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Investimento direto Japonês na década de 80: uma análise dos seus determinantes no Brasil e no mundo (1998)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: TONOOKA, EDUARDO KIYOSHI - FEA
  • Unidades: FEA
  • Sigla do Departamento: EAE
  • Subjects: INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS
  • Language: Português
  • Abstract: O relatório anual sobre a situaçào do investimento direto no mundo publicado pela Organização das Nações Unidas, através da UNCTAD, em 1997, revela que os fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) vêm apresentando um desempenho apreciávelnesta década - passando de USdireto mundial vem se tornando extremamente favorável na medida em que têm aumentado os fluxos direcionados ao país, os quais passaram de pouco mais de USempresas japonesas no país e corroboram pesquisa realizada pelo Eximbank japonês que apresenta o Brasil como nona melhor opção de investimento no médio prazo (horizonte de três anos) e sétima, nolongo prazo (horizonte de dez anos). A apresentação dessas estatísticas tem a simples intenção de ilustrar o crescente papel assumido pelo investimento direto nos planos doméstico e internacional em período recente. O maior passo neste sentidoestá sendo dado no âmbito da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE) que, desde 1995, vem discutindo a formulação de um acordo multilateral de investimentos com o objetivo de definir regras comuns relativas ao fluxo deinvestimentos entre os países-membros (impostos, regulamentação setorial, remessas de lucros, dentre outros temas). O Brasil não é membro pleno da OCDE, mas participa de alguns comitês e acompanha a elaboração deste acordo na condição de ) observador. A expectativa é que esta iniciativa leva à formação de um organismo multilateral de investimentos nos moldes da Organização Mundial de Comércio, entidada que regula as atividades referentes ao comércio internacional debens e serviços em nível mundial. A propósito, a existência de um antagonismo entre comércio e investimento é uma questão superada. Os modelos teóricos de economia internacional que demonstravam que o movimento de fatores (como o capital) erasubstituto ao movimento de bens deram lugar aos modelos que enfatizam sua complementaridade.Assim, o investimento externo passou a ser um dos fatores a explicar a ocorrência de comércio intra-setorial e intrafirma que, em última instância, é oresultado das características técnicas de produção (economias de escala e de escopo) e da utilização em escala global de bens intermediários (tecnologia, marcas e capacidade gerencial) desenvolvidos pelas empresas. Em seu relatório sobreinvestimentos mundiais de 1996, a UNCTAD destacou como tema principal exatamente as inter-relações entre comércio e investimento e o seu potencial para o crescimento econômico das nações, especialmente, dos países em desenvolvimento. Uma dasconclusões do relatório foi levantar como questão relevante a compreensão de quais são so fatores que guiam a decisão locacional de uma firma. A decisão de onde produzir é a decisão de onde investir e de a partir de onde comercializar. O Brasilfoi, até princípios dos anos 80, um dos mais importantes recebedores do investimento externo japonês. Na segunda metade da década de 50, durante a vigência do Plano de Metas, um grande número de empreendimentos foi realizado nos setores têxtil,alimentício, siderúrgico, de construção naval e de máquinas e equipamentos. A partir de meados da década de 60, o encarecimento da mão-de-obra local fez com que muitas pequenas e médias firmas japonesas ligadas às indústrias leves se ) estabelecessem no Brasil. A crescente dependência de recursos naturais provenientes do exterior, por sua vez, ocasionou aentrada de grandes empresas, com apoio financeiro do governo japonês, nos setores extrativo-mineral,siderúrgico e petroquímico através da formação de joint-ventures com empresas estatais brasileiras. Neste sentido, a experiência histórica japonesa de desenvolvimento econômico sustentado pelo Estado facilitou a realização destes projetos,fazendo dos anos 70 o período de auge das relações econômicas nipo-brasileiras. Esse relacionamento de complementaridade entrou em colapso nos anos 80. Para o Japão, a redução dos preços das principais commodities internacionais