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Poder e contrapoder: militares e historiadores disputam a memória e a história do regime de 1964 (2004)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: CARDOSO, LUCILEIDE COSTA - FFLCH
  • Unidades: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FLH
  • Subjects: GOVERNO MILITAR (HISTÓRIA); GOVERNOS MILITARES (1964-1985); REPRESSÃO POLÍTICA (HISTÓRIA); INTELECTUAIS (HISTÓRIA;POLÍTICA); GOLPE DE 1964
  • Language: Português
  • Abstract: A vasta literatura que aborda o golpe militar e seus desdobramentos é composta por diferentes visões, versões e ficções caracterizadas pela fusão do discurso analítico com o rememorativo. O trabalho visa compreender a construção em cada agrupamento (situação/oposição) das representações mais significativas que se referem à conspiração, ao golpe e aos governos militares, identificando uma permanente tensão entre militares e historiadores na consagração de sua versão como a verdade de uma época. Os livros de memórias e demais impressos celebrativos de autoria dos militares elegem 1964 como o principal marco no processo de construção da "Revolução Democrática Brasileira", destacando a rápida vitória do movimento e o forte apoio popular que impediu a "comunização" do país. Analisamos neste trabalho livros do general Adolpho João de Paula Couto, do coronel J. E. Maya Pedrosa, do general Raymundo Negrão Torres e do tenente Marco Pollo Giordani. Tais autores desejam contrapor suas obras à literatura de cunho "esquerdizante", que contaminou a juventude, divulgando uma imagem dos militares e de sua obra como "maldita" ou "cruel". Contestando essa memória do poder representada pelos livros dos militares defensores do Golpe de 64, alguns historiadores concederam entrevistas, escreveram artigos e obras de cunho autobiográfico, travando um combate que permanece até os dias atuais. Nelson Werneck Sodré, preso em 1964, rememora a severidade das punições impostas aosintelectuais que estiveram sob o jugo da censura e dos órgãos de segurança. Jacob Gorender viveu longo período na clandestinidade, foi preso em 1970, sofrendo censura aos seus escritos e perseguições às suas atividades acadêmicas. Em diversos escritos narra os combates das organizações da esquerda armada contra a ditadura como resistência democrática. Daniel (continua) ) Aarão Reis Filho, preso e exilado em 1969, retornou ao país em 1979, dedicando-se a analisar a trajetória das esquerdas pós-64 no que se refere às razões da derrota e aos diversos projetos de revolução. A relação entre história e memória se espelha na posição ideológica dos autores, na trajetória individual ou do grupo do qual fez parte. A experiência política é o lugar privilegiado de reconstrução do passado, marcando críticas, autocríticas que circundam seus escritos no presente. As fontes escolhidas também contemplam Processos desses historiadores que tramitaram na Justiça Militar e Dossiês pertencentes ao Acervo DEOPS/SP, tratando de forma específica o grau de vigilância e perseguição exercida sobre eles. Confrontar as interpretações dos historiadores mencionados com a pluralidade de narrativas "oficiais" produzidas pelos militares significa estabelecer regularidades considerando tempos diversos e os intensos vínculos dessas representações com os testemunhos dos contemporâneos. Em suma, a tese aponta para compreensão da história do período, caracterizado por memórias em disputaque lutam contra o esquecimento
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 13.04.2004

  • How to cite
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    • ABNT

      CARDOSO, Lucileide Costa; JANOTTI, Maria de Lourdes Mônaco. Poder e contrapoder: militares e historiadores disputam a memória e a história do regime de 1964. 2004.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
    • APA

      Cardoso, L. C., & Janotti, M. de L. M. (2004). Poder e contrapoder: militares e historiadores disputam a memória e a história do regime de 1964. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Cardoso LC, Janotti M de LM. Poder e contrapoder: militares e historiadores disputam a memória e a história do regime de 1964. 2004 ;
    • Vancouver

      Cardoso LC, Janotti M de LM. Poder e contrapoder: militares e historiadores disputam a memória e a história do regime de 1964. 2004 ;

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