O jardim sem limites, de Lídia Jorge: uma arqueologia da narrativa (2002)
- Authors:
- Autor USP: ZILLI, THEREZINHA DE LOURDES COELHO - FFLCH
- Unidade: FFLCH
- Sigla do Departamento: FLC
- Subjects: LITERATURA PORTUGUESA; ROMANCE
- Language: Português
- Abstract: Neste trabalho, que tem por objeto a obra O jardim sem limites, de Lídia Jorge, procuramos realizar uma leitura do texto a partir do que se considera o romance pós-moderno e destacar alguns procedimentos responsáveis pela especificidade de seu discurso. Para proceder à análise de uma escrita como experiência dos (i)limites de seu discurso, valemo-nos do arcabouço de sugestões teóricas e críticas das ciências da linguagem que abordam, de modo particular, o intertexto como leitura plural de textos (re)criados por uma rede de relações entre discursos. Assumindo, metodologicamente, a postura do arqueólogo, que (d)escava à procura de vestígios que o levem a recompor o percurso da história de um povo, de uma cultura, procuramos sentido para as peças esfaceladas, difusas, fragmentadas que fazem da obra um verdadeiro caleidoscópio. A análise evidenciou que a obra se caracteriza pela transgressão dos modos de narrar, atingindo os componentes da estrutura do romance tradicional; pela desvalorização da intriga como percurso dotado de lógica interna; pela desagregação das personagens, transformadas em entidades erráticas; pela alteração das perspectivas do narrador; pela subversão do tempo e dissolução do espaço ("jardim sem limites"), pelo apagamento da dicotomia escritura/crítica e, finalmente, pela problematização da completude do sujeito e do discurso. Ao mesmo tempo em que constitui uma narrativa, às avessas, a obra funciona como uma reflexão sobre o processo daescritura, que se configura como um quebra-cabeça cujas peças se (des)encontram desnudando a heterogeneidade de sua constituição, apesar de sua aparente homogeneidade. Assim, a obra de Lídia Jorge pode ser )definida como um conjunto de estilhaços, cenas teatrais, flashes-cinematográficos carnavalizados: em vez de se servir da imagem visual, o texto é urdido unicamente pela palavra, que, em constante movimento, nos faz ver, ouvir, sentir, cheirar e saborear. No intricamento de nós que constitui a narrativa, problematiza-se a perda da aura da obra literária, dessacralizando o mito da criação
- Imprenta:
- Data da defesa: 23.05.2002
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ABNT
ZILLI, Therezinha de Lourdes Coelho. O jardim sem limites, de Lídia Jorge: uma arqueologia da narrativa. 2002. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002. . Acesso em: 24 mar. 2026. -
APA
Zilli, T. de L. C. (2002). O jardim sem limites, de Lídia Jorge: uma arqueologia da narrativa (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. -
NLM
Zilli T de LC. O jardim sem limites, de Lídia Jorge: uma arqueologia da narrativa. 2002 ;[citado 2026 mar. 24 ] -
Vancouver
Zilli T de LC. O jardim sem limites, de Lídia Jorge: uma arqueologia da narrativa. 2002 ;[citado 2026 mar. 24 ]
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