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Contribuição da citogenética molecular no entendimento da evolução cromossômica no gênero Akodon (Rodentia, Sigmodontinae) (1997)

  • Authors:
  • Autor USP: FAGUNDES, VALERIA - IB
  • Unidade: IB
  • Sigla do Departamento: BIO
  • Assunto: BIOLOGIA MOLECULAR
  • Language: Português
  • Abstract: 1) Foram analisados citogeneticamente 133 exemplares de roedores brasileiros do gênero Akodon, família Muridae, Subfamília Sigmodontinae, coletados em várias localidades do estado de São Paulo, pertecentes às espécies Akodon cursor (2n=14,15,16),A. montensis (2n=23,24,25), A. nigrita (2n=52) e A. serrensis (2n=46). Adicionalmente, outros exemplares provenientes do estoque do Banco de Células do Laboratório de Citogénetica de Vertebrados foram analisados. 2) Foram estabelecidos ospadrões de bandamento G e C, e coloraçào das regiões organizadoras de nucléolos pela prata (Ag-RONs), em material obtido a partir de preparação direta de medula óssea, e de cultura de fibroblastos. Hibridação in situ flurescente (FISH) comsondas teloméricas, ribossômicas, e pintura de cromossomos com sondas espécies-específicas, geradas por microdissecção e amplificação por DOP-PCR foram aplicadas com objetivos específicos. 3) A espécies Akodon cursor (2n=14,15,16) revelou umalto grau de polimorfismo cromossômico, apresentando 15 diferentes constituições cariotípicas diferentes em 46 indivíduos analisados, devido à combinações de rearranjos ocorridos em quatro dos sete pares cromossômicos. O par 1 apresenta umrearranjo complexo de fusão cêntrica associada à inversões pericêntricas, responsável pela variação do número diplóide. Os pares 2,3 e 5 apresentam inversões pericêntricas em polimorfismo, que associadas ao rearranjo do par 1 são responsáveispela variação do número debraços autossômicos (NA=18-24). Uma fêmea apresentou atrissomia do cromossomo 6. 4) Numa revisão de todos os cariótipos descritos para a espécie A. cursor, detectou-se 24 diferentes constituições cariotípicas em umtotal de 291 indivíduos, incluindo os 15 cariótipos descritos neste trabalho. Os números diplóides variaram de 14 a 16 e o NF de 18 to26. TrÊs novas constituições cariotípicas foram descritas pela primeira vez na literatura. Além disso, a(continua) ) ocorrência do par 5 em heterozigose e a ocorrência do número diplóide 2n=16 são descritas pela primeira vez para o estado de São Paulo. As diferntes constituições cromossômicas de A.cursor são mantidas nas populações em polimorfismobalanceado. 5) As evidências de bandamento G em cromossomos prometafásicos e os dados de hibridação in situ com as sondas teloméricas em Akodon cursor sugerem que a fusão cêntrica associada às inversões pericêntricas tenha sido o rearranjoresponsável pela variação do par 1. A interpretação de que a fusão cêntrica estaria ocorrendo para o estabelecimento dos cariotipos com 2n= 14,15,16 em A. cursor, leva-nos a crer que 2n=16 seja considerado o cariótipo primitivo para estaespécie, conclusão tirada a partir da evidência da marcação intersticial da sonda telomérica no metacêntrico 1. 6) A espécie A.montensis apresentou variação do número diplóide (2n=23,24,25) devido à aneuplodia de cromossomos X, e presença decromossomos supernumerário. Foi detectada uma altavariabilidade na constituição do par sexual: 2n=23 por aneuploidia de cromossomo X; heteromorfismo de cromossomo X que se apresentou nas formas acrocêntrica ou subtelocêntrica, devido a presençade um bloco heterocromático pericentromérico no cromossomo subtelocêntrico, que está ausente na forma acrocêntrica. Além disso, foi detectada na nossa amostra a ocorrência de cinco fêmeas XY. 7) A análise dos padrões de bandamento G e FISH comsondas teloméricas e da pintura de cromossomos, permitiu identificar a correspondência que existe entre os cromossomos de A. cursor e A. montensis. O processos de diferenciação cromossômica entre as duas espécies foram detectados, e osmecanismos descritos foram, principalmente, inversões pericêntricas, fusões em tandem, identificação de quais telômeros e centrômeros foram especificamente perdidos, e mesmo a possível perda de braços cromossômicos inteiros, perfeitamente(continua) ) caracterizada. A perda das seqüências teloméricas foi suportada pela ausência das marcações intersticiais nos cromossomos das espécies. A pintura de cromossomos veio confirmar algumas inferências a respeito do mecanismo cromossômicoque levaria à formação do cromossomo metacêntrico 1 de A. cursor, que envolve o remanejamento de quatro cromossomos de A. montensis. 