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Ecologia comportamental de Nephilengys cruentata (Araneae, Tetragnathidae): uso do espaço (1999)

  • Authors:
  • Autor USP: PAIM, CYNTHIA SCHUCK - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIE
  • Assunto: ECOLOGIA
  • Language: Português
  • Abstract: O comportamento agressivo é uma forma através da qual a competição por recursos limitados é, em última instância, definida. No presente estudo nós investigamos a influência de assimetrias (1) no tamanho corpóreo e (2) no status de residência nadeterminação de conflitos naturais por teias entre fêmeas juvenis de Nephilengys cruentata. Em uma etapa subsequente nós verificamos se as fêmeas utilizaram estratégias para a avaliação do tamanho relativo de suas oponentes durante as disputas.Para tal, observamos conflitos (n=78 lutas) entre fêmeas juvenis mantidas em 5 terrários. Nossos resultados mostraram que a assimetria de tamanho entre as oponentes influenciou significativamente o resultado da disputa. Quanto maior uma aranhaem relação à oponente maior sua probabilidade de vitória. No entanto, à medida que a diferença de tamanho se tornou menor pronunciada, o status de residência prevaleceu na determinação do resultado das lutas. Postula-se que a obtenção decorrelações negativas entre a assimetria de tamanho entre os oponentes e o custo/duração dos conflitos indique a ocorrência de avaliação de tamanho entre oponentes durante interações agonísticas. Não obtivemos tais correlações no presenteestudo. No entanto, uma análise detalhada do repertório comportamental utilizado durante as lutas evidenciou diferenças nas estratégias utilizadas em função da assimetria de tamanho entre as fêmeas. Neste sentido, embora as previsões dos modelosde avaliação não tenham sidosatisfeitas, tais resultados indicam que fêmeas de N. cruentata avaliam a habilidade competitiva de suas oponentes previamente à tomada de decisões táticas durante as lutas. No presente estudo investigamos ummecanismo subjacente à avaliação de tamanho durante conflitos territoriais entre fêmeas juvenis da aranha orbitela Nephingelys cruentata. Diversos estudos demonstram que, no caso das aranhas orbitelas, alguns parâmetros da teia ) (e.g. tamanho da malha) variam alometricamente com o tamanho da construtora da teia. Assim, seria teoricamente possível à uma aranha invasora adquirir informação sobre o tamanho da residente a partir de tais parâmetros durante ainvasão de uma teia. Aqui nós testamos a hipótese formulada acima. O delineamento experimental baseou-se na manipulação de parâmetros das teias previamente à realização das disputas, de forma a permitir a comparação do comportamento de luta dasaranhas invasoras nos ditintos tratamentos. Os resultados foram consistentes com a hipótese exposta. A geometria da teia serviu como pista para a avaliação de tamanho, tendo influenciado as estratégias comportamentais utilizadas pelas aranhasintrusas. Três são as principais implicações dos resultados: (1) estudos teóricos prevêem que sempre que as disputas possam ser definidas de acordo com assimetrias na habilidade de luta entre os oponentes, a seleção natural irá favorecer o'exagero' das pistas utilizadas para avaliar tais assimetrias. No entanto, aalometria da teia é necessariamente um sinal honesto, um produto secundário do comportamento de construção da teia que fornece uma previsão probabilística sobre otamanho da residente. O 'blefe' pelas residentes é portanto impedido; (2) estes resultados contradizem a sugestão recente de que, apesar da pressão seletiva para a evolução da avaliação, restrições cognitivas nas aranhas dificultariam talevolução e (3) eles sugerem que entre aranhas orbitelas as variações comportamentais no início das disputas são medidas por informação de baixo custo ao invés de informação adquirida através de longas e custosas seqüências táticas. A ocorrênciado fenômeno, i.e. a habilidade de um organismo discriminar as suas próprias pistas daquelas de coespecíficos, é amplamente pressuposta entre aranhas construtoras de teia. Por exemplo, subjacente à todos os estudos sobre conflitos territoriais ) entre aranhas que analisaram disputas induzidas reside o pressuposto de que a aranha invasora é capaz de distinguir a teia na qual está sendo introduzida de sua própria teia já no início da invasão. Caso este pressuposto não sejaválido, tais disputas seriam melhor representadas como interações do tipo 'residente versus residente'. Aqui nós investigamos se fêmeas de Nephilengys cruentata são capazes de distinguir entre suas teias e aquelas de coespecíficos comparando seucomportamento quando estas foram introduzidas (1) na teia desocupada de um coespecífico e (2) em sua própria teia.Nossos resultados mostraram que N. cruentata reconhece sua teia, dando suporte ao pressuposto de auto-reconhecimento entrearanhas. As fêmeas passaram um maior tempo tateando a teia do