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Pluralismo étnico e multiculturalismo - racismos e anti-racismos no Brasil (1997)

  • Authors:
  • Autor USP: D'ADESKY, JACQUES EDGARD FRANCOIS - FFLCH
  • Unidade: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FLA
  • Subjects: ANTROPOLOGIA CULTURAL E SOCIAL; ETNOGRAFIA
  • Language: Português
  • Abstract: coletivas específicas, as tradições e as solidariedades particulares, o reconhecimento das identidades étnicas e diferenças culturais é o meio, no plano coletivo, de evitar a ação violenta daqueles que se sentem despojados de sua identidade cultural ao ingressarem na sociedade de massa, uma sociedade que os atrai pelo consumo, mas lhes nega a dignidade imprescindível de uma verdadeira inserção comunitária. Em segundo lugar, em nível pessoal, porque a correta legitimação das culturas dominadas ante à cultura hegemônica facilita a relação individual com o outro. Em particular, sustenta a ética da autenticidade segundo a qual as pessoas têm o direito de serem reconhecidas publicamente pelo que são realmente, sem serem obrigadas a se fazer passar pelo que elas não sãoEsta tese debruça sobre as relações raciais no Brasil a partir dos conceitos de etnia, de nação, de multiculturalismo e à luz do princípio de reconhecimento igualitário entre as pessoas. O trabalho aponta que a exclusão sócio-econômica do negro não advém apenas de disparidades econômicas que separam os brancos e os negros, mas funda-se sobre as dicotomias elite/povo e brancos/negros que sustentaram por três séculos a ordem escravocrata, sobre a escala hierárquica baseada na cor da pele, forma do rosto, textura dos cabelos e sobre um racismo de tendência assimilacionista. Apoiando-se na obra de Pierre-André Taguieff, o trabalho utiliza a análise dual para circunscrever a realidade das relações raciais. Dentro dessa perspectiva, a tese desvela que as relações raciais no Brasil se caracterizam por um racismo universalista de tipo espiritualista que remete às teses da existência de raças consideradas mais ou menos evoluídas, esclarecidas ou avançadas e mais ou menos aptas à civilização e, conseqüentemente, mais ou menos assimiláveis. Paralelamente a esse racismo, o trabalho mostra a existência simultânea de um anti-racismo universalista do tipo bio-materialista que postula que as raças humanas não passam de realidades provisórias. O ideal é o de uma assimilação universal, de uma total fusão dos grupos humanos. A mistura de raças e das etnias é o instrumento privilegiado dessa síntese final. Ao homogeneizar a população por cruzamento, crê-se então acabar com oracismo através do acesso à raça considerada superior. Mas, com isso, manifesta-se um racismo pelo aspecto negativo supostamente atribuído à raça depreciada. Assim determinados, esses racismos e anti-racismo universalistas mantêm um racismo insidioso anti-negro e anti-indígena que jamais pode ser praticado e falado abertamente. A exclusão da imagem do negro nas novelas brasileiras, nas propagandas comerciais, bem como nas representações simbólicas (estátuas, ) bustos) no espaço público atestam esse racismo brasileiro dito velado e até mesmo cordial. Face à hegemonia desses racismos e anti-racismo universalistas, a tese mostra o crescimento do discurso anti-racista do Movimento Negro, principalmente em sua forma diferencialista de tipo espírito-cultural. Esse último anti-racismo diferencialista contribui para descontruir o jogo das representações mixófilas, acenando que a suposta integração racial não passa de uma forma de etnocídio dos negros e dos indígenas. O trabalho mostra também que o modelo constitucional da sociedade brasileira, apesar de ter sido elaborado dentro de uma perspectiva republicana e universalista, está aberta à preservação das identidades culturais particulares. De fato a Constituição de 1988 considera o pluralismo cultural como fonte de diversidade e de enriquecimento para a sociedade civil. Diante da influência da cultura hegemônica ocidental que permeia a totalidade do espaço público e condiciona a própria natureza do Estado-nação, otrabalho destaca o multiculturalismo de Charles Taylor segundo o qual o espírito da democracia não pede aos indivíduos e aos povos para renunciarem a sua cultura e a sua identidade. Partindo desse princípio, a tese considera que as culturas menosprezadas (negra, indígena) devam também fecundar todo o espaço público para permitir que as pessoas de uma etnia dominada, não se sintam depreciadas em um projeto que lhes seja estranho, uma vez que elas não se sentem verdadeiramente reconhecidas pela maioria com a qual compartilham a mesma identidade nacional. Dessa forma, o trabalho sublinha a importância nas democracias do elo que existe entre o reconhecimento e a identidade. Pois o não reconhecimento ou o reconhecimento inadequado de uma identidade pode causar dano e constituir uma forma de opressão, aprisionando os indivíduos num modo de ser falso, deformado e reduzido. Ao passo que a afirmação de um ) sentimento étnico ou cultural diferenciado de onde provém a reivindicação de reconhecimento público pode instaurar, no devir, um multiculturalismo livre dos efeitos perversos exercidos pela cultura dominante. A idéia que germina aqui é basear a unidade sobre a multiplicidade, a fim de permitir aos grupos e comunidades menosprezados crescer e brilhar sem a obrigação de tomar emprestado as vias das assimilação que podem levar ao desprezo de si mesmo e à alienação cultural. Resumindo: em vez de desvalorizarem, em nome do universal, as identidades
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 07.01.1997

  • How to cite
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    • ABNT

      ADESKY, Jacques Edgard François D´; MUNANGA, Kabengele. Pluralismo étnico e multiculturalismo - racismos e anti-racismos no Brasil. 1997.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.
    • APA

      Adesky, J. E. F. D. ´, & Munanga, K. (1997). Pluralismo étnico e multiculturalismo - racismos e anti-racismos no Brasil. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Adesky JEFD´, Munanga K. Pluralismo étnico e multiculturalismo - racismos e anti-racismos no Brasil. 1997 ;
    • Vancouver

      Adesky JEFD´, Munanga K. Pluralismo étnico e multiculturalismo - racismos e anti-racismos no Brasil. 1997 ;

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