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Biossegurança para agentes biológicos na prática assistencial: um estudo em hospitais da região de Itabuna-BA (2003)

  • Authors:
  • Autor USP: PENTEADO, MARIDALVA DE SOUZA - FSP
  • Unidade: FSP
  • Sigla do Departamento: HSP
  • DOI: 10.11606/T.6.2003.tde-04012021-124956
  • Subjects: BIOSSEGURANÇA; PUNÇÕES; HOSPITAIS PRIVADOS; HOSPITAIS FILANTRÓPICOS
  • Language: Português
  • Abstract: Trata-se de estudo com os seguintes objetivos: descrever a organização de aspectos estruturais relacionados à biossegurança nos hospitais sob a supervisão da Sétima Diretoria Regional da Bahia (Análise de Estrutura); verificar o grau de incorporação de práticas de auto- proteção(Biossegurança), por parte de profissionais atuantes em três desses mesmos hospitais, em procedimentos de punção venosa (Análise de Processo) e analisar as percepções dos profissionais de saúde atuantes nos hospitais, acerca dos riscos concernentes aos agentes biológicos em seu trabalho e acerca do preservar-se. A pesquisa divide-se em três momentos. No primeiro momento, descrevemos as estruturas hospitalares, tomando como base a presença de dezoito itens. Para análise dos resultados, os hospitais são comparados segundo sua classificação por porte, vinculação administrativo-financeira (hospitais públicos, privados e filantrópicos), categoria geral e especializada, constituir-se ou não em campo de atividades de ensino, dispor de corpo clínico aberto ou fechado, tipo de clientela atendida em respeito à forma de remuneração pelos serviços e localização geográfica das instituições. As instituições demonstram situação precária, no geral, à presença dos itens investigados. Contudo, há tendência a resultados pouco melhores, conforme maior o porte das instituições. Os resultados também apresentam-se pouco mais promissores nos hospitais campo de ensino e, no referente à categoria de gestão financeira, os hospitais filantrópicos mostram-se com melhores resultados a despeito dos públicos e privados. Mostra-se ainda elemento diferenciador do desempenho das instituições, a presença de grupo executor de controle de infecções hospitalares.O segundo momento da pesquisa compreende estudo de observação, em que analisamos a incorporação de medidas de biossegurança na prática de punções venosas, por profissionais médicos, enfermeiros e auxiliares e técnicos de enfermagem, em três dos serviços hospitalares. Observamos diferenças nas aderências às medidas preconizadas durante o desenvolvimento dos procedimentos, por parte dos profissionais, entre os hospitais e entre setores das instituições. São, todavia, modestas as aderências, no geral, particularmente no referente à lavagem das mãos antes e após a execução das técnicas, o mesmo ocorrendo com o emprego de luvas. Resultados mais alvissareiros são averiguados para as recomendações de descarte imediato de agulhas e não re-encape do instrumento. Numa análise cruzada, os resultados das aderências a essas últimas medidas, mostraram-se mais promissores nos hospitais que, na análise de estrutura, apresentaram-se melhor posicionados. O inverso foi observado para as primeiras medidas (Lavagem das mãos e uso de luvas). Detectamos ainda haver diferenças nas adesões às práticas recomendadas por parte dos profissionais, de acordo com a faixa etária dos pacientes submetidos aos procedimentos em estudo. As aderências à lavagem das mãos previamente e após a técnica em questão, mostraram-se mais freqüentes quando do trato com infantes, ao passo que o descarte imediato das agulhas e o seu não re- encape, quando do trato com adultos. Há ainda tendência de que as profissionais do sexo feminino sejam mais aderentes, em particular à lavagem das mãos após a execução dos procedimentos em foco, que os profissionais do sexo masculino. Também se diferenciam, quanto à adesão às mesmas medidas, os profissionais quando categorizados conforme tempo de formado.Mostram-se melhor posicionados os profissionais com tempo de formado entre cinco e dez anos, quando comparados àqueles formados há menos e mais tempo respectivamente. No terceiro momento do estudo, analisamos as percepções dos profissionais envolvidos na prática assistencial, aqui também delimitados a médicos, enfermeiros e auxiliares e técnicos de enfermagem, acerca do preservar-se/contaminar-se, utilizando a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Verificamos que os discursos evocados encaminham-se preponderantemente para a percepção de que atuam sob riscos biológicos, principalmente dos vírus de transmissão sangüínea com destaque para o HIV e, em menor instância, dos HBVs. Percebem que buscam se auto-protegerem principalmente com o uso de EPls e desvelam que estão sujeitos às limitações estruturais das instituições nas quais atuam no referente à sua proteção. A análise indica que o repertório apresentado espelha a precariedade estrutural praticamente generalizada dos hospitais, no que diz respeito à biossegurança. Também, a própria representação social dos sujeitos acerca da temática, marcada por importante dose de alienação, deve ter suas influências sobre essas mesmas estruturas. Os achados vistos no seu conjunto, permitem- nos deduzir, em suma, que à construção de um adequado aparato de biossegurança, concorrem elementos estruturais, elementos relacionados aos distintos processos de trabalho e também detalhes relacionados às especificidades do fazer humano. Assim, inferimos que a discussão acerca da biossegurança deva ser tanto técnica quanto ética. Isso nos referindo à ética axiológica moderna, que fundamenta que a ação ética tem componentes afetivos e cognitivos. Como recomendações do trabalho, enfatizamos que esforços sejam empreendidos para que a biossegurança perpasse toda uma nova forma de pensar e agir na saúde;que os aparelhos formadores de recursos humanos para a área incorporem, nos seus conteúdos de ensino, a temática em questão; que as instituições, em particular os hospitais, não descuidem da educação continuada de seus profissionais no tocante ao assunto e que seja dada atenção pelos formuladores de políticas públicas, à análise da qualidade dos serviços de saúde, que leve em conta o cuidado também dos seus trabalhadores.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 10.06.2003
  • Acesso à fonteDOI
    Informações sobre o DOI: 10.11606/T.6.2003.tde-04012021-124956 (Fonte: oaDOI API)
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    • Cor do Acesso Aberto: gold
    • Licença: cc-by-nc-sa

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    • ABNT

      PENTEADO, Maridalva de Souza; LEFÈVRE, Fernando. Biossegurança para agentes biológicos na prática assistencial: um estudo em hospitais da região de Itabuna-BA. 2003.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: < https://doi.org/10.11606/T.6.2003.tde-04012021-124956 > DOI: 10.11606/T.6.2003.tde-04012021-124956.
    • APA

      Penteado, M. de S., & Lefèvre, F. (2003). Biossegurança para agentes biológicos na prática assistencial: um estudo em hospitais da região de Itabuna-BA. Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://doi.org/10.11606/T.6.2003.tde-04012021-124956
    • NLM

      Penteado M de S, Lefèvre F. Biossegurança para agentes biológicos na prática assistencial: um estudo em hospitais da região de Itabuna-BA [Internet]. 2003 ;Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2003.tde-04012021-124956
    • Vancouver

      Penteado M de S, Lefèvre F. Biossegurança para agentes biológicos na prática assistencial: um estudo em hospitais da região de Itabuna-BA [Internet]. 2003 ;Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2003.tde-04012021-124956

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