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Padrão de desmatamento e evolução da estrutura da paisagem em Alta Floresta(MT) (2001)

  • Authors:
  • Autor USP: OLIVEIRA FILHO, FRANCISCO JOSÉ BARBOSA DE - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIE
  • Subjects: ECOLOGIA DA PAISAGEM; DESMATAMENTO
  • Language: Português
  • Abstract: A ocorrência de mudanças não-lineares (i.e., limiares) na estrutura de paisagens reais ainda é pouco entendida, apesar destes limiares terem sido precisamente definidos pela teorianda percolação no caso de paisagens simuladas de forma aleatória. Em paisagens reais, a existência e o momento de ocorrência limiares deve variar com o padrão de perda de habitat. Os objetivos deste trabalho são: i) saber se existem diferenças significativas nas mudanças da estrutura da paisagem entre três padrões de desmatamento observados na Amazônia brasileira e um padrão totalmente aleatório. Os padrões estudados na Amazônia são: pequenas propriedades distribuídas regularmente ao longo de estradas (espinha de peixe), pequenas propriedades distribuídas de forma desordenada, e grandes propriedades; ii) testar se existem mudanças bruscas na estrutura da paisagem nesses três padrões; e iii) caso ocorram mudanas diferentes para cada padrão. O estudo foi realizado no norte do estado de Mato Grosso ('56 GRAUS'05'W; '10 GRAUS' 56'S). Usamos oito imagens LANDSAT-TM obtidas a cada dois anos entre 1984 e 1988. Três áreas de 8x8 km, com mais de 90% de mata em 1984 e menos de 30% em 1998, foram selecionadas para cada padrão de desmatamento na Amazônia, e padrões aleatórios de desmatamento foram simulados utilizando-se o programa Rule. As áreas foram classificadas em mata e não-mata, e, a partir desta classificação, foram quantificados seis parâmetros relacionados à fragmentação, isolamento econectividade das matas. Os resultados mostram que os padrões de desmatamento diferem entre si, em particular no grau de isolamento. Todos os padrões de desmatamento apresentaram mudanças não-lineares, porém esses limiares ocorrem menos freqüentemente do que o esperado pela teoria da percolação (paisagens aleatórias), porém de alguns casos o momento de mudança brusca variou em função do padrão de desmatamento. Em particular, mudanças bruscas tendem a ocorer mais cedo (proporções maiores de floresta) no padrão em espinha de peixe. Em termos de implicações para conservação de diversidade biológica, o padrão aleatório é claramente o mais impactante por eliminar rapidamente as áreas de floresta de interior. O padrão de grandes propriedades apresenta a vantagem de manter grandes fragmentos, porém com baixa conectividade em momentos mais avançados do desmatamento. Finalmente, as implicações biológicas do padrão em espinha de peixe variam em função do grau de manutenção e agregação das reservas legais. O desmatamento e a fragmentação das florestas tropicais vêm sendo apontados como os principais fatores que levam à extinção de espécies. Modelos baseados na teoria da percolação e modelos biológicos vêm mostrando que esses processos não são lineares, havendo momentos de mudançcas bruscas na estrutura da paisagem (em particular, um aumento brusco no grau de fragmentação e uma ruptura na continuidade das áreas florestais) e perdasabruptas de espécies ao longo do processo de desmatamento. Este trabalho procura i) testar se ocorrem modificações bruscas nas perdas de grupos funcionais ao longo do desmatamento observados na Amazônia brasileira: pequenas propriedades distribuídas regularmente ao longo de estradas (espinha-de-peixe), pequenas propriedades distribuídas de forma desordenada, e grandes propriedades; ii) saber se as perdas de grupos funcionais de espécies são diferentes nos padrões de desmatamento estudados; iii) testar se a perda de grupos funcionais de espécies está correlacionada às mudanças na estrutura da paisagem, em particular com mudanças bruscas (limiares) de parâmetros especiais de paisagem. O estudo foi realizado no norte do estado de Mato Grosso ('56 GRAUS'05'W; '10 GRAUS' 56' S). A região do município de Alta Floresta (MT) foi escolhida por apresentar altas taxas de desmatamento e padrões distintos de desmatamento. ) Foram usadas oito imagens LANDSAT-TM obtidas a cada dois anos entre 1984 e 1998. Três áreas de 8x8 km, com mais de 90% de mata em 1984 e menos de 30% em 1998, foram selecionadas para cada padrão. As simulações foram geradas no programa Rule. As áreas foram classificadas em mata e não-mata, e, a partir desta classificação, foram quantificados quatro parâmetros relacionados à fragmentaão, isolamento e conectividade das matas. Foram definidos 60 grupos funcionais considerando três parâmetros: a- capacidade de cruzar áreas não-florestadas; b- área mínima demata contínua requerida e; c- capacidade de suportar os efeitos de borda. Para o conjunto dos 60 grupos funcionais, apenas as simulações (SAD) apresentaram um comportamento não-linear de perda de grupos funcionais. Os três padrões reais de desmatamento na Amazônia apresentam perdas semelhantes e lineares de grupos funcionais. Nesses três padrões, perdas bruscas foram observadas apenas quando os grupos foram divididos em função da área mínima de mata requerida. Diferenças na evolução das perdas nos diferentes padrões de desmatamento foram observadas para os grupos que não resistem aos efeitos da borda, para os grupos definidos pela capacidade de deslocamento e para os grupos que necessitam de área de vida de 1000 ha. Nesses casos, paisagens com maior grau de agregação mantém os grupos funcionais por mais tempo. Por outro lado, foi possível observar que os momentos de extinção variam em função das características biológicas dos grupos funcionais. A extinção da maioria dos grupos ocorreu em resposta apenas à diminuição da proporção de mata, enquanto um número reduzido de grupos funcionais mostrou ambém ser sensível ao arranjo espacial das áreas remanescentes de mata. Nesse caso, foi possível evidenciar coincidências nos limiares de extinção das espécies com limiares da paisagem, em particular com o grau de isolamento e o tamanho médio ) dos fragmentos. O estudo de limiares de espécies mais sensíveis à fragmentação pode ser útil para determinaras características mínimas necessárias para uma paisagem manter uma grande riqueza de espécies
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 01.10.2001

  • How to cite
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    • ABNT

      OLIVEIRA FILHO, Francisco José Barbosa de; METZGER, Jean Paul. Padrão de desmatamento e evolução da estrutura da paisagem em Alta Floresta(MT). 2001.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
    • APA

      Oliveira Filho, F. J. B. de, & Metzger, J. P. (2001). Padrão de desmatamento e evolução da estrutura da paisagem em Alta Floresta(MT). Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Oliveira Filho FJB de, Metzger JP. Padrão de desmatamento e evolução da estrutura da paisagem em Alta Floresta(MT). 2001 ;
    • Vancouver

      Oliveira Filho FJB de, Metzger JP. Padrão de desmatamento e evolução da estrutura da paisagem em Alta Floresta(MT). 2001 ;

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