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Estudo comparativo da criptococose em pacientes aparentemente imunocompetentes, com SIDA ou com outras formas de imunodeficiência (2003)

  • Authors:
  • Autor USP: CARVALHO, FELIPE SANTOS DE - FMRP
  • Unidade: FMRP
  • Sigla do Departamento: RCM
  • Subjects: CRIPTOCOCOSE (ESTUDO COMPARATIVO); INFECÇÕES POR HIV
  • Language: Português
  • Abstract: A criptococose é uma micose sistêmica causada pelo fungo Cryptococcus neoformans, que acomete principalmente o Sistema Nervoso Central (SNC), sendo fatal se não tratada. É considerada como uma doença primariamente oportunista, estando atualmente associada à infecção pelo HIV 1 na maioria dos casos, mas também a condições que levam à imunodepressão, tais como o uso de drogas imunossupressoras (por exemplo, em pacientes submetidos a transplante de órgãos), neoplasias subjacentes, colagenoses, cirrose hepática, sarcoidose, entre outras. Todavia, em um percentual menor, é descrita a sua ocorrência em pacientes onde não se encontra nenhum imunocomprometimento. No presente estudo, foram avaliados 223 pacientes com criptococose no Hospital das Clínicas da. Faculdade de Medicina da USP, Ribeirão Preto, retrospectivamente, num período de 20 anos (de 1980 a 2000). A infecção pelo HIV esteve presente em 73,1% (163) dos 223 casos analisados. 78,5 e 21,5% dos casos foram do sexo masculino e feminino, respectivamente. Outras condições predisponentes observadas nos pacientes sem infecção pelo HIV foram transplante renal, diabetes mellitus e neoplasias, entre outras. 13 (5,8%) pacientes não apresentaram fatores predisponentes identificáveis. Em relação à infecção pelo HIV, o tempo médio entre o diagnóstico da infecção pelo HIV e o da criptococose foi de aproximadamente dois anos e 11 meses. Em pouco mais de 50% dos casos relatados, a criptococose foi a primeiramanifestação de uma doença oportunista, definindo SIDA. A média de contagem de linfócitos CD4 (+) foi de 60,7 células/mm³ de sangue. Já a média da carga viral do HIV 1 ficou em tomo de 300 mil cópias virais/ml de plasma. Quarenta e um por cento dos casos apresentaram mais de um sítio de infecção pelo criptococo. 91,0% dos casos tiveram neurocriptococose, 30% acometimento pulmonar, 25,1 % criptococcemia e 8,1% criptococose tegumentar. Febre e cefaléia foram .. os sintomas mais comuns. 63,2% dos pacientes com neurocriptococose apresentavam sinais meníngeos no momento do diagnóstico, ao passo que edema de papi1a foi encontrado na metade dos pacientes em que foi pesquisado. Para esses sinais, não houve diferença estatisticamente significante entre os pacientes com e sem HIV. A associação de cefaléia, febre e vômitos foi mais freqüente nos pacientes com SIDA, assim como confusão mental. Os pacientes infectados pelo HIV tiveram duração da sintomatologia significativamente menor que os pacientes não infectados pelo HIV, apresentando maior acometimento do SNC e criptococcemia. Os pacientes transplantados renais apresentaram mais acometimento cutâneo, com menor proporção de neurocriptococose, enquanto que todos os pacientes com diabetes apresentaram neurocriptococose e o maior percentual de acometimento pulmonar. Os pacientes aparentemente imunocompetentes também cursaram com elevadas proporções de neurocriptococose e doença pulmonar. Dentre ospacientes com criptococose pulmonar, os pacientes sem HIV estiveram mais associados com imagens macronodulares, nas grafias radiológicas de tórax, enquanto os pacientes com HIV apresentaram mais o padrão reticular. A análise liquórica pré-tratamento dos pacientes com neurocriptococose, mostrou celularidade pouco mais aumentada entre os não portadores do HIV, acompanhada nesses pacientes por um maior percentual de polimorfonucleares, com glicorraquia mais diminuída e proteinorraquia mais aumentada que os pacientes portadores de HIV. Em relação ao tratamento 94,6% dos esquemas envolveram anfotericina B convencional. Os pacientes com SIDA que receberam anfotericina B apresentaram a apresentar hipocalemia e insuficiência renal mais tardiamente ao longo o tratamento, que os pacientes sem HIV. Seqüelas auditivas, motoras e visuais foram mais vistas nos pacientes sem HIV, tanto quanto complicações como sepsis, .. edema cerebral e hidrocefalia. Quase quarenta por cento dos pacientes tiveram óbito direta ou indiretamente relacionado com a criptococose, com proporções semelhantes entre os pacientes com e sem HIV. Pacientes com idade superior a 30 anos, celularidade liquórica inicial menor que 20,0 células/mm³ nos casos de neurocriptococose e os que apresentaram positivação das hemoculturas para criptcoco tiveram maior letalidade. A criptococose pode ser considerada como tendo um amplo espectro de formas clínicas. O presente estudo identificoudesde formas assintomáticas, até manifestações graves, com seqüelas, diversas complicações e alta mortalidade. A criptococose se manifestou como doença oportunista em 92,4% dos casos, apresentando diversas diferenças epidemiológicas, clínicas, laboratoriais e evolutivas entre os pacientes infectados e não infectados pelo HIV
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 28.04.2003

  • How to cite
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    • ABNT

      CARVALHO, Felipe Santos de. Estudo comparativo da criptococose em pacientes aparentemente imunocompetentes, com SIDA ou com outras formas de imunodeficiência. 2003. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2003. . Acesso em: 02 fev. 2026.
    • APA

      Carvalho, F. S. de. (2003). Estudo comparativo da criptococose em pacientes aparentemente imunocompetentes, com SIDA ou com outras formas de imunodeficiência (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Carvalho FS de. Estudo comparativo da criptococose em pacientes aparentemente imunocompetentes, com SIDA ou com outras formas de imunodeficiência. 2003 ;[citado 2026 fev. 02 ]
    • Vancouver

      Carvalho FS de. Estudo comparativo da criptococose em pacientes aparentemente imunocompetentes, com SIDA ou com outras formas de imunodeficiência. 2003 ;[citado 2026 fev. 02 ]


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