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O desenvolvimento da competência interpessoal e suas relações com o ensino da assistência de enfermagem (2004)

  • Authors:
  • Autor USP: LEITE, MARIA MADALENA JANUARIO - EE
  • Unidade: EE
  • Subjects: INTERAÇÃO PROFESSOR ALUNO; PROFESSORES DE ENSINO SUPERIOR; ENFERMAGEM (EDUCAÇÃO)
  • Language: Português
  • Abstract: Como docentes de Enfermagem acreditamos que todo profissional que trabalha com educação necessita constantemente ampliar as noções que possuí em relação às teorias de ensino e àquelas vinculadas ao relacionamento humano. Assim, dessa forma, poderá contribuir para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem com qualidade. Nesse sentido, vemos que essa necessidade também se aplica ao docente de Enfermagem, como agente formador de recursos humanos que vai lidar com outros seres humanos. Essa preocupação deve existir no sentido de que possamos desenvolver nossas potencialidades educacionais, não somente através de nossa vivência prática como docentes, mas também através de uma formação específica, onde possamos ampliar as noções que possuímos em relação às teorias de ensino e àquelas vinculadas ao relacionamento humano. Por esta razão, temos como objetivo neste trabalho tecer algumas reflexões teóricas à respeito do desenvolvimento do relacionamento interpessoal entre professor-aluno e suas relações com o ensino da assistência de Enfermagem. Ao refletir sobre os conceitos de competência, competência interpessoal e andragogia, acreditamos que o professor de Enfermagem poderá compreender de forma mais ampla a realidade de ensino em que está inserido, bem como também refletir sobre como vem desenvolvendo sua prática docente. Ao buscarmos na literatura autores que estudaram sobre o tema Competência, encontramos vários estudos dos quais destacamos ostrabalhos de MOSCOVICI (1985), PERRENOUD (1999), e RIOS (1995) que estabelecem vários conceitos à esse respeito, que merecem serem descritos para que possam ser abordados em várias de suas facetas. MOSCOVICI (1985) aborda a competência do ponto de vista das relações interpessoais, definindo competência interpessoal como "a habilidade em lidar eficazmente com as relações interpessoais, de lidar com as pessoas de forma adequada à necessidade de cada uma e às ) exigências da situação". Ainda observa que, para que ocorra o desenvolvimento da competência interpessoal, torna-se necessário a percepção (autopercepção, autoconscientização, auto-aceitação), habilidades relacionadas a flexibilidade perceptiva e comportamental, dar e receber feedback, e reconhecimento da dimensão afetiva/emocional. Para que o desenvolvimento da competência interpessoal possa ser efetivo torna-se necessário "aprender a relacionar-se, comunicar-se,...e quanto mais alto for o grau de hierarquia e da responsabilidade de cada um, tanto mais necessário será estabelecer e consolidar esta habilidade." PERRENOUD (1999), define competência num sentido mais amplo como sendo "uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles." RIOS (1995) observa que "falar de competência significa falar em saber fazer bem" sendo que ela deve ser compreendida levando-se em conta as dimensões técnica, política e ética. Para essa autora o saberfazer bem tem uma dimensão técnica, que é a do saber e do fazer, isto é, do domínio dos conteúdos, das técnicas e estratégias de que o sujeito necessita para desempenhar o papel que se requer dele na sociedade, e a dimensão política, relacionada aquilo que é estabelecido como valor pelos homens dentro de uma sociedade. Intermediando essas duas dimensões coloca ainda a questão ética, relacionada ao fazer bem , que está presente tanto na definição e organização do saber, como também na direção que será dada a esse saber na sociedade. Esta autora ainda afirma que a competência não é algo estático que se estabelece de uma só vez, mas sim construída através do cotidiano, sendo que se propõe como um ideal a ser alcançado e que deve ser compartilhada com os outros. Concordamos com MOSCOVICI (1985) ao afirmar que cabe ao educador "atualizar-se freqüente ou permanentemente, porquanto as mudanças ) tecnológicas, econômicas e sociais são rápidas, exigindo adaptação contínua a novas condições de vida e de trabalho para sobrevivência, subsistência, crescimento e realização pessoal e profissional". Dessa forma, temos consciência a respeito da necessidade de constante atualização do professor para sua realização como profissional, através da aquisição de conhecimentos técnicos, por meio de leituras e cursos, permitindo assim que adquira uma maior competência técnica, aspecto este muito reforçado dentro dos cursos de graduação em Enfermagem. Porém, acreditamos que o professorde Enfermagem também necessita começar a valorizar e reconhecer as aprendizagens afetivas, emocionais, como sendo importantes aspectos do ensino