diminuiu aimportância estratégica dos investimentos no setor extrativo-mineral. O aprofundamento dos desequilíbrios comerciais com os Estados Unidos e países da Comunidade Européia (atual União Européia) ampliou os contenciosos com estas nações,resultando em uma rápida e significativa apreciação da moeda japonesa a partir da segunda metade da década (fenômeno que ficou conhecido como "endaka"). A valorização do iene praticamente obrigou as empresas japonesas a acelerarem seu processode internacionalização através do estabelecimento de unidades produtivas nos principais centros consumidores, como forma de contornar as restrições à venda de produtos "made in Japan", bem como nos países do Sudeste Asiático, como meio de fugirdos altos custos da mão-de-obra e das propriedades no Japão. Dados o novo cenário mundial e a mudança na natureza dos investimentos japoneses no exterior, os problemas econômicosenfrentados pelo Brasil na década de 80 serviram apenas paraaprofundar o desinteresse relativo dos japoneses pelo país. Desta maneira, a década de 80 assistiu a um profundo processo de transformação da economia do Japão, primeiro devido aos impactos da segunda "crise" do petróleo sobre sua estruturaindustrial e, ) depois, em decorrência do seu sucesso na superação desta crise, à expressiva valorização do iene frente ao dólar a partir de 1985. Este processo também desencadeou mudanças no caráter e na natureza do IDE japonês, tornando obsoletasou incompletas as análises até então existentes sobre seus determinantes. A visão dominante sobre o processo do IDE japonês, baseada no aproveitamento da tecnologia e da capacidade gerencial japonesas em países com menor nível de desenvolvimentoindustrial, foi adequada para explicar a maior parte do investimento japonês ao exterior, inclusive ao Brasil, até o final dos anos 70. O novo cenário econômico vivenciado pelo Japão na década de 80, no entanto, passou a exigir o desenvolvimentode novas explicações para a dinâmica do IDE japonês. Assim, o primeiro objetivo da pesquisa é desenvolver uma análise teórica sobre os determinantes do IDE japonês nos anos 80 a partir das seguintes abordagens, consideradas as mais apropriadas:dos "custos de transação" (Hennart, Rugman, Buckley, Casson, Dunning), da "nova economia internacional" (Krugman, Helpman, Markusen, Horstmann, Ethier) e "quid pro quo" (Bhagwati, Dinopoulos, Wong),juntamente com as abordagens predominantes atéa década anterior: "macroeconômica" (Kojima, Ozawa) e do "poder de mercado" (Hymer, kindleberger, Vernon, Knickerbocker, Caves). A partir da avaliação das contribuições teóricas para a compreensão do IDE japonês e de trabalhos empíricos sobre osdeterminantes do IDE japonês no mundo, o segundo objetivo da pesquisa é explicar o padrão do IDE japonês no Brasil nos anos 80 no setor manufatureiro a partir da análise de dados globais e setoriais e da identificaçào de seus principaisdeterminantes através de um modelo econométrico. Este modelo apresenta como principal característica a incorporação de variáveis que influenciam o processo de decisão do investimento japon6es no país no nível das firmas, ou seja, ) os principais dados que alimentam o modelo concernem às firmas japonesas que investem no país, os quais são complementados com dados referentes aos seus setores de atividade. A literatura sobre o IDE japonês é extensa, tanto doponto de vista teórico quanto empírico. De um modo geral, podem ser classificados em dois grandes grupos; material destinado a analisar o IDE japonês em termos regionais e setoriais e que, portanto, costumam apresentar resultados genéricos quenão necessariamente se aplicam a países específicos dentro de uma mesma região (Sudeste Asiático, União Européia); e material que avalia a questão do IDE japonês em um determinado país, concentrado, basicamente, nas relaçòes entre Japão epaísesdesenvolvidos ou asiáticos. Já a literatura sobre as relações econômicas entre Japão e América Latina ou Japão e Brasil é bastante escassa, seja em língua inglesa, japonesa, espanhola ou portuguesa. Dentro desse material, estudos sobre o IDEjaponês são praticamente inexistentes. Considerando que os estudos que tratam do IDE japon6es são, ou excessivamente abrangentes de modo que não trazem nenhuma conclusão nova à questão, ou excessivamente específicos, que tornam suas conclusõesde