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Caracterização ecológica das comunidades bentônicas da região entre-marés no costão da praia do Itaguá, Ubatuba, São Paulo (1998)

  • Authors:
  • Autor USP: COIMBRA, CÍNTIA SCHULTZ - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIB
  • Assunto: BOTÂNICA
  • Language: Português
  • Abstract: espaço temporal de uma comunidade de costão rochoso da Praia de Tatuíra, São Sebastião, São Paulo, determinando também os índices de diversidade e dominância. Alguns autores como Oliveira Filho (1987), Rosso(1987) apontaram para questão da falta de uma metodologia comum nos trabalhos de campo dificultando a comparação entre os resultados. No que tange esta questão, pode-se destacar a importância de alguns trabalhos de enfoque eminentemente metodológico, no sentido de priorizar a discussão dos resultados de diferentes metodologias. Rosso (1990), por exemplo, realizou um trabalho nas proximidades da Baia de Santos, Estado de São Paulo, detalhando os processos e escolhas que envolvem um estudo descritivo, desde as técnicas de amostragem, tipos de descritor, até análise dos dados. Accioly (1992), em um estudo na Praia de Pedra do Xaréu, Estado de Pernambuco, também se ateve ao aspecto metológico enfocando principalmente questões de dimensionamento amostra! e a zonação de comunidade bentônicas. Osse (1995) estudou a distribuição espaço temporal de comunidade, na Ponta da Fortaleza, Ubatuba, São Paulo, discutindo dentre outros aspectos, a variação temporal e aplicabilidade de diferentes índices de diversidade e dominância. Este estudo buscou contemplar tanto o aspecto metodológico, através d a adaptação de técnicas de amostragem para costões compostos de matações de diferentes tamanhos, bem como o aspecto descritivo, a fim de reconhecer os padrõesde repartição espaçõ temporais de comunidades sujeitas a diferentes graus de hidrodinamismo. Juntamente com outros estudos em andamento na área compõe um conjunto de pesquisas que visa o conhecimento integradc do ecossistema relacionando aos organismos bentônicos do costão sul da Praia do Itaguá. A escolha deste costão deve-se á riqueza de espécies lá encontrada, muitas destas de importância econômica e apresentando expressivos valores de biomassa e, por outro lado, sendo sujeita a impacto antrópico principalmente de origem orgânica (Tommasi, 1987). Além disto, é uma região que já vem sendo estudada sobre o enfoque populacional, em trabalhos de ecologia manejo e cultivo, apresentando facilidades de infra-estrutura de trabalho pela localização nas aproximidades da Base do Instituto de Pesca de UbatubaCostões rochosos são formações costeiras que caracterizam-se por afloramentos cristalinos que penetram no mar. Sob estas condições, forma-se um gradiente ambiental de transição entre o meio terrestre e o marinho )Lewis, 1964). Ao longo deste gradiente, ocorre a interposição de diferentes comunidades (Chapman, 1979) cujos organismos componentes são relativamente bem estudados no Brasil sob o ponto de vista taxonômico, embora as relações existentes entre estes com o ambiente sejam ainda pouco conhecidas. Os costões rochosos são, em geral, vistos como ambientes ideaispara estudos ecológicos, sejam pelas facilidades de acesso e manipulação dos componentes da comunidade, seja ainda por apresentarem relativa complexidade de interações intra e inter específicas em áreas fisicamente restritas (Barnes & Hughes, 1988). os estudos descritivos de costões rochosos fornecem, também, importantes subsídios para projetos de manejo, seja para indicar os fatores que influenciam a produção dos recursos economicamente viáveis, ou para apontar possíveis perturbações antrópicas de impacto negativo para o ambiente. O conhecimento da estrutura da estrutura da comunidade permite avaliar são somente a disponibilidade dos recursos, como também quais as interações que interferem na abunância ou escassez do mesmo, informações estas que podem favorecer diretamente as populações locais. A análise descritiva de um dado local é a primeira etapa para a avaliação do mesmo, colocando em perspectivaaspectos causais e funcionais (Lewis, 1980). O conhecimento da estrutura atual das comunidades bentônicas é de grande relevância pois o ambiente costeiro vem sendo fortemente sujeito a impacto devido a ação antrópica (Tommasi, 1987). A maior parte dos trabalhos realizados referem-se a costões que apresentam, em sua extensão, um único bloco de rocha fornecendo um substrato plano e regular, resultando em um ambiente estruturalmente mais homogêneo, caracterizando os chamados "paredões" ou "platôs". Quando observa-se um costão