a serem desenvolvidos na Enfermagem, pois observamos que somente a ênfase na aprendizagem cognitiva e psicomotora não fornecem os subsídios suficientes para que ocorram mudanças profundas e eficientes no desempenho de seu papel como educador. Por considerarmos o aluno de graduação como uma pessoa que se encontra no início de sua vida adulta, procuramos também refletir a respeito da competência interpessoal, relacionado-a com os estudos desenvolvidos que utilizam os referenciais pertinentes ao processo de educação de indivíduos adultos. Nesse sentido encontramos o estudo de TASQUETTI & LIMA apud MANZOLLI (1994) relacionado ao ensino de Enfermagem que afirmam que "os alunos de graduação em Enfermagem, em sua grande maioria, estão situados na faixa etária denominada 'adulto jovem' ou na 'vida adulta inicial'. Esses alunos, saídos a pouco da adolescência, geralmente encontram dificuldade em se adaptar aos programas de disciplinas de Enfermagem visto que esses programas, utilizando pressupostos 'pedagógicos', se mostram rígidos, inflexíveis e com objetivos que se apresentam distantes do universo vivencial do aluno". Nesse sentido, encontramos o trabalho de Malcom Knowles que, a partir ) a partir da década de 70, trouxe à tona as idéias a respeito da educação de adultos, que até então só haviam sido exploradas porLinderman, na década de 20, tido como um dos primeiros pesquisadores a respeito de melhores formas de ensinar indivíduos adultos, denunciando a existência de impropriedades nos métodos utilizados até então nos sistemas educacionais daquela época. KNOWLES (1990) conceituou a teoria de ensino direcionada para indivíduos adultos como andragogia, definindo-a como "a arte e a ciência de ajudar adultos a aprenderem, partindo das diferenças básicas entre o Ser-adulto e o Ser-criança". Este autor ainda observa que a educação difere entre crianças e jovens, principalmente no que diz respeito ao autoconceito, as experiências de vida, a prontidão e orientação para a aprendizagem e a perspectiva temporal, onde salienta que os adultos aprendem para uma aplicação imediata das atividades que executam, no sentido de resolver problemas e não para estocar conhecimento de utilidade eventual futura. Na andragogia a figura do professor como transmissor de conhecimentos é constantemente bombardeada. Surge em seu lugar a figura do facilitador, que se identifica com as necessidades do aprendiz e caminha com ele, no seu processo de desenvolvimento. Nesse sentido, RIOS (1995) ainda afirma que "é preciso pensar na relevância da atuação do profissional que é o intermediário entre o aprendiz - o educando - e a realidade, a partir de cujo conhecimento ele poderá atuar e transformar, transformando também a si próprio... é por meio da relação professor-aluno que o objeto que é o mundo éapreendido, compreendido e alterado, numa relação que é fundamental , a relação aluno-mundo , propiciada pela relação professor-mundo. Concluindo, acreditamos que os referenciais aqui apresentados demonstram claramente a importância do desenvolvimento de competências específicas para o ensino, dentre elas a ) competência interpessoal, que se faz necessária tanto para professores como para os alunos no sentido de que o processo educativo alcance seus objetivos. Pensamos também ser importante para o professor universitário e, em especial, o docente de Enfermagem, repensar de forma mais profunda sobre seu modo de ensinar nossa profissão, tomando como referência os conceitos sobre competência interpessoal para que este ensino assuma características andragógicas, e assim, o aluno possa ser considerado como Ser-em-formação, que se encontra na fase inicial da vida adulta. Dessa forma o professor, ao considerar "esses referenciais, estará buscando meios para que possa aprimorar sua atuação como "Ser-educador" de indivíduos adultos em formação, que estão em busca de sua profissionalização dentro da Enfermagem.
  • Imprenta:
  • ISBN: 8587582232
  • Source:
  • Conference titles: Congresso Brasileiro de Enfermagem

  • How to cite
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    • ABNT

      OHL, Rosali Isabel Barduchi; LEITE, Maria Madalena Januário. O desenvolvimento da competência interpessoal e suas relações com o ensino da assistência de enfermagem. Anais.. Gramado: ABEn, 2004.
    • APA

      Ohl, R. I. B., & Leite, M. M. J. (2004). O desenvolvimento da competência interpessoal e suas relações com o ensino da assistência de enfermagem. In Livro-temas. Gramado: ABEn.
    • NLM

      Ohl RIB, Leite MMJ. O desenvolvimento da competência interpessoal e suas relações com o ensino da assistência de enfermagem. Livro-temas. 2004 ;
    • Vancouver

      Ohl RIB, Leite MMJ. O desenvolvimento da competência interpessoal e suas relações com o ensino da assistência de enfermagem. Livro-temas. 2004 ;


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