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O português brasileiro: uma língua voltada para o discurso (1999)

  • Autor:
  • Autor USP: NEGRAO, ESMERALDA VAILATI - FFLCH
  • Unidade: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FLL
  • Subjects: PORTUGUÊS DO BRASIL; LINGUÍSTICA APLICADA
  • Language: Português
  • Abstract: Este trabalho tem por objetivo apresentar evidências em favor da tese de que o Português do Brasil (PB) é uma língua que pode ser tipologicamente caracterizada como língua voltada para o discurso. Por língua voltada para o discurso entende-se umalíngua que privilegia na constituição de suas sentenças marcar a função informacional de seus constituintes, ou seja, funções como tópico do discurso ou foco, ou ainda, o escopo de sintagmas quantificados, em detrimento de correlacionar posiçõessintáticas à realização das relações temáticas de predicadores. Ela adota a proposta de Huang (1984) de que, nas línguas orientadas para o discurso, a estrutura sentencial sujeito-predicado não é a básica, ou seja, a relação de predicação unindoos dois constituintes formadores de uma sentença não se dá necessariamente entre o sintagma nominal funcionando como sujeito e o sintagma verbal funcionando como predicado (relação essa marcada pela concordância dos traços dos doisconstituintes), sendo todas as outras possibilidades de estrutura sentencial dela derivadas, mas dá-se também entre um constituinte ocupando uma posição fora da sentença, e toda a sentença. A possibilidade de formação de perguntas a partir deconstituintes contidos em orações relativas e a impossibilidade da interpretação de escopo invertido de certas sentenças foram algumas das evidências empíricas apresentadas para a sustentação dessas outras possibilidades de estruturaçãosentencial.Essa estruturação também explica a especialização na distribuição e na interpretação de categorias vazias e de pronomes plenos nessa língua. Nesse sentido, ela se contrapõe às propostas defendidas por estudos sobre o portuguêsbrasileiro que defendem que mudanças em curso na morfologia verbal dessa língua vão resultar na impossibilidade de categorias vazias ocuparem a posição de sujeito de suas sentencás e que, portanto, o PB deixará de ser uma língua integrante doParâmetro do Sujeito Nulo. Resultados aqui apresentados de estudo empírico realizado sobre a fala de crianças da escola pública mostram que as estratégias de interpretação das categorias pronominais do PB são as mesmas, tanto com um sistemacom marcas flexionais distinguindo as pessoas do discurso, quanto com um sistema em que a única marca flexional é a de 3ps. A conclusão é que pobreza de flexão não está diretamente correlacionada a desaparecimento de categorias vazias, ou arealização de pronomes plenos. Portanto, as carcaterísticas observadas na gramática do português brasileiro não podem ser explicadas pelo enfraquecimento de seu sistema flexional. Mas, ao contrário, as propriedades que fazem do PB uma línguavoltada para o discurso esvaziaram a função que o sistema de marcas flexionais tem nas línguas voltadas para o sujeito
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 01.07.1999

  • How to cite
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    • ABNT

      NEGRÃO, Esmeralda Vailati. O português brasileiro: uma língua voltada para o discurso. 1999.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.
    • APA

      Negrão, E. V. (1999). O português brasileiro: uma língua voltada para o discurso. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Negrão EV. O português brasileiro: uma língua voltada para o discurso. 1999 ;
    • Vancouver

      Negrão EV. O português brasileiro: uma língua voltada para o discurso. 1999 ;


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