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Argilas quaternárias da Baixada Santista: características e propriedades geotécnicas (1985)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: MASSAD, FAICAL - EP
  • Unidades: EP
  • Sigla do Departamento: PEF
  • Subjects: ARGILAS
  • Language: Português
  • Abstract: Certos achados geotécnicos sobre os sedimentos argilosos da Baixada Santista, alguns deles remontando fins da década de 40, permaneceram como questões abertas à espera de uma explicação. Um destes achados refere-se à “discordância” entre camadas de argilas muito moles a moles, sobrepostas a camadas de argilas médias a rijas, às vezes duras; outro, à existência de “bolsões” de argilas fortemente sobre-adensadas; e, um outro ainda, à características geral de levemente sobre-adensada das argilas moles. Ou, quando se coloca na forma de um questionamento, “qual a origem da referida “discordância” e do sobre-adensamento destes sedimentos argilosos?”. Em suma, qual a gênese destes sedimentos? A resposta a esta questão básica foi encontrada recentemente, estando as variações relativas do nível do mar na raiz da evolução dos sedimentos quaternários da Baixada Santista. Na realidade, dois episódios de ingressão do mar rumo ao continente, um no Pleistoceno e outro no Holoceno, deram origem a tipos diferentes de sedimentos. O primeiro, denominado Formação Cananéia, formado há 100.000-120.000 anos atrás, em ambiente misto continental-marinho na base (Argilas Transicionais) e marinho no topo (Areias Pleistocênicas), foi submetido a um intenso processo erosivo e a um grande abaixamento do nível do mar. Os resquícios das Argilas Transicionais apresentam-se, por isso mesmo, fortemente sobre-adensadas. O segundo tipo é de formação mais recente, cerca de 5.000-7.000 anos atrás, por sedimentação em lagunas e baias, donde a nomeação Sedimentos Flúvio-Lagunares e de Baias. Trata-se de sedimentos marinhos, às vezes formados pelo retrabalhamento dos sedimentos da Formação Cananéia, areias e argilas, às vezes por sedimentação em águas paradas. São levemente sobre-adensados, face a oscilaçõesnegativas do nível do mar, ocorridas nos últimos 4.000 anos. O máximo desta oscilação negativa foi estimado em cerca de 2 metros. Com base no exame de inúmeras sondagens de simples reconhecimento, feitas em vários pontos da Baixada Santista, foi possível ampliar, nesta investigação, os conhecimentos sobre a ocorrência de resquícios das Argilas Transicionais em sub-superfície, principalmente a oeste da Planície de Santos. Indícios de sua presença foram constatados também na cidade de Santos e na Ilha de Santo Amaro, nas proximidades do Canal do Porto. Foram utilizadas três fontes para os estudos, a saber, os conhecimentos geológicos recentes; os dados geotécnicos sobre as características e as propriedades de Engenharia; e as informações sobre o comportamento de obras civis na região. Houve mais do que um encadeamento lógico destas fontes, pois elas se entrelaçaram. Assim é que de dados geotécnicos sobre a consistência das argilas e de seu pré-adensamento foi possível detectar resquícios das Argilas Transicionais em locais insuspeitos até então. Do exame dos casos de obras confirmou-se o caráter levemente sobre-adensado dos Sedimentos Flúvio-Lagunares e de Baias. Da análise de variações da pressão de pré-adensamento pode-se corroborar a ocorrência de um depósito de sedimentos arenosos antigos, parcialmente removido pela ação do vento, e que imprimiu um forte sobre-adensamento em argilas de Sedimentos Flúvio-Lagunares e de Baias. No mesmo sentido, apoiado em conhecimentos geológicos, foi possível chegar a uma classificação genética das argilas em três unidades diferentes: as Argilas Transicionais; osSedimentos Flúvio-Lagunares e de Baias; e os Mangues. Mostrou-se que esta diferenciação não poderia ser explicada por meio de ensaios de caracterização e de identificação da Mecânica dos Solos, sendo necessário recorrer-se à pressão de pré-adensamento, ao índice de vazios, ao SPT ou à resistência não drenada. Também as propriedades de Engenharia revelaram-se semelhantes, desde que adimensionalizadas em relação à pressão de pré-adensamento ou ao índice de vazios. Estas semelhanças são, em parte, responsáveis pelo fato dos engenheiros não terem separado os sedimentos argilosos da Baixada Santista em grupos distintos. Foi proposto um modelo simples que permite uma estimativa, em caráter preliminar, de alguns parâmetros de projeto, tais como a pressão de pré-adensamento, a resistência não drenada, módulos de deformabilidade, entre outros. Finalmente, caos de obras reinterpretados indicaram que os recalques finais, para serem bem estimados, necessitam da consideração do sobre-adensamento das argilas compressíveis. Comprovou-se, através de uma análise de inúmeros casos, abrangendo vários locais da Baixada, que a velocidade de desenvolvimento dos recalques é bem maior do que se poderia prever com base em ensaios laboratoriais. Em parte isto se deve à heterogeneidade das camadas de argila que contém em seu seio lentes e finas camadas de areia; e, em parte, provavelmente ao sobre-adensamento. Outro efeito deste sobre-adensamento diz respeito à baixa indução de pressões neutras devidas a carregamentos, bem aquém de que seria razoável esperar fossem os solos normalmente adensados.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 20.06.1985

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    • ABNT

      MASSAD, Faiçal. Argilas quaternárias da Baixada Santista: características e propriedades geotécnicas. 1985.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1985.
    • APA

      Massad, F. (1985). Argilas quaternárias da Baixada Santista: características e propriedades geotécnicas. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Massad F. Argilas quaternárias da Baixada Santista: características e propriedades geotécnicas. 1985 ;
    • Vancouver

      Massad F. Argilas quaternárias da Baixada Santista: características e propriedades geotécnicas. 1985 ;


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