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Avaliação da qualidade da assistência ambulatorial em saúde mental: um estudo das relações entre processo e resultado final (1996)

  • Authors:
  • Autor USP: POMPEI, MARIA SILVIA - FSP
  • Unidade: FSP
  • Sigla do Departamento: HSP
  • DOI: 10.11606/T.6.2018.tde-28022018-102932
  • Subjects: SAÚDE MENTAL; AVALIAÇÃO DE RESULTADOS (CUIDADOS DE SAÚDE); ASSISTÊNCIA AMBULATORIAL; SAÚDE PÚBLICA
  • Language: Português
  • Abstract: A qualidade da assistência médica e dos serviços de saúde é uma questão que nas últimas décadas passou a ser motivo de crescente interesse tanto nos meios científicos e políticos, como na sociedade como um todo. À medida que foram se tornando conhecidos uma grande quantidade de problemas que afetam a prestação de serviços de saúde, a questão da avaliação da qualidade de cuidados médicos passou a ser não apenas um motivo de interesse, mas também uma prioridade entre os responsáveis pela formulação de políticas sociais e de saúde. Enquanto que em vários países a avaliação da qualidade de serviços vem ocorrendo de forma sistemática, no Brasil isso não tem ocorrido, principalmente no que diz respeito à avaliação qualitativa. O estudo desenvolvido nesta tese se propõe a avaliar qualitativamente um serviço ambulatorial de saúde mental. Os principais objetivos deste trabalho são: 1) avaliar o grau de satisfação dos pacientes com o tratamento recebido no serviço estudado; 2) analisar a interrelação entre o processo de prestação de serviços e os resultados finais do tratamento para se avaliar a qualidade da atenção prestada; e 3) determinar o peso que diferentes fatores, tais como processo de prestação de serviço, características individuais dos pacientes, e fatores relacionados à doença, podem ter na determinação de que o resultado final do tratamento possa ser considerado positivo ou negativo. Foram sujeitos deste estudo os pacientes atendidos no Ambulatório de Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Botucatu como "casos novos" (1a consulta) de Psiquiatria durante os anos de 1989 e 1990, procedentes de Botucatu e São Manoel e portadores dos diagnósticos da "CID"-9 (1975) "Transtornos neuróticos", "Reações de ajustamento" e diagnósticos do "Código V" (V.61, V.62 e V.ll).Os dados sobre o tratamento dos pacientes foram coletados das fichas de agendamento de consultas, dos prontuários médicos e de questionários aplicados aos pacientes em entrevistas domiciliares. Dos 1155 pacientes atendidos como "casos novos" foram incluídos nesta pesquisa 289 pacientes. Em função dos pacientes que não puderam responder às entrevistas domiciliares, contamos com um total de 211 pacientes dos quais obtivemos informações tanto dos prontuários médicos, como das entrevistas domiciliares. A análise estatística realizada pode ser dividida em duas fases: 1) onde foram obtidas informações através da distribuição de freqüências e associações entre variáveis, e 2), onde foram utilizados métodos de análise multivariada. Em 66.5 por cento dos casos os pacientes referiram sentir-se "melhor" como resultado do tratamento recebido, índice bastante similar ao da percepção do médico de "melhora com o tratamento" (65,7 por cento). Em 70,1 por cento dos casos os pacientes referiam estar satisfeitos com o tratamento. Neste estudo, as pessoas relacionadas com o tratamento como o médico e funcionários da recepção foram avaliados positivamente enquanto que alguns fatores organizativos foram avaliados mais negativamente. Como em outros estudos, a satisfação geral esteve altamente associada com a percepção de melhora do paciente. Diferentemente de outros trabalhos, neste, a satisfação também esteve fortemente associada à percepção de melhora por parte do médico. São apresentados e discutidos vários aspectos do processo de assistência que estiveram associados aos resultados finais do tratamento.Analisando-se a interrelação de muitas das vari sobre a organização do serviço, ainda que em última instância não nos permitam responder de forma precisa à pergunta contida em um de nossos objetivos: "qual foi o nível de qualidade da assistência prestada?". Isso porque nos faltam critérios e "standards" explícitos aplicáveis a nosso meio. O desenvolvimento desses critérios e padrões explícitos de qualidade deveriam ser um objetivo prioritário de futuras pesquisas na área da avaliação qualitativa em Saúde Mental. Com relação ao "peso que diferentes fatores podem ter na determinação do resultado final do tratamento", pode-se dizer que algumas características da doença tiveram pouco peso na determinação dos resultados, enquanto que certas características do paciente como sexo e renda per-cápita estiveram associadas de forma significante com os resultados do tratamento. Comentamos com detalhes esses dados, e salientamos que tais achados são válidos no contexto "deste" estudo. Além dessas duas características, também descrevemos outras variáveis ligadas ao processo, que estiveram altamente associadas à determinação dos resultados, através da análise multivariada. A "satisfação com o tratamento" foi a variável que mais fortemente esteve associada aos resultados finais. Do referido acima poderíamos concluir que atingimos o objetivo de verificarmos em que extensão, certos fatores podem interferir nos resultados finais. Para finalizar, pudemos avaliar o grau de satisfação dos pacientes com o tratamento recebido. Tal avaliação foi de extrema importância nesta pesquisa, no sentido da complementaridade de informações que possibilitou, ao proporcionar a visão subjetiva do usuário que pôde ser somada aos dados obtidos do prontuário.Levando-se em consideração a situação atual das pesquisas qualitativas em nosso meio, sugere-se os estudos na linha da avaliação da satisfação com a assistência recebida sejam os que se mostrem mais factíveis de serem realizados, e em termos de resultados produzidos, poderiam ser tão bons quanto outros métodos para a avaliação da qualidade de serviços de saúde mental.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 19.08.1996
  • Acesso à fonteDOI
    Informações sobre o DOI: 10.11606/T.6.2018.tde-28022018-102932 (Fonte: oaDOI API)
    • Este periódico é de acesso aberto
    • Este artigo é de acesso aberto
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    • Cor do Acesso Aberto: gold
    • Licença: cc-by-nc-sa

    How to cite
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    • ABNT

      POMPEI, Maria Silvia; TANCREDI, Francisco Bernardini. Avaliação da qualidade da assistência ambulatorial em saúde mental: um estudo das relações entre processo e resultado final. 1996.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996. Disponível em: < https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-28022018-102932 > DOI: 10.11606/T.6.2018.tde-28022018-102932.
    • APA

      Pompei, M. S., & Tancredi, F. B. (1996). Avaliação da qualidade da assistência ambulatorial em saúde mental: um estudo das relações entre processo e resultado final. Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-28022018-102932
    • NLM

      Pompei MS, Tancredi FB. Avaliação da qualidade da assistência ambulatorial em saúde mental: um estudo das relações entre processo e resultado final [Internet]. 1996 ;Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-28022018-102932
    • Vancouver

      Pompei MS, Tancredi FB. Avaliação da qualidade da assistência ambulatorial em saúde mental: um estudo das relações entre processo e resultado final [Internet]. 1996 ;Available from: https://doi.org/10.11606/T.6.2018.tde-28022018-102932

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