conceito com componentes intrínsecos à natureza da arquitetura, a saber: forma, função, programa e sobretudo o espaço
- Imprenta:
- Data da defesa: 09.08.2005
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ABNT
GUATELLI, Igor. O(s) lugar(es) do entre na arquitetura contemporânea: arquitetura e pós-estruturalismo francês. 2005. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. . Acesso em: 24 fev. 2026. -
APA
Guatelli, I. (2005). O(s) lugar(es) do entre na arquitetura contemporânea: arquitetura e pós-estruturalismo francês (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. -
NLM
Guatelli I. O(s) lugar(es) do entre na arquitetura contemporânea: arquitetura e pós-estruturalismo francês. 2005 ;[citado 2026 fev. 24 ] -
Vancouver
Guatelli I. O(s) lugar(es) do entre na arquitetura contemporânea: arquitetura e pós-estruturalismo francês. 2005 ;[citado 2026 fev. 24 ]
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