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Caracterização cronobiológica do grilo cavernícola Strinatia brevipennis (2000)

  • Authors:
  • Autor USP: HOENEN, SONIA MARIA MARQUES - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIF
  • Subjects: FISIOLOGIA; CRONOBIOLOGIA
  • Language: Português
  • Abstract: Alguns fenômenos biológicos são respostas diretas às variações ambientais, porém outros são manifestações externas da ritmicidade interna, os ritmos biológicos endógenos. Entre os ritmos endógenos são melhor conhecidos aqueles que apresentam períodos próximos a 24 horas, sendo chamados de ritmos circadianos. Estudos cronobiológicos usualmente consideram o ambiente cavernícola como acíclico e, portanto, os organismos que nele habitam como arrítmicos ou com características de regressão da ritmicidade circadiana. Embora essa arritmicidade possa ser verificada em animais exclusivamente cavernícolas, espécies que habitam cavernas, mas que retornam episodicamente ao meio epígeo, mostram uma evidente organização temporal de sua atividade. Muitos grilos da família Phalangopsidae são ativos à noite e passam o dia abrigados. Várias espécies ocupam cavernas, sendo Strinatia brevipennis uma delas, ocorrendo em cavernas da região do Vale do Ribeira. Este estudo teve como objetivo caracterizar cronobiologicamente os padrões de atividade do grilo cavernícola, Strinatia brevipennis, em condições naturais e em laboratório, utilizando observações diretas e abordagens fisiológicas. O estudo consistiu de duas etapas, uma realizada no campo e outra em laboratório. No trabalho de campo foi feita a caracterização ambiental de uma caverna situada na área do Parque Estadual Intervales, com ênfase nas variáveis climáticas. As observações, na caverna, da população selecionadademonstraram que esses grilos são mais ativos durante a noite, embora alguns deles se locomovam também durante o dia. A população apresenta uma migração diária em direção à entrada próximo ao anoitecer, retornando a regiões mais profundas ao amanhecer. A análise dos resultados de 3 dias de observação no campo não detectou a existência de um componente circadiano na atividade locomotora. A análise dos dados de temperatura e umidade relativa demonstrou um ciclo ) diário destas variáveis, porém de pequena amplitude. As observações diretas em laboratório, assim como as filmagens, revelaram que esses animais apresentam um repertório comportamental pouco diversificado. Além disso, o que se pôde constatar é que eles se movimentam muito pouco, tanto com relação à distância percorrida quanto à frequência de movimentação, podendo permanecer horas e até dias no mesmo lugar. Os resultados referentes à atividade locomotora sugeriram a presença de um componente circadiano na ritmicidade endógena, apesar dos padrões não serem evidentes e de várias freqüências terem sido detectadas. Por outro lado, alguns dos registros da atividade de animais testados sob ciclos de claro/escuro não apresentaram periodicidade de 24 h, o que sugere que tais grilos não estariam sendo sincronizados por este ciclo. Os testes de reação à luz indicaram a existência de uma resposta fotofóbica, porém não circadiana. A investigação de processos metabólicos, visando detectar oscilaçõesdiárias, também não ofereceu resultados conclusivos, embora sugira não haver expressões rítmicas circadianas. O padrão observado da distribuição temporal da atividade é diferente daquele usualmente encontrado em animais epígeos. Como não foram executados testes com outras espécies, não é ainda possível afirmar se as diferenças encontradas surgiram em linhagens anteriores à entrada no ambiente subterrâneo ou se estão relacionadas à ocupação do meio epígeo. Além disso, os resultados obtidos permitem especulações sobre a evolução de componentes do sistema circadiano quando a pressão de seleção representada pelos ciclos ambientais de grande amplitude é relaxada. Uma das possibilidades apresentadas aqui é a de que mecanismos como o mascaramento passem a ter uma importância tão grande ou maior do que a própria sincronização do ritmo
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 10.11.2000

  • How to cite
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    • ABNT

      HOENEN, Sonia Maria Marques. Caracterização cronobiológica do grilo cavernícola Strinatia brevipennis. 2000. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000. . Acesso em: 08 abr. 2026.
    • APA

      Hoenen, S. M. M. (2000). Caracterização cronobiológica do grilo cavernícola Strinatia brevipennis (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Hoenen SMM. Caracterização cronobiológica do grilo cavernícola Strinatia brevipennis. 2000 ;[citado 2026 abr. 08 ]
    • Vancouver

      Hoenen SMM. Caracterização cronobiológica do grilo cavernícola Strinatia brevipennis. 2000 ;[citado 2026 abr. 08 ]


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