Exportar registro bibliográfico

Uso e conservação da paisagem de áreas seminaturais remanescentes da floresta pluvial Atlântica da borda do planalto meridional brasileiro (morro Ferrabrás e encostas da Serra Geral, RS) (2004)

  • Authors:
  • Autor USP: KONRATH, JULIO - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIE
  • Subjects: FLORESTAS PLUVIAIS; BIODIVERSIDADE; PROTEÇÃO AMBIENTAL; PROPRIEDADE RURAL; GEOPROCESSAMENTO; SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA; MATA ATLÂNTICA
  • Language: Português
  • Abstract: Este capítulo apresenta os procedimentos gerais utilizados para a abordagem de uso e conservação de áreas seminaturais remanescentes do domínio da floresta pluvial atlântica pelos proprietários de terra locais, na área de estudo. Os resultados deste trabalho permitiram conhecer melhor a situação e o contexto da percepção da paisagem de remanescentes florestais da região. Embora as serras e matas da região sejam freqüentemente associadas com a história de colonização da região, a intensa perturbação da paisagem original e a escassez de dados sobre a diversidade de espécies, contribuem para o desconhecimento do valor de conservação da biodiversidade e a falta de interesse na preservação dessas áreas. Por outro lado, a falta de estímulo à agricultura familiar, a intensa taxa de urbanização, as condições hidrológicas excepcionais e a presença de uma cobertura florestal significativa, são percebidos como fatores críticos importantes para o desenvolvimento socioeconômico, que devem ser considerados em estudos visando a definição de estratégias efetivas para conservção da biodiversidade desses remanescentes de floresta pluviais. Este capítulo apresenta os procedimentos, métodos de estudo e tecnologia utilizados para o desenvolvimento de uma avaliação ecológica rápida de remanescentes de florestas pluviais. O objetivo deste trabalho foi realizar o monitoramento da cobertura/uso da terra, caracterizar a heterogeneidade ambiental e avaliar a estrutura dos dosséis deáreas seminaturais remanescentes do domínio da floresta pluvial atlântica, a fim de contribuir para a compreensão dos fatores que promovem ou restringem a conservação da biodiversidade desses ecossistemas. Foram feitas classificações multiespectrais e modelagem numérica do terreno, a fim de relacionar as classes espectrais de imagens ETM+ Landsat 7 com as classes estruturais da vegetação obserdas em campo. As características do relevo e da resolução espacial das imagens de satélite, dificultam a interpretação das classes de resposta espectral e o mapeamento das classes estruturais da vegetação, porém a utilização de uma base dados espaciais diversificada de apoio à classificação, permitiu distinguir as áreas de mata secundária com 59% de concordância. O mapeamento da cobertura/uso da terra realizado através desse procedimento, permitiu maximizar o esforço necessário para a avaliação ecológica. Para o levantamento florístico da estrutura dos dosséis foram coletados 1.140 indivíduos e identificadas 95 espécies nativas e 5 espécies exóticas, entre as quais destacam-se as famílias Myrtaceae, Lauraceae, Euphorbiaceae, Leguminosae e Moraceae. Embora o número de espécies raras observado em áreas com fisionomia de capoeira tenha sido menor, a diversidade de espécies foi maior (H'=3,7) do que a observada em áreas de mata secundária (H'=3,3), sugerindo que condições favoráveis à sucessão secundária da vegetação na área de estudo, podem estarpromovendo a conservação da biodiversidade. Este capítulo buscou caracterizar os aspectos socioeconômicos de ocupação/uso da terra e da percepção/comportamento ambiental dos proprietários de terras da área de estudo e identificar variáveis relevantes para a análise das relações entre o perfil socioeconômico-ambiental de proprietários rurais e a conservação de áreas seminaturais remanescentes do domínio da floresta pluvial atlântica. Os dados foram coletados por meio de uma abordagem de investigação rápida, empregada com base numa metodologia de pesquisa qualitativa realizada com auxílio de geoprocessamento e de sistemas de informação geográfica. Os resultados demonstraram que as propriedades de terras da área de estudo são constituídas principalmente por unidades familiares de produção agrícola, com uma área total média de 2,0 a 25,0ha e menos de 10,0ha cobertos por remanescenes florestais, para as quais as terras representam o único imóvel. Essas unidade familiares são constituídas por duas a cinco pessoas, com mais de 20 anos de idade e sobrevivem com menos de 20 ha de área cultivada. Os proprietários rurais dessas áreas de terras conhecem várias espécies da flora e fauna nativas e o manejo desses recursos restringe-se à extração de lenha e caça eventual. Porém, eles não estão envolvidos com a preservação da mata alântica e nem reconheçem qualquer tipo de zoneamento de proteção incidente sobre suas propriedade de terras. Estetrabalho apresenta a integração das análises dos resultados obtidos nos capítulos anteriores. Buscou-se com este trabalho analisar a relação entre o perfil socioeconômico-ambiental de proprietários rurais e o estado de conservação de remanescentes florestais da borad do planalto meridional brasileiro, localizados nas encostas do morro Ferrabrás e da Serra Geral (RS), a fim de identificar as características ecológicas, socioeconômicas e da percepção/comportamento ambiental, que promovem ou restringem a conservação da biodiversidade, de áreas seminaturais remanescentes do domínio da floresta pluvial atlântica, em nível da paisagem. Os resultados demonstraram que apesar da prevalência de características sociais comuns entre os proprietários estudados (origem, nível de escolaridade, tempo de ocupação das terras, renda familiar total), estes constituem um conjunto bastante heterogêneo, que permite a definição de uma tipologia de proprietários rurais. As alterações no estado de conservação dos remanescentes florestais, estão relacionaodas com as variações na dominância de espécies com diferentes características sucessionais e no tipo de bordas e cipós, na quantidade de clareiras e na presença de espécies invasoras, juntamente com as variações na distribuição das classes de cobertura/uso da terra e os padrões espaciais, observadas em nível da paisagem. Por outro lado, a análise de dependência entre os dados qualiquantitativasutilizados na identificação do perfil socioeconômico-ambiental dos entrevistados, indicou que as características socieconômicas e da percepção/comportamento ambiental dos indivíduos estão estreitamente relacionaodas com as características espaciais das propriedades de terras e pode nos auxiliar a interpretar como os proprietários rurais residentes nessa região de relevo montanhoso, influenciam a conservação de áreas seminaturais remanescentes
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 12.04.2004

