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Efeito da parasitose por Trematoda Bucephalidae na reprodução, composição bioquímica e índice de condição de mexilhões Perna perna (L.) (1998)

  • Authors:
  • Autor USP: MAGALHÃES, AIMÊ RACHEL MAGENTA - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIF
  • Assunto: FISIOLOGIA ANIMAL
  • Language: Português
  • Abstract: Este trabalho que deu início aos estudos sobre a biologia principalmente a fisioecologia e a histopatologia de mexilhões Perna perna parasitados por larvas do trematódeo bucefalídeo Bucephalus sp. no litoral do Estado de Santa Catarina, teve comoobjetivo investigar a incidência de mexilhões infestados por esses parasitas, provenientes da costa abrigada (CA0, costa batida (CB) e cultivo (CV), na região da Ponta do Papagaio - Palhoça - SC e o efeito desse patógeno na reprodução,composição bioquímica e índice de condição do molusco. Em cada local, no período de julho de 1993 a junho de 1994, foram realizadas coletas de mexilhões, cerca de 70 animais por mês, divididos em 7 classes de 10 mm de intervalo, de 10 a 80 mm decomprimento. Semanalmente, nesse período, foi monitorada a produtividade prim';aria da água, com base na determinação das concentrações de clorofila a, em cada local. Para o total de 2340 mexilhões coletados, foram realizadas observações macro emicroscópicas, a fim de determinar a presença ou não do parasita proceder a classificação do sexo e estádio do ciclo reprodutivo, utilizando-se técnicas histológicas clássicas, que incluiram fixação de amostra do tecido do manto em Bouin,inclusão em parafina, cortes com 5 'mü'm e coloração hematoxilina-eosina. Para sub-amostragens de mexilhões parasitados e não parasitados provenientes de CA, CB e CV, foramrealizadas determinações do índice de condição e da composição bioquímica(teores de proteínas, hidratos decarbono totais, glicogênio, lípides e cinzas. Apesar da incidência relativamente baixa de mexilhões parasitados (3,2% do total de animais estudados), verificou-se que as larvas de Bucephalus sp. têm efeitodeletério sobre esses bivalves, utilizados como hospedeiros intermediários em seu complexo ciclo de vida. Isso ocorre, principalmente, devido à grande proliferação dos esporocistos do patógeno no manto do molusco, reduzindo e inviabilizando ) a gametogênese do mitilídeo, segundo o grau de infestação. Independentemente dos fatores ambientais considerados, mexilhões provenientes de populações naturais da área abrigada apresentaram maior incidência do parasita (5,9% dototal de indicíduos), do que os de cultivo (2,0%) ou os da costa batida (1,8%). Houve diferença na incidência de parasitismo, em relação ao tamanho dos mexilhões: não foram encontrados animais infestados, de comprimento inferior a 30 mm,ocorrendo um aumento gradativo no número de bivalves infestados, até a classe de 60 a 70 mm. Os meses de julho a setembro foram os de maior ocorrência de mexilhões parasitados. Tadavia, mais estudos são necessários para confirmar a existência deuma sazonalidade na infestação e as relações com o ciclo reprodutivo do hoispedeiro e/ou o ciclo de vida do parasita. Ocorreram alterações significativas na composição bioquímica e no índice de condição de mexilhões infestados, com resultadosprejudiciais ao desenvoilvimento normal do molusco. Não houve diferença significativa nacomposição bioquímica de mexilhões parasitados, em mesmo grau de infestação, provenientes dos diferentes locais estudados: CA, CB e CV. Ocorreu, simsignificativa variação dos teores de proteínas, hidratos de carbono, glicogênio, lípides e cinzas nos moluscos, em função do grau de infestação parasitária, sendo o índice de condição dos mexilhões decrescente, com o crescente grau deparasitismo. Nesse sentido, a estereologia demonstrou ser uma técnica importante na determinação do grau de infestação dos mexilhões. Mexilhões parasitados, mesmo em início de infestação, apresentam significativa redução dos teores de hidratosde carbono em geral e, particularmente, de glicogênio. Os teores de lípides em Perna perna parasitados também sofrem significativa redução, mas em estágios mais avançados de