8) A ocorrência de híbridos naturais coletados na natureza em nossa amostra, só vem confirmar a sugestão de queem pontos de Iguape, estas espécies estão em contato e se intercruzam.Os rearranjos descritos para a diferenciação cariotípica, a presença de híbridos inter-específicos, e a extrema similaridade morfológica entre A. cursor e A. montensis sãoevidências que reforçam a ídeia de que o processo de cladogênese entre estas espécies tenha sido recente. Entretanto, a definição de características diagnósticas que distingam estas espécies, além dos dados citogenéticos, ainda é necessária. 9)Uma contribuição importante deste trabalho é de que, sob o ponto de vista cromossômico, as hipóteses mais consistentes reforçam o sentido da evolução cromossômica entre A. cursor (2n=14,15,16) e A. montensis (2n=24,25) tenha sido de redução donúmero diplóide de 2n=24 para 2n=14. Sendo 2n=16 com pares 2,3 e 5 na forma homozigota meta/submetacêntrica considerado o possível cariótipo ancestral para A. cursor. 10) NUma revisão da literatura, compilamos 52 espécies existentes de Akodondescritas na literatura, e dentre elas, 39 espécies já tiveram seus cariótipos descritos. Os números diplóides variaram de 2n=14 em A. cursor até 2n=52 em várias espécies. Um cenário da dispersão dos Akodontinos foi traçado, baseado em dadoscitogenéticos, incluindo as espécies brasileiras de Akodon, delineando uma história de redução do número diplóide a partir de um ancestral com 2n=52, por eventos de fusões cromossômicas, até chegar ao cariótipo com 2n=14 no (continua) ) sudeste brasileiro. O estudo comparativo entre a freqüência de marcação das Ag-RONs e a FISH comsondas ribossômicas em A. cursor e A. montensis revelou que existe uma variabilidade de padrões observada nos exemplares de grandeAkodon, mostrando a presença dos genes ribossomais mas a ausência de atividade transcricional; ou a ausência dos genes ribossomais, que confirmam a ausência de marcação pelas Ag-RONs. Ainda, presença de atividade transcricional mas ausência dedetecção dos genes ribossomais naquela região. Deste estudo podemos concluir que nem sempre os genes ribossomais estão presentes, mostrando que existe uma variabilidade inter-individual quanto à presença dos genes ribossomais nos paresportadores das RONS. Ainda, a variabilidade das RONs detectada pela prata não decorre somente da presença ou ausência dos genes, assim como da estrutura gênica (número de repetições dos cistrons ribossomais). A FISH no estudo da variabilidadedas RONs, permite a localização do DNA ribossômico, e a técnica da coloração pela prata torna-se imprescindível para a compreensão dos processos de controle da atividade destes genes, e desta maneira, ambas técnicas devem ser utilizadas emconjunto. 12) As fêmeas XY de A. montensis revelaram, pela análise histológica, cromossômica e molecular, uma constituição feminina normal, e provavelmente são férteis, o cromossomo Y parece normal estruturalmente, e o cromossomo X apresentouuma adição de uma grande porção, ou quase a totalidade do cromosssomo Y na sua região pericentromérica, detectada por pintura de cromossomo. Ummecanismo de translocação X/Y, que teria alterado genes na região do cromossomo X que participariamdo processo de determinação do sexo, é proposto. Além disso, baseado em dados cromossômicos e biológicos, acredita-se que este evento não seja um caso isolado, e pode estar relacionado com mecanismos de controle da proporção sexual em populaçõesnaturais
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 27.06.1997

  • How to cite
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    • ABNT

      FAGUNDES, Valéria; YASSUDA, Yatiyo. Contribuição da citogenética molecular no entendimento da evolução cromossômica no gênero Akodon (Rodentia, Sigmodontinae). 1997.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.
    • APA

      Fagundes, V., & Yassuda, Y. (1997). Contribuição da citogenética molecular no entendimento da evolução cromossômica no gênero Akodon (Rodentia, Sigmodontinae). Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Fagundes V, Yassuda Y. Contribuição da citogenética molecular no entendimento da evolução cromossômica no gênero Akodon (Rodentia, Sigmodontinae). 1997 ;
    • Vancouver

      Fagundes V, Yassuda Y. Contribuição da citogenética molecular no entendimento da evolução cromossômica no gênero Akodon (Rodentia, Sigmodontinae). 1997 ;


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