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Estudo dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento de tolerância ao efeito antinociceptivo do veneno de serpentes Crotalus durissus terrificus (2000)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: BRIGATTE, PATRÍCIA - FMVZ
  • Unidades: FMVZ
  • Sigla do Departamento: VPT
  • Subjects: VENENOS DE ORIGEM ANIMAL; FARMACOGNOSIA; TOLERÂNCIA
  • Language: Português
  • Abstract: O veneno de serpentes Crotalus durissus terrificus induz antinocicepção central e periférica, mediada por receptores opióides. Substâncias com atividade opióide podem acarretar o desenvolvimento de tolerância e dependência física. Neste trabalho,investigou-se a tolerância ao efeito antinociceptivo do veneno crotálico, caracterizando-se, pelo menos em parte, os mecanismos envolvidos neste fenômeno. Para avaliação da sensibilidade dolorosa, foi utilizado o teste da placa quente aplicadoem camundongos. O veneno foi administrado pela via oral, diariamente, durante 14 dias. A sensibilidade dolorosa foi avaliada antes do início dos tratamentos e 2 horas após a administração do veneno, no 1º, 7º e 14º dias do tratamento. O veneno,na dose de 200 mg/kg, induziu tolerância ao efeito antinociceptivo do mesmo. Este fenômeno não foi observado quando o veneno foi administrado em doses crescentes (200, 250, 300 e 400mg/kg). O tratamento prolongado com o veneno não interferiu coma evolução ponderal dos animais e não acarretou alterações histopatológicas dos diversos órgãos avaliados (cérebro, fígado, baço, pulmões e rins). A atividade geral e motora dos camundongos permaneceram inalteradas após este tratamento. Ainda, aadministração prolongada do veneno não induziu a síntese de anticorpos anti-veneno crotálico. Animais tornados tolerantes ao efeito antinociceptivo do veneno, apresentaram aumento do tempo de sono induzido pelo pentobarbital sódico. Contudo,aatividade da enzima microssomal hepática citocromo P450, nestes camundongos, não foi alterada. Estes dados indicam que o fenômeno de tolerância não é conseqüência do efeito do veneno sobre as enzimas metabolizadoras hepáticas. Para avaliação dodesenvolvimento de tolerância cruzada, os camundongos receberam, no 14º dia do tratamento com o veneno, morfina ou DAMGO, agonistas de receptor opióide mu ou U-TRANS, agonista de receptor kappa, por via subcutânea. Neste, ) caso, apenas os agonistas de receptor mu foram capazes de induzir antinocicepção, indicando a presença de tolerância cruzada entre o veneno crotálico e o agonista kappa. Experimentos adicionais mostraram que, no modelo da placaquente, o efeito antinociceptivo induzido por uma única dose de veneno (200 mg/kg) é mediado por receptores kappa. A ausência de tolerância cruzada com agonistas g foi confirmada nos experimentos em que animais tomados tolerantes ao efeitoanalgésico da morfina, administrada na dose de 30 mg/kg, durante 8 dias, duas vezes ao dia, por via subcutânea, não apresentaram o desenvolvimento de tolerância cruzada com o veneno. O fenômeno de tolerância ao efeito antinociceptivo do venenojá é observado no 9º dia do tratamento e não é mais detectado após 7 dias da suspensão da administração do mesmo. Estudos anteriores demostraram que o efeito antinociceptivo do veneno é observado por um período de cinco dias após a administraçãode uma única dose do mesmo. O tratamento dos camundongoscom o veneno, a cada cinco dias, não acarretou o desenvolvimento de tolerância. Ainda, o tratamento prolongado com doses constantes do veneno crotálico não promoveu sinais e sintomas dasíndrome de abstinência. Em conjunto, estes dados indicam que o tratamento prolongado com doses constantes do veneno de Crotalus durissus terrificus induz tolerância ao efeito antinociceptivo do mesmo, mas não síndrome de abstinência. Os dadossugerem, ainda, que mecanismos farmacodinâmicos estão envolvidos na gênese deste fenômeno
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 05.05.2000

  • How to cite
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    • ABNT

      BRIGATTE, Patricia; CURY, Yara. Estudo dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento de tolerância ao efeito antinociceptivo do veneno de serpentes Crotalus durissus terrificus. 2000.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.
    • APA

      Brigatte, P., & Cury, Y. (2000). Estudo dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento de tolerância ao efeito antinociceptivo do veneno de serpentes Crotalus durissus terrificus. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Brigatte P, Cury Y. Estudo dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento de tolerância ao efeito antinociceptivo do veneno de serpentes Crotalus durissus terrificus. 2000 ;
    • Vancouver

      Brigatte P, Cury Y. Estudo dos mecanismos envolvidos no desenvolvimento de tolerância ao efeito antinociceptivo do veneno de serpentes Crotalus durissus terrificus. 2000 ;


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