  • How to cite
    A citação é gerada automaticamente e pode não estar totalmente de acordo com as normas

    • ABNT

      KONRATH, Júlio; BITENCOURT, Marisa Dantas. Uso e conservação da paisagem de áreas seminaturais remanescentes da floresta pluvial Atlântica da borda do planalto meridional brasileiro (morro Ferrabrás e encostas da Serra Geral, RS). 2004.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
    • APA

      Konrath, J., & Bitencourt, M. D. (2004). Uso e conservação da paisagem de áreas seminaturais remanescentes da floresta pluvial Atlântica da borda do planalto meridional brasileiro (morro Ferrabrás e encostas da Serra Geral, RS). Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Konrath J, Bitencourt MD. Uso e conservação da paisagem de áreas seminaturais remanescentes da floresta pluvial Atlântica da borda do planalto meridional brasileiro (morro Ferrabrás e encostas da Serra Geral, RS). 2004 ;
    • Vancouver

      Konrath J, Bitencourt MD. Uso e conservação da paisagem de áreas seminaturais remanescentes da floresta pluvial Atlântica da borda do planalto meridional brasileiro (morro Ferrabrás e encostas da Serra Geral, RS). 2004 ;

    Últimas obras dos mesmos autores vinculados com a USP cadastradas na BDPI:

    Digital Library of Intellectual Production of Universidade de São Paulo     2012 - 2021