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As modulações da voz feminina na produção de Clarice Lispector: uma sociologia de sua escrita (2004)

  • Authors:
  • Autor USP: FANINI, MICHELE ASMAR - FFLCH
  • Unidade: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FSL
  • Subjects: LITERATURA BRASILEIRA (CRÍTICA E INTERPRETAÇÃO); SOCIOLINGUÍSTICA
  • Language: Português
  • Abstract: Em linhas gerais, a intenção dessa pesquisa é desenvolver uma sociologia da escrita clariceana a partir do romance A Paixão Segundo G.H. (1964) e das crônicas "Brasília" e "Brasília: esplendor" (1975) - a primeira crônica tendo sido escrita em 1962 e a segunda em 1974 - sem, contudo, deixar de atentar para o período em que a escritora viveu (1920-1977), com o intuito de destacar tematicamente algumas das transposições literárias de experiências pessoais em sua produção (a presença de biografemas). Os esforços teóricos estarão voltados para a identificação dos expedientes da voz - segundo Lúcio Cardoso, "essencialmente feminina" - presentes nessas produções, sublinhando elementos inscritos e derivados do período em que a escritora viveu, que atuem como dinamizadores do enredo do romance e das crônicas, vislumbrando interpretações sociológicas.Este trabalho divide-se em dois momentos, enfeixados pelo panorama sócio-cultural do século XX. O primeiro tem o propósito de mostrar como um romance, tido como hermético e existencialista por grande parte da crítica literária clariceana, pode ser lido pelo prisma da sociologia, uma vez que possibilita entrever alguns dos condicionantes da prática da escrita de Clarice Lispector configuradores dos expedientes da voz feminina que nele se apresenta. O romance traz determinadas transposições literárias de experiências pessoais, algumas delas oriundas das noções de pertencimento (origem, desenraizamento, sensação de não-lugar),em uma escrita comprometida com a reflexão acerca do lugar e da posição da mulher na sociedade )(em especial ao abordar questões caracterizadoras da rotina da vida doméstica e das máscaras sociais enunciadas no discurso da personagem G.H.). Esta abordagem não prescindirá da consideração do cenário em que se passa a trama (Rio de Janeiro), a partir do qual se observa uma escrita questionadora de algumas das formas de exclusão, típicas da cidade grande.Já o segundo momento desse estudo está preocupado em sublinhar - em uma análise estribada nas representações da cidade de Brasília sugeridas pela visão da espectadora e retratista Clarice Lispector em duas de suas visitas à nova capital do país - o estoque temático escolhido pela escritora para dar conta de uma crítica contundente à sua construção, que, por sua vez, passa pela questão do feminino. A escritora chega até mesmo a utilizar uma metáfora insólita para descrever as impressões que tem dessa cidade desenraizada e artificial: "Mulher rica é assim. É Brasília pura" . A crônica ainda aborda a relação conflituosa entre arquitetura e exclusão social (em especial, cristalizada na figura dos outsiders) e entre espaço ordenado e não-lugar.Por serem aqui tratados como transposições literárias de experiências pessoais, os temas em questão compõem uma rede de interdependência com a seleção do estoque temático feita por Clarice Lispector, o que pressupõe a consideração da trajetória pessoal e artística daescritora.Isso posto, o propósito desse estudo é discorrer sobre o papel relevante que o ato de escrever (mais genericamente a linguagem) desempenha na vida de Clarice Lispector: ele é instrumento de inserção social, enfim, de pertencimento )(seja pela recorrência temática das questões que envolvem a origem - que se mesclam à pergunta "por que escrevo"?, o enraizamento, a relação entre viver/escrever e morrer/não escrever), é mecanismo inquiridor do lugar e da posição da mulher na sociedade e, além disso, é meio privilegiado de questionamento de algumas das formas de exclusão, representadas na produção clariceana através, principalmente, de personagens emblemáticas, tais como mendigos, idosos e (i)migrantes.Este estudo põe em relevo alguns dos condicionantes da prática da escrita de Clarice Lispector, inevitavelmente relacionados à tematização de questões concernentes a um modo feminino de enxergar o mundo, seja ele vivido, reivindicado ou inventado pela escritora em sua produção.Dito isso, é preciso ter em mente a reciprocidade entre criação e leitura, enfim, o jogo dual que envolve escritor e leitor, relação esta que garante a cada obra uma pluralidade inesgotável de sentidos: "a criação de uma obra de arte, a manipulação do material, é um processo aberto"
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 14.10.2004

  • How to cite
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    • ABNT

      FANINI, Michele Asmar; ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. As modulações da voz feminina na produção de Clarice Lispector: uma sociologia de sua escrita. 2004.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
    • APA

      Fanini, M. A., & Arruda, M. A. do N. (2004). As modulações da voz feminina na produção de Clarice Lispector: uma sociologia de sua escrita. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Fanini MA, Arruda MA do N. As modulações da voz feminina na produção de Clarice Lispector: uma sociologia de sua escrita. 2004 ;
    • Vancouver

      Fanini MA, Arruda MA do N. As modulações da voz feminina na produção de Clarice Lispector: uma sociologia de sua escrita. 2004 ;

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