pouca utilidade para compreender o fenômeno no caso brasileiro, e, ainda, que não existem trabalhos desenvolvidos no Brasil com profundidade analítica e fundamentação teórica necessárias, esperamos que essa pesquisa possa se constituir em umareferência importante para a questão e uma contribuição para estudos futuros relacionados ao tema. Uma das grandes limitações da maioria dos artigos que tratam da questão do IDE é trabalhar com dados em nível setorial. Desta forma, não se faz adistinção, fundamental ao nosso ver, entre as empresas que investem no exterior, ou que investem muito no exterior, e as empresas que não investem, ou investem pouco. Em um mesmo setor de atividade existem as empresas que investem ) e as que não investem no exterior. As empresas são o agente do IDE e, portanto, seus determinantes devem ser encontrados também dentro das empresas, ou seja, é necessário identificar também quais são os requisitos que uma firma devepreencher apra se tornar apta aexpandir suas atividades para o exterior. Neste sentido, consideramos que análises setoriais são incompletas para a compreensão do fenômeno do IDE e, por esta razão, em que pese a maior dificuldade de obtenção dedados, optamos por desenvolver uma pesquisa empírica que envolvesse informações desagregadas por empresas que investem no Brasil. A análise de regressão múltipla foi escolhida como o instrumento mais conveniente para desenvolver a parte empíricado trabalho uam vez que possibilita uma análise quantitativa da importância relativa de cada um dos possíveis determinantes do IDE. Esses determinantes comporiam o conjunto de variáveis explicativas do IDE japonês no Brasil, representando um oumais enfoques teóricos. O trabalho está estruturado com o seguintes capítulos: 1 - Investimento direto estrangeiro: dos fundamentos conceituais às estatísticas, com o objetivo básico de apresentar as principais definições de IDE, segundo osdiversos organismos multilaterais e países, e levantar as diferenças entre as estatísticas de investimento direto existentes, especialmente, entre as estatísticas de Japão e Brasil. 2 - Considerações teóricas acerca do investimento diretoestrangeiro, destinado a discutir as principais linhas de pesquisa sobre os determinantes do IDE, comparando-se e avaliando sua aplicabilidade para o caso do IDE japonês no período sob investigação. 3 - Investimento direto estrangeiro: evoluçãoglobal, regional e setorial na década de 80, apresentando eanalisando, em linhas gerais, dados relativos ao IDE em nível mundial para mostrar suas dimensões, mudanças de comportamento e importância, com ênfase nos Estados Unidos, ) Japão e Comunidade (União) Européia, os quais monopolizaram as atenções e os fluxos no período, seja na condição de investidores ou de recebedores de investimento direto. 4 - Investimento direto japonês: evolução global, regional esetorial, no qual são apresentados a evolução do IDE japonês no pós-guerra, principalmente, durante a década de 80, e os principais trabalhos empíricos sobre os determinantes do IDE japonês, cujas abordagens, metodologias e resultados sãoaproveitados na construção do modelo para o investimento direto japonês no Brasil. 5 - Investimento direto japonês no Brasil, que expõe as principais fases do IDE japonês no Brasil e dados que identificam sua importância relativa no total de IDEdirecionado ao país. O modelo econométrico e seus resultados são apresentados nesta parte do trabalho. 6 - Conclusões e considerações finais
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 15.05.1998

  • How to cite
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    • ABNT

      TONOOKA, Eduardo Kiyoshi; RATTNER, Henrique. Investimento direto Japonês na década de 80: uma análise dos seus determinantes no Brasil e no mundo. 1998.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
    • APA

      Tonooka, E. K., & Rattner, H. (1998). Investimento direto Japonês na década de 80: uma análise dos seus determinantes no Brasil e no mundo. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Tonooka EK, Rattner H. Investimento direto Japonês na década de 80: uma análise dos seus determinantes no Brasil e no mundo. 1998 ;
    • Vancouver

      Tonooka EK, Rattner H. Investimento direto Japonês na década de 80: uma análise dos seus determinantes no Brasil e no mundo. 1998 ;