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Caracterização genética, reprodutiva e pigmentar de uma linhagem selvagem e duas variantes cromáticas de Gracilaria sp. (Gracilariales, Rhodophyta) (2000)

  • Authors:
  • Autor USP: COSTA, VIVIANE LOPES DA - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIB
  • Subjects: RHODOPHYTA; BOTÂNICA
  • Language: Português
  • Abstract: Gracilaria sp. (Gracilariales, Rhodophyta) é uma macroalga marinha de coloração vermelha (vm) comum na costa Nordeste do Brasil, sendo amplamente coletada para a produção de ágar. O objetivo deste estudo foi completar o histórico de vida de espécimes selvagens e variantes cromáticas in vitro. Duas variantes foram isoladas: 1. marrom-esverdeada (me), encontrada em uma população natural da praia de Paracuru, Ceará; e 2. verde (vd), obtida espontaneamente in vitro a partir de um ramo tetrasporofítico. As condições gerais de cultivo foram: meio de cultura Von Stosch 25%, fotoperíodo 14L (luz):10E (escuro), irradiância 100'mü'm.'m POT. -2'.'s POT. -1', aeração a cada 30 min. Tetrasporófitos das três colorações e gametófitos verdes foram cultivados também em 10L:14E. O histórico de vida foi completado "in vitro" em 498 (vm), 523 (me) e 861 (vd) dias, mostrando-se do tipo Polysiphonia. Tetrasporófitos produziram tetrasporos apenas em fotoperíodo 10L:14E. Gametófitos femininos verdes, na presença de gametófitos masculinos, desenvolveram cistocarpos apenas em fotoperíodo 14L:10E. A diferenciação de espermatângios com distribuição do tipo verrucosa em gametófitos masculinos (vd) e consequente liberação de espermácios ocorreu em ambos os fotoperíodos. Gametófitos masculinos vermelhos apresentaram espermatângios do tipo henriquesiana, enquanto gametófitos masculinos marrom-esverdeados apresentaram espermatângios tipo verrucosa ehenriquesiana. Espécimes das três coloraçõesapresentaram hábito semelhante, com um eixo principal de onde partiam ramos de até 2ª ordem. Verificou-se em todos os tetrasporófitos a germinação de tetrásporos "in situ". Independentemente da cor do talo, o carposporófito teve origem a partir de uma célula de fusão basal extremamente ramificada. O cistocarpo apresentou pericarpo interno, ampla região de contato entre o carposporófito e o gametófito, carposporófito preenchendo toda a cavidade do ) cistocarpo e pequeno número de células tubulares nutritivas. O gênero Gracilaria (Gracilariales, Rhodophyta) é um dos mais importantes recursos para a produção de ágar. O objetivo deste trabalho foi estudar a herança de cor de duas variantes cromáticas de Gracilaria sp. A variante marrom-esverdeada (me) foi encontrada na praia de Paracuru, Ceará, em uma população natural em que espécimes selvagens apresentavam coloração vermelha (vm). A variante verde (vd) desenvolveu-se espontaneamente a partir de um ramo de tetrasporófito cultivado "in vitro". Foram realizados cruzamentos com a finalidade de determinar o padrão de herança de cor. Os resultados para a variante marrom-esverdeada podem ser interpretados como herança mendeliana de origem nuclear recessiva, determinada por um par de alelos, sendo o alelo que confere a cor vermelha dominante em relação ao alelo que confere a cor marrom-esverdeada, uma vez que em heterozigose, é expressa a cor vermelha. Quanto à variante verde, os resultados indicam herançacitoplasmática materna. Cruzamentos em que o gametófito feminino era verde, independentemente da cor do gametófito masculino utilizado resultaram em gerações tetrasporofítica e gametofítica subsequentes que expressaram a cor verde. Por outro lado, em cruzamentos onde apenas o gametófito masculino era (vd), a geração tetrasporofítica expressou a cor do gametófito feminino utilizado, e a geração gametofítica subsequente não voltou a expressar a coloração verde. Uma variante cromática marrom-esverdeada (me) de Gracilaria sp. (Gracilariales, Rhodophyta) foi encontrada em uma população natural da praia de Paracuru, Ceará, entre espécimes de coloração vermelha (vm), mais comuns. A variante cromática verde desenvolveu-se espontaneamente "in vitro" a partir de um ramo de tetrasporófito vermelho. A composição pigmentar de gametófitos femininos (vd) e (me) foi comparada com a de (vm). A análise pigmentar ) foi realizada em amostras frescas por meio da maceração dos ápices com nitrogênio líquido e tampão fosfato. Extratos crus foram centrifugados durante 20 min. a 4400 xg para separação da ficobiliproteínas. A clorofila a foi extraída após a dissolução do sedimento em acetona 90%, e