rochoso constituíudo de matações de diferentes tamanhos tem-se, então, considerável aumento na complexidade das interelações entre os organismos. Cada faceta de um matação constitui-se em um micro-habitat distinto, em função de diferenças no tamanho dos organismos, na luminosidade, hidrodinamismo, dentre outros fatores. Em decorrência disto, a descrição deste tipo de ambiente é muitas vezes evitada, fazendo-se necessário, então, desenvolver e avaliar metodologias que permitam conhecer os padrões de repartição dos organismos presentes em costões rochosos desta natureza. A ocupação do espaço por comunidades mais conspícuas em faixas do costão, em uma escala mais grosseira de observação segundo Osse (1995), constitui as chamadas zonas e a distinção destas denomina-se zonação. Em, costões de substrato irregular, composto de blocos de rocha de diferentes formas e tamanhos, a complexidade de fatores que interagem com osorganismos desde seu assentamento até a sobrevivência sobre o costão, é muito maior do que em costões onde o declive constitui a variação preponderante na forma do substrato. Neste sentido, a zonação destes constões irregulares é menos evidente. Para um observador atentoi, seria possível notar que tal repartição ocorre em menor escala, em cada bloco ou matação distintamente, já que estes são muito variáveis em suas proporções. Aparentemente, entre os matações, um dos critérios menos variáveis para o assentamento de umna dada associação de organismos seria o nível topográfico. Dentre os trabalhos em regiões entre-marés de costões rochosos realizados no Brasil distinguem-se linhas de estudos com diferentes abordagens que em alguns casos ocorreram em períodos concomitantes. No final da década de 40 até o início da década de 60, os estudos tinham um enfoque taxonômico com comentários referentes a aspectos ecológicos (Oliveira, 1947; 1951; Joly 1951; 1957, 1965; Forneris, 1964), tais como sombreamento, exposição ao impacto das ondas, variações nos povoamentos decorrentes de gradiente de salinidade, ou observações visuais quanto a representatividade de uma dada população no costão. Ainda na década de 60, alguns trabalhos apresentaram ênfase na disposição dos organismos no costão de acordo com as variações de maré (zonação), com nítida influência da escola fitossociológica, através de utilização de índices quantitativos baseados em critériosarbitrários de observação. Os trabalhos de Nonato & Pérès (1961), Pérès & Picard (1964), foram pioneiros nesta linham, seguido por outro a posteriori (como por exemplo, Yoneshigue, 1985). Estes, segundo Vilaça (1990), foram fortemente influenciados pelos clássicos trabalhos de Stephenson & Stephenson (1949, 1972) e Lewis (1961, 1964) que objetivam estabelecer os limites da ocorrência de espécies, baseando-se nas variações do nível de maré. A evidência maior disto é a nítida preocupação dos estudos aqui realizados com o padrão de zonação dos organismos, em detrimento, muitas vezes, de outros aspectos ecológicos, tais como proporção de espécies por área, associações entre espécies, dentre outros. A partir da década de 70 grande parte dos estudos em costões rochosos referem-se a ecologia no âmbito populacional. Entre os estudos relacionados as algas marinhas, e, em particular, aqueles desenvolvidos no litoral norte de EStado de São Paulo, região de interesse específico deste trabalho, podem-se destacar os referentes aos seguintes taxa: o gênero Sargassum (Phaeophyta) foi pesquisado sob aspectos inerentes a sua taxonomia, biologia por Paula (1978) e em amostragens que incluíram o costão de Itaguá (Ubatuba, SP). A biologia de Hypnea musciformis (Rhodophyta), incluíndo avaliação sazonal da biomassa, crescimento e fenologia foram estudadas por Schenkman (1980, 1989) e Faccini (1998). Berchez (1985) e Oliveira Filho & Berchez (1993) avaliaram, no costãode Itaguá, o estoque da agarófita Pterocladiella capillacea (Rhodophyta). Os autores, utilizando o método dos transects, amostraram cobertura percentual desta espécie, apontando sua ocorrência em uma faixa do costão. Entre outros aspectos avaliaram ainda o efeito da herbivoria de ouriços do mar sobre esta alga. Espécies do gênero Gracilaria (Rhodophyta) tiveram a fenologia estudada por Assad-Ludewings (1984) e Plastino (1985) ao longo da costa do Município de Ubatuba. A fenologia das espécies Agardhiella subulata e Solieria filiformis (Rhodophyta) foi estudada por Shintani (1988) na Praia do Codó, Município de Ubatuba. Quanto aos estudos relacionados a fauna bentônica dos costões no litoral do Estado de São Paulo destacam-se os seguintes trabalhos: Duarte (1980), que estudou