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Desenvolvimento embrionário de Biomphalaria tenagophila (Orbigny) (Mollusca, Planorbidae) (1997)

  • Authors:
  • Autor USP: WATANABE, LIZ CRISTINA - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIZ
  • Assunto: ZOOLOGIA
  • Language: Português
  • Abstract: A clivagem espiral é característica dos moluscos, com exceção dos cefalópodes. A cada divisão os fusos se orientam em ângulo reto à divisão anterior. Com isso, ocorre uma sucessão de divisões regulares no sentido dextrógiro e sinistrógiro. Esta é a chamada lei da clivagem espiral alternante. Em algumas espécies, o sentido da terceira clivagem é dextrógiro e a clivagem é denominada clivagem espiral dextra. Por outro lado, na clivagem espiral reversa a direção da terceira clivagem é sinistrógira. Durante o desenvolvimento embrionário algumas células param a divisão e se diferenciam em estruturas larvais, como por exemplo a placa apical, vesícula da cabeça, prototroco. Outras estruturas, como as placas cerebrais, continuam o processo de divisão para formar os olhos e tentáculos. Biomphalaria tenagophila é um caramujo de água doce e hospedeiro intermediário do Schistosoma mansoni. O estudo do desenvolvimento embrionário de B. tenagophila é importante para comparação com outras espécies e para estudos no campo da Biologia Molecular, Genética, Evolução etc. Estádios característicos do desenvolvimento embrionário e larval foram estudados e a análise da linhagem celular do embrião, principalmente a região cefálica, foi realizada através da microscopia de luz e microscopia eletrônica de varredura. Caramujos de B. tenagophila de Itaquaquecetuba, SP, Brasil, foram mantidos no Laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantan. As desovas foram obtidas através deprocesso natural de oviposição. O estádio 1B, que corresponde à primeira clivagem em B. glabrata (CAMEY & VERDONK, 1970), foi tomado como ponto de referência para as clivagens seguintes. A fixação de diferentes estádios, para o estudo do desenvolvimento embrionário através do microscópio de luz, foi a mesma utilizada por van den BIGGELAAR (1977) em Patella vulgata, com Galocianina e por HOLMES (1900) em Planorbis trivolvis, com Nitrato de Prata. A fixação ) utilizada para o estudo no microscópio eletrônico de varredura foi a técnica modificada de KELLEY et al (1973). Para a nomenclatura dos micrômeros, este trabalho se baseou no estudo da Crepidula realizada por CONKLIN em 1897. Quando os quartetos de micrômeros são separados dos macrômeros, estes são indicados por coeficientes; o primeiro quarteto de micrômeros é designado por 1a-1d, o segundo por 2a-2d etc. Os expoentes designam os descendentes dos quartetos, ou seja, os descendentes de 1a-1d são denominados 1'a POT.1'-1'd POT.1' e 1'a POT.2'-1'd POT.2'. Os macrômeros foram designados conforme o estudo de Physa realizado por WIERZEJSKI (1905). Quando o primeiro quarteto de micrômeros 1a-1d se forma os macrômeros sãon designados por 1A-1D, quando o quarteto 2a-2d se forma, são denominados 2A-2D etc. O diâmetro do ovo maduro de B. tenagophila é cerca de 100'mü'm. O início da primeira clivagem é caracterizada por um sulco que aparece na região do pólo animal. A primeira clivagem é total emeridional, como foi observado em B. glabrata por CAMEY & VERDONK (1970). Não é possível distinguir entre os blastômeros iguais AB e CD e a notação, neste caso, é arbitrária. A segunda clivagem também é total e meridional e ocorre a formação de quatro blastômeros iguais A, B, C e D. Os blastômeros A e C se encontram no sulco polar do pólo animal e os blastômeros B e D estão em contato no sulco polar do pólo vegetativo. Da mesma maneira que ocorre em B. glabata (CAMEY & VERDONK, 1970), a terceira clivagem é subequatorial e ocorre no sentido sinistrógiro; os quatro micrômeros nunca jazem sobre os macrômeros, mas sobre os sulcos formados por eles. O segundo quarteto de micrômeros (2a-2d) é formado na quarta clivagem (sentido dextrógiro) e o embrião passa a 12 blastômeros. O próximo a clivar é o primeiro quarteto de ectômeros (1a-1d); esta clivagem é dextrógira e o embrião passa a 16 blastômeros. A clivagem do segundo ) quarteto de micrômeros (2a-2d) e a dos macrômeros (2A-2D) ocorrem quase simultaneamente; estas clivagens são no sentido sinistrógiro e o embrião atinge o total de 24 blastômeros. Nesse estádio o embrião passa por uma fase de "repouso" e permanece cerca de 3 horas sem se clivar. O estádio de repouso termina com a clivagem do macrômero 3D, dando origem ao mesoblasto primário M (4d) e forma o embrião de 25 blastômeros. Os próximos quartetos 2'a POT.1'-2'd POT.1' e 2'a POT.2'-2'd POT.2' se clivam formando um estádio de 33 blastômeros. Emseguida, os quartetos 3a-3d e os macrômeros 3A-3C se clivam originando um embrião de 40 blastômeros. O próximo quarteto 1'a POT.1'-1'd POT.1' e o mesoblasto primário M se clivam formando um estádio de 45 blastômeros. Os moluscos em geral formam uma figura característica denominada cruz; esta estrutura é formada pelos primeiros quartetos e pelo segundo quarteto 2'a POT.11'-2'd POT.11'. Em B. tenagophila o início da cruz se observa no estádio de 45 blastômeros. A cruz é constituída por blastômeros que formarão quase toda a região cefálica. A figura de cruz é formada por dois braços laterais, um dorsal e um ventral. O braço dorsal é originado pelos descendentes de d, enquanto o ventral é originado de b e os laterais de a e de c. O embrião inteiro foi analisado até atingir cerca de 106 blastômeros e após esse estádio os mesoblastos primários sofreram invaginação, na região vegetativa (cerca de 21 horas após a primeira clivagem do ovo). Desta fase em diante, somente a figura de cruz situada na região do pólo animal do embrião foi analisada. No estádio de gástrula, a região da cruz vai sofrendo uma degradação da figura em razão das divisões dos blastômeros do braço ventral e das laterais serem contínuas para a formação das placas cefálicas, as quais formarão, mais tarde, a região dos olhos e tentáculos. Cerca de 43 horas após a primeira clivagem do ovo há a formação ) larval de trocófora que se caracteriza pela presença da placa apical, formada de 7 células, dasplacas cefálicas, das laterais e da vesícula cerebral, formada por 12 células. Estádios larvais seguintes de trocófora, véliger jovem e véliger, possuem todas as estruturas descritas anteriormente; tais estruturas são muito semelhantes às observadas em B. glabrata (CAMEY & VERDONK, 1970)
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 15.09.1997

  • How to cite
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    • ABNT

      WATANABE, Liz Cristina; KAWANO, Toshie. Desenvolvimento embrionário de Biomphalaria tenagophila (Orbigny) (Mollusca, Planorbidae). 1997.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.
    • APA

      Watanabe, L. C., & Kawano, T. (1997). Desenvolvimento embrionário de Biomphalaria tenagophila (Orbigny) (Mollusca, Planorbidae). Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Watanabe LC, Kawano T. Desenvolvimento embrionário de Biomphalaria tenagophila (Orbigny) (Mollusca, Planorbidae). 1997 ;
    • Vancouver

      Watanabe LC, Kawano T. Desenvolvimento embrionário de Biomphalaria tenagophila (Orbigny) (Mollusca, Planorbidae). 1997 ;


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