centrifugação durante 10 min. a 12000 xg. Os pigmentos foram quantificados espectrofotometricamente. Os valores foram submetidos à análise de variâncias com um fator (ANOVA) e ao teste a posteriori de Newman-Keuls. Variantes (vd) e (me) apresentaram menores concentrações deficoeritrina e maiores concentrações de ficocianina e aloficocianina, quando comparados a espécimens (vm). Estas diferenças foram maiores na variante verde, enquanto na variante (me) a concentração das ficobiliproteínas foi intermediária entre espécimens (vd) e (vm). Variantes verdes, entretanto, apresentaram maior conteúdo de cromóforos de ficobiliproteínas, quando comparados com espécimens (me) e (vm). O conteúdo de cromóforo sem (me) foi intermediário entre espécimens (vd) e (vm), enquanto que em espécimens (vm), este conteúdo foi menor do que em variantes cromáticas. Caracteres reprodutivos relacionados ao tipo de distribuição dos espermatângios e à organização do cistocarpo são considerados de grande valor taxonômico na delimitação de gêneros e espécies na família Gracilariaceae, porém ainda controversos. Este estudo tem como objetivo verificar a variabilidade morfoanatômica intra-específica em Gracilaria sp., que apresenta variantes cromáticas genotípicas marrom-esverdeada (me) e verde (vd), e fenótipo selvagem vermelho (vm). Ramos contendo espermatângios e cistocarpos dos três tipos de fenótipo foram fixados em formol 4%, cortados à mão livre e corados com azul de anilina. Para as estruturas masculinas e porções vegetativas foram realizadas 20 medidas, e para cistocarpos, 10 medidas. Os valores foram submetidos à análise de variância com um ) fator (ANOVA) e ao teste "a posteriori" de Newman-Keuls. O talo vegetativo, a 2 cm do ápice,apresentou duas camadas de células corticais. Espécimens (me) apresentaram estas células com diâmetro maior que as demais em corte transversal ao talo. Quanto às camadas de células medulares, espécimens (vm) apresentaram um menor número, quando comparados aos demais. Não foram verificadas diferenças no diâmetro das maiores células medulares entre as três linhagens, mas apenas (vm) e (me) apresentaram espessamento lenticular na parede destas células. Gametófitos masculinos formaram espermatângios em conceptáculos profundos. Estes se apresentaram distintamente nos três fenótipos: 1. (vm), 100% de criptas fundidas (tipo henriquesiana); 2. (me), 60% de criptas fundiads e 40% de criptas simples (tipo verrucosa); e 3. (vd), apenas criptas simples. Não foram observadas diferenças quanto ao diâmetro dos cistocarpos, porém em (me) estes se apresentaram mais altos, quando comparados aos demais. Espécimens (vd) apresentaram pericarpo de 14-15 camadas de células, enquanto os demais apresentaram 15-17 camadas. Não foram observadas no diâmetro de carposporângios maduros. As células tubulares nutritivas estiveram presentes entre a base do carposporófito e a medula do gametófito, porém sempre mais frequentes em espécimens (vd). Apenas espécimens (vd) e (me) apresentaram estas células entre o carposporófito e o pericarpo, no entanto sempre na região basal do cistocarpo, e pouco comuns em (me). A ocorrência destas células próxiams ao ostíolo foi verificada apenas em umcistocarpo de variante (vd). Os resultados obtidos demonstram a instabilidade de caracteres utilizados na distinção entre os gêneros Gracilaria e Hydropuntia, e permitem contestar a validade deste último táxon
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 10.10.2000

  • How to cite
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    • ABNT

      COSTA, Viviane Lopes da. Caracterização genética, reprodutiva e pigmentar de uma linhagem selvagem e duas variantes cromáticas de Gracilaria sp. (Gracilariales, Rhodophyta). 2000. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000. . Acesso em: 11 fev. 2026.
    • APA

      Costa, V. L. da. (2000). Caracterização genética, reprodutiva e pigmentar de uma linhagem selvagem e duas variantes cromáticas de Gracilaria sp. (Gracilariales, Rhodophyta) (Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Costa VL da. Caracterização genética, reprodutiva e pigmentar de uma linhagem selvagem e duas variantes cromáticas de Gracilaria sp. (Gracilariales, Rhodophyta). 2000 ;[citado 2026 fev. 11 ]
    • Vancouver

      Costa VL da. Caracterização genética, reprodutiva e pigmentar de uma linhagem selvagem e duas variantes cromáticas de Gracilaria sp. (Gracilariales, Rhodophyta). 2000 ;[citado 2026 fev. 11 ]


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