a endofauna de uma espécie de esponja, quanto a importância e dominância de seus componentes da endofauna associada Eston et.al. (1986a) avaliaram as interações de competição por espaço entre populações de Chthamalus bisinuatus e Brachidontes solicianus. Giordano (1986) estudou a importância ecológica de espécies de ouriço-do-mar no canal de São Sebastião, São Paulo. Ainda na costa de São Sebastião, Petersen et.al. (1986) realizaram um trabalho sobre a dinâmica os bancos de moluscos desta área. Os bancos de Perna perna (l) foram estudados por Jacobi (1987a) em Santos. Rocha (1988) estudou aspectos ecológicos das ascídias do Canal de Sebastião. Duarte (1990) avaliou a seleção de presas edistribuição de Thais haemastoma (L.). As ascídias foram recentemente estudadas por Lotufo (1997), que trabalhou com aspectos do recrutamento do grupo, na Baía de Santos. Durante a década de 70, com Oliveira Filho & Mayal (1976), inicia-se uma fase em que os estudos de ecologia em nível de comunidade começam a ser feitos. Os autores, acima mencionados, realizaram este estudo na Praia da Fortaleza em Ubatuba, São Paulo. Este estudo abordou as alterações sofridas ao longo do ano na distribuição vertical de organismos da região entre marés utilizando de forma pioneira, uma abordagem quantitativa. Os autores utilizaram como descritor primário, o índice de recobrimento percentual. A partir da década de 80, diversos trabalhos fizeram uso de descritores sintéticos (ex.:índices de similaridade, distância, entre outros) resultantes da aplicação de técnicas da classificação numérica. Estes em geral não apresentavam preocupação em discutir a metodologia ou índices utilizados ou ainda a padronização de uma técnica de amostragem. Ao invés disto, observou-se neste período, trabalhos direcionados em seguir as metodologias aplicadas em outras regiões, aparentemente sem pretensões de comparar com trabalhos locais (Johnscher-Fornasaro et al., 1987; Guerrazzi, 1987; Jonhscher-Fornasaro et al., 1990). Ainda na década de 80 até o presente, encontram-se alguns trabalhos no Brasil, nos quais observou-se maior ênfase no aspecto metodológico, levando em conta aapresentação das técnicas de amostragem adotadas. Dentre estes destcam-se: Oliveira Filho & Paula (1983) realizaram um importante estudo ecológico descritivo, no qual trataram da distribuição vertical e variação sazonal de populações da região entre marés na Ponta da Fortaleza, Ubatuba, São Paulo. Também em Ubatuba, Praia do Lázaro, Eston (1987a) testou a estabilidade de uma comunidade dominada por Sargassum stenophyllum (Mertens) Martius, analisando as estratégias adotadas por esta espécies na ocupação do substrato, bem como de outras algas com menor habilidade competitiva. Jacobi (1987b) abordou a questão da heterogeneidade de habitat promovendo uma rica discussão em um estudo de caso com bancos de mexilhões. Paula (1987) e Eston (1987b) fazem um detalhado histórico de trabalhos que influenciaram os estudos sobre zonação de costões feitos no Brasil, abordando respectivamente da região entre-marés e o infralitoral. Paula & Eston (1989) estudaram a sucessão secundária em uma comunidade de algas no nível inferior da região entre-marés, na Ponta da Fortaleza, Ubatuba, São Paulo. Recentemente, destacam-se os trabalhos de Széchy (1996), que inclui a análise numérica por clusters e ordenação num estudo de estrutura de comunidades de costão e Santos(1996) que discute de recrutamento e variação espaço rtemporal dos propágulos de macroalgas, utilizando em seus resultados análise de variância e ordenação. Borges (1996) apresenta um estudo de repartição
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 16.12.1998

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    • ABNT

      COIMBRA, Cíntia Schultz; BERCHEZ, Flávio Augusto de Souza. Caracterização ecológica das comunidades bentônicas da região entre-marés no costão da praia do Itaguá, Ubatuba, São Paulo. 1998.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
    • APA

      Coimbra, C. S., & Berchez, F. A. de S. (1998). Caracterização ecológica das comunidades bentônicas da região entre-marés no costão da praia do Itaguá, Ubatuba, São Paulo. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Coimbra CS, Berchez FA de S. Caracterização ecológica das comunidades bentônicas da região entre-marés no costão da praia do Itaguá, Ubatuba, São Paulo. 1998 ;
    • Vancouver

      Coimbra CS, Berchez FA de S. Caracterização ecológica das comunidades bentônicas da região entre-marés no costão da praia do Itaguá, Ubatuba, São Paulo. 1998 ;


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