infestação. Já os teores relativos de proteína variaramsignificativamente entre ) todos os níveis de infestação parasitária, sendo superior, inclusive, ao de mexilhões não parasitados, provavelmente pela queda dos teores dos demais constituintes orgânicos. Os valores de cinzas também aumentam significativamente,em moluscos com níveis altos de infestação. Os efeitos deletérios do parasita Bucephalus sp. sobre o mexilhão Perna perna parecem estar relacionados, principalmente, à utilização das reservas glicídicas e lipídicas do hospedeiro, impedindo queeste se reproduza, o que pode se tornar um sério problema à renovação das populações naturais e à captação de jovens mexilhões emcoletores desse trematódeo aumente. São necessários novos estudos para o conhecimento sobre efeitos letais dessaendoparasitose nos mitilídeos e se a castração parasitária observada é permanente ou transitória. Foi possível, também, observar alguns aspectos importantes da reprodução desta espécie de mitilídeo. A maior precocidade quanto ao início damaturidade reprodutiva em jovens mexilhões Perna perna ocorreu entre os espécimes provenientes de cultivo (25,8% do total de indivíduos com 10 a 20 mm de comprimento), sendo que 100% dos indivíduos não parasitados, com mais de 40 mm,encontravam-se sexualmente maduros. Nos mexilhões provenientes de populações naturais da costa batida e abrigada, esse valor foi atingido em animais com comprimento superior a 50 mm. A primeira foi a época de maior intensidade de eliminação degametas dos mexilhões na região, confirmando estudos anteriores, que indicaram o período de 01 de setembro a 30 novembro de cada ano como o mais indicado para o defeso dessa espécie, estipulado na portaria do IBAMA, em vigor para o litoral deSanta Catarina. Num total de 2340 mexilhões estudados, ocorreu um indivíduo hermafrodita, no qual, curiosamente, gametas masculinos e femininos foram encontrados dentro dos mesmos folículos gonádicos. A composição bioquímica de mexilhões não ) parasitados apresentou variações em relação ao local de procedência dos mexilhões (CA, CB ou CV) e em relação ao sexo e estádio do cicloreprodutivo no qual os animais seencontram, tópicos estes que ainda necessitam estudos maisconclusivos para a região de Santa Catarina. São necessários estudos rotineiros sobre a histopatologia de mexilhões, para o acompanhamento desse importante aspecto da biologia dos mitilídeos, que pode vir a causar ruptura na estrutura doecossistema litorâneo costeiro e/ou nos recentes e promissores sistemas comerciais de cultivo no litoral catarinense. Devem ser evitados os deslocamentos de moluscos vivos de uma região a outra do litoral brasileiro, em face aos riscos deintrodução de patógenos, de diferentes grupos taxonômicos, nas águas marinhas da área receptora. Isto pode promover danos irreparáveis ao ambiente, de forma geral, e às populações nativas, de forma particular. Ainda maior risco quanto a esseaspecto são as introduções de espécies exóticas, que pelos exemplos desastrosos já disponíveis em âmbito mundial, são plenamente desaconselháveis
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 15.05.1998

  • How to cite
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    • ABNT

      MAGALHÃES, Aimê Rachel Magenta; SALOMÃO, Luiz Carlos. Efeito da parasitose por Trematoda Bucephalidae na reprodução, composição bioquímica e índice de condição de mexilhões Perna perna (L.). 1998.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
    • APA

      Magalhães, A. R. M., & Salomão, L. C. (1998). Efeito da parasitose por Trematoda Bucephalidae na reprodução, composição bioquímica e índice de condição de mexilhões Perna perna (L.). Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Magalhães ARM, Salomão LC. Efeito da parasitose por Trematoda Bucephalidae na reprodução, composição bioquímica e índice de condição de mexilhões Perna perna (L.). 1998 ;
    • Vancouver

      Magalhães ARM, Salomão LC. Efeito da parasitose por Trematoda Bucephalidae na reprodução, composição bioquímica e índice de condição de mexilhões Perna perna (L.). 1998 ;

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