coespecífico e evitaram entrar no seu refúgio, principalmente as menores fêmeas. Para analisar a influência de propriedades da seda no reconhecimento da teia nós investigamos, em umsegundo experimento, se as fêmeas reconheciam seus fios de seda. Utilizando um delineamento que oferecia duas opções às aranhas, registramos se as fêmeas deslocavam-se para (1) seus próprios fios guia ou (2) fios guia de coespecíficos. Nãodetectamos nenhuma preferência, o que indica que a própria estrutura física da teia possa ter influenciado o reconhecimento da teia. Por fim, o fato de que algumas das respostas das fêmeas foram condicionadas ao tamanho corpóreo das fêmeas, estáde acordo com a sugestão de que as respostas àqueles sinais que advertem sobre potenciais custos de uma luta devem ser condicionais e dependentes da habilidade de luta do receptor. Se o processo de seleção de habitat impõe um custo, deveríamosesperar que aqueles indivíduos aptos para avaliar a qualidade de um habitat previamente ao estabelecimento deveriam ser favorecidos em relação aqueles utilizando estratégias do tipo 'tentativa e erro'. Postula-se que uma pista da qualidade ) do habitat é a presença de coespecíficos: quanto maior a densidade de coespecíficos maior a probabilidade de que o local seja de boaqualidade. Aqui investigamos os mecanismos responsáveis pelo fenômeno de atração entrecoespecíficos em Nephilengys cruentata. A distribuição espacial de fêmeas desta espécie em condições naturais pode ser altamente agregada. Nesta condição, observa-se que muitas aranhas fixam os fios suporte de suas teias aos fios de suporte deteias de coespecíficos, indicando que a agregação possa ser decorrente da melhoria nas características estruturais do ambiente proporcionada pela presença de fios de coespecíficos, facilitando a construção da teia. Uma segunda hipótese é a deque a presença de coespecíficos indique a boa qualidade do habitat. Tais hipóteses foram testadas introduzindo-se fêmeas em caixas abertas e individuais contendo: (T1) fios de linha fixo às suas paredes, aumentando o número de suportes para aconstrução das teias, (T2) finos e pequenos fragmentos de teias presos às suas paredes, indicando a presença de coespecíficos e (T3) caixas vazias (controle). As fêmeas foram significativamente mais propensas a construir suas teias nas caixascontendo fragmentos de teias (T2) e os fragmentos não foram utilizados para a construção da teia. Tais resultados sugerem que (1) a decisão sobre o local de estabelecimento não é randômica, (2) a existência prévia de coespecíficos em um dadolocal pode atuar como preditora da qualidade de um habitat e (3) que mesmo espécies territoriais e agressivas podem beneficiar-se da presença de indivíduos que competem pelos mesmosrecursos. No presente estudo nós investigamos as respostascomportamentais de fêmeas de Nephilengys cruentata à variação na disponibilidade de presas no ambiente. Duas foram as respostas específicas mensuradas; (a) tenacidade ao local de estabelecimento e (b) variação no tamanho (área) da teia.Comparamos tais ) respostas, em condições naturais, em (1) duas populações nas quais a disponibilidade de presas foi experimentalmente reduzida (tratamento) e (2) duas populações nas quais a disponibilidade de presas não foi manipulada (controle).Nossos resultados mostraram que a probabilidade de uma aranha abandonar a população foi maior nas populações tratamento, sugerindo portanto que os custos de abandono do local de estabelecimento são menores do que os custos associados àpermanência em um local pobre em presas. Adicionalmente, as fêmeas construíram teias com áreas de captura relativamente maiores durante o período em que a disponibilidade de presas foi reduzida, indicando que as fêmeas investem mais emforrageamento quando em estado de fome. De forma mais generalizada, nossos resultados sugerem que fêmeas de N. cruentata são capazes de responder de forma flexível à variações na disponibilidade de presas através do ajuste de suas estratégias deforrageamento
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 26.02.1999

  • How to cite
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    • ABNT

      PAIM, Cynthia Schuck; SANTOS FILHO, Pérsio de Souza. Ecologia comportamental de Nephilengys cruentata (Araneae, Tetragnathidae): uso do espaço. 1999.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.
    • APA

      Paim, C. S., & Santos Filho, P. de S. (1999). Ecologia comportamental de Nephilengys cruentata (Araneae, Tetragnathidae): uso do espaço. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Paim CS, Santos Filho P de S. Ecologia comportamental de Nephilengys cruentata (Araneae, Tetragnathidae): uso do espaço. 1999 ;
    • Vancouver

      Paim CS, Santos Filho P de S. Ecologia comportamental de Nephilengys cruentata (Araneae, Tetragnathidae): uso do espaço. 1999 ;


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