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Tópicos em metodologia formal: a noção de teoria em ciência econômica (2001)

  • Authors:
  • Autor USP: CAIERO, ROQUE DA COSTA - FFLCH
  • Unidade: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FLF
  • Subjects: ECONOMIA (TEORIA;METODOLOGIA); FILOSOFIA DA CIÊNCIA
  • Language: Português
  • Abstract: A dissertação de doutorado aborda aspectos do termo teoria. Examinamos os significados do termo em alguns contextos de uso, e.g., metodológico, investigações em fundamentos. Em certo sentido, adotamos uma atitude pragmática quanto à noção de teoria como um instrumento para investigações em metaciência (ou metodologia formal), que admite, v.g., a coexistência de teorias incompatíveis, o papel dos denominados exemplos paradigmáticos e narrativas de dinâmica, e o conceito de verdade pragmática. Desse modo, a caracterização de variados aspectos associados à noção intuitiva de teoria econômica pode vir a ser utilizada para estudar diferentes questões de natureza metodológica e epistemológica. Uma prototeoria, ou uma teoria, econômica é entendida como um sistema conceitual e uma entidade epistêmica que pode ser pragmaticamente verdadeira; e pode devir objeto de exame lógico, metodológico e epistemológico. Concebemos a ciência econômica como uma forma de empreendimento epistêmico e histórico, no qual o conhecimento assume a forma de prototeorias e teorias. A aceitação deste ponto de vista metateórico associa-se a conseqüências, por exemplo, de ordem metodológica e prática. Todavia, não há necessidade de adotar um compromisso específico e exclusivo com determinada doutrina epistêmica. De fato, a nosso ver, diversos aspectos da noção de teoria (e.g., as caracterizações lógico-matemáticas de teoria, verdade pragmática) apresentadas na atual exposição nãodependem de uma particular doutrina filosófica, por exemplo, certa forma de realismo, ou nominalismo. No primeiro capítulo, introduzimos de modo informal as noções de prototeoria, modelo, concepção semântica de teorias, estrutura e método axiomático com o objetivo de analisar alguns aspectos da noção de teoria e explicitamos nossos propósito e contexto. A seção sobre concepção estrutural (ou semântica) de teoria, conquanto não ofereça uma exposição sistemática de ) vários autores e escolas, expõe o núcleo básico da abordagem estruturalista. Advertimos, pois, que não levamos a cabo uma exposição exegética e tampouco comparativa acerca dos autores da concepção estrutralista, compreendida em amplo sentido (v.g., W. Stegmüller, J. Sneed, P. Suppes, F. Suppe). Com efeito, tentamos proceder empregando algum rigor informal e não cremos que exista qualquer considerável conveniência na tentativa de uma formulação estritamente rigorosa, v.g., a noção de prototeoria. Nesse capítulo, comentamos usos costumeiros da práxis econômica e, assim, indicamos algumas propriedades metodológicas e epistemológicas daquelas noções envolvidas, e.g., prototeoria; e assinalamos a possibilidade de tratar determinadas propriedades por intermédio de recursos lógico-matemáticos, explicitadas algumas condições de contorno. Recordamos que a indagação sobre o conceito de estrutura e método axiomático em ciência empírica encontra-se conectada com o Sexto Problema de Hilbert. O capítulo segundo constitui umadas colunas do desenvolvimento, a introdução do conceito de estrutura matemática. Na primeira seção, escrevemos uma exposição sumária acerca da relação entre o conceito de estrutura e a concepção (ou imagem) bourbakista, pois adotamos aproximadamente a tese que a formulação bourbakista apreende aspectos da noção informal de estrutura. Objetivamos discernir a caracterização formal de estrutura à la N. Bourbaki e os pronunciamentos metodológicos do matemático multicéfalo; e, nesse sentido, distinguir entre sua imagem de matemática (e.g., método axiomático, padrão de rigor) e o uso que reservamos às noções de espécies de estrutura e de estrutura matemática. Novamente, salientamos que estes dois últimos conceitos constituem instrumentos para que possamos estudar aspectos da noção de teoria. Preparamos uma seção de preliminares de caráter lógico-matemático que expõe algumas convenções e noções ) ora utilizadas. Parece importante observar que a tentativa de formulação clara dessas preliminares auxilia a circunscrever os recursos metodológicos que tomamos em mãos. A terceira seção expõe a elaboração detalhada dos conceitos de espécies de estrutura e de estrutura matemática. Empregamos como fonte principal a concepção de N. Bourbaki, contudo existem algumas modificações e o modo de proceder assinala diversos aspectos temáticos de sorte que oferece grande auxílio quando do exame crítico. As seções seguintes encontram-se divididas em partes que correspondem a determinadostópicos cuja presença, acreditamos, venha a ser providencial para facilitar o estudo da caracterização lógico-matemátca das noções de modelo, verdade, método axiomático, teoria. O terceiro capítulo está dedicado à exposição da caracterização lógico-matemática de certos aspectos da noção de teoria por intermédio do conceito teoria de uma espécie de estrutura. Com efeito, elaboramos simultaneamente o conceito adotando dois pontos de vistas: sintático e semântico. Simultaneamente, é-nos permitido analisar algumas características da concepção de método axiomático envolvida, e.g., explicitar o significado da expressão "axiomatizar uma teoria empírica". Sublinhamos que a noção de predicado de Suppes de uma prototeoria empírica pode ser entendida como o conceito de espécies de estrutura de Bourbaki e, todavia, não identificada estritamente com este último. Os modelos para o predicado de Suppes de uma teoria econômica consistem em estruturas matemáticas de uma espécie conveniente. O conceito de teoria de uma espécie de estrutura (ou predicado de Suppes), ou aquele de classe dos modelos de uma teoria, podem devir empregados para investigar a própria concepção intuitiva de teoria empírica, a noção de modelo de uma teoria, o papel do método axiomático e questões metodológicas, por exemplo: esclarecer uma versão para a concepção de ) incomensurabilidade, redução de teorias, extensão por definição. A elaboração explícita possibilita elucidar propriedades lógico-matemáticas,metodológicas e examinar as interpretações epistemológicas relativamente aos conceitos de estrutura e teoria (ou seja, a concepção semântica de teoria adotando um conceito de estrutura). O conceito de teoria de espécie de estrutura consiste em um instrumento de duplo caráter: caracteriza alguns aspectos da noção informal de teoria e, em certo sentido, pode ser utilizado para axiomatizar teoria econômicas. Integram o corpo do terceiro capítulo exemplos de versões axiomáticas de prototeorias econômicas: macroeconomia clássica e macroeconomia hicks-keynesiana. No quarto capítulo, apresentamos uma caracterização para conceito de verdade pragmática (conforme N. da Costa e R. Chuaqui), tal que alguns aspectos da formulação lógico-matemática, da análise conceitual e da motivação em aplicá-lo à ciência econômica devenham explicitadas. A exposição trata também da noção semântica (ou tarskiana) da verdade como correspondência, entretanto restrita e adaptada de acordo com as necessidades do tema central. Com efeito, por um lado, expomos alguns reparos e esclarecimentos a respeito da qualificação da expressão pragmático. E, por outro lado, elaboramos muitas definições auxiliares, e.g., interpretação, valoração, valoração de uma teoria, valoração pragmática, estrutura parcial, estrutura pragmática. Diversas propriedades formais são examinadas e, também, procedemos analisando os conceitos envolvidos; por fim, indicamos algumas questões de ordens metodológica (i.e., lógico-matemática)e epistemológica quanto à formulação do conceito de valoração pragmática. Essas questões envolvem elucidar nossos pressupostos e decisões a respeito dos caminhos alternativos, e.g., elaborar a definição de estrutura normal utilizando o conceito de verdade como correspondência (restrita a ) uma interpretação); ou indagações acerca do conjunto Omega de fórmulas que compõe uma estrutura pragmática. A caracterização de verdade pragmática, segundo a abordagem exposta, por um lado, formula-se a partir da noção de valoração de contexto lógico-matemático e, bem assim, valoração de uma teoria (e.g., fórmula } da teoria); e valoração pragmática; e, por outro, utiliza as noções de estrutura, estrutura pragmática (à la I. Mikenberg, N. da Costa e R. Chuaqui), estrutura normal, e os métodos semânticos à la A. Tarski. Com efeito, empregamos também o conceito de valoração quando expomos de modo aproximadamente tarskiano a caracterização do conceito de verdade como correspondência. Advertimos que não intentamos realizar exegese de doutrinas acerca das concepções sobre verdade. O último capítulo, aborda o conceito de teoria pragmática, correlaciona o terceiro e o quarto capítulos; e, em certo sentido, retoma o conteúdo exposto no primeiro capítulo da dissertação. Essencialmente, reporta-se a alguns aspectos da noção intuitiva de teoria e da caracterização lógico-matemática oferecida. Recordamos que tencionamos tornar o conceito de teoria pragmática (e, implicitamente, teoria deespécie de estrutura) útil para manipular certos temas metodológicos, epistemológicos e, concomitantemente, captar aspectos da noção informal de teoria. A nosso ver, teoria compõe-se da prototeoria associada, espécie de estrutura (ou predicado e Suppes), classe de modelos (estruturas). Introduzimos, conquanto de modo não rigoroso, os conceitos de teoria pragmática, contexto pragmático e, estrutura pragmática de Kripke. Exploramos sobre a inter-relação de modo mais íntimo entre os conceitos de teoria de uma espécie de estrutura e verdade pragmática ou, por exemplo, quando especificamos a relações formais e interpretações metodológicas entre estruturas normais (ou seja, mundos possíveis)pertencentes a uma estrutura pragmática ) de Kripke
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 24.09.2001

  • How to cite
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    • ABNT

      CAIERO, Roque da Costa; COSTA, Newton Carneiro Affonso da. Tópicos em metodologia formal: a noção de teoria em ciência econômica. 2001.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
    • APA

      Caiero, R. da C., & Costa, N. C. A. da. (2001). Tópicos em metodologia formal: a noção de teoria em ciência econômica. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Caiero R da C, Costa NCA da. Tópicos em metodologia formal: a noção de teoria em ciência econômica. 2001 ;
    • Vancouver

      Caiero R da C, Costa NCA da. Tópicos em metodologia formal: a noção de teoria em ciência econômica. 2001 ;

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