Petrologia do maciço alcalino no Banhadão, PR (1984)
- Authors:
- Autor USP: RUBERTI, EXCELSO - IGC
- Unidade: IGC
- Sigla do Departamento: GMP
- Assunto: PETROLOGIA
- Language: Português
- Abstract: O maciço do Banhadão representa um dos muitos centros magmáticos de caráter alcalino, ocorridos entre o final do jurássico e cretáceo inferior, intrusivos nos flancos do grade arqueamento de Ponta Grossa. Acha-se situado a noroeste da localidade de Cerro Azul, Estado do Paraná, e tem como coordenadas geográficas aproximadas 24°39' e 49°23'W.G. O complexo constitui uma massa heterogênea de litologias exclusivamente insaturadas encaixadas em rochas graníticas do Complexo Três Córregos. As variações mineralógicas e texturais presentes permitem individualizar três associações magmáticas de caráter definido, consolidadas em condições geológicas distintas, à primeira pertencem diversas variedades de nefelina sienitos de granulação grossa que evoluem, gradativa e quimicamente, de ultrabásica até intermediária, na seguinte seqüência: melanita-nefelina sienitos>nefelina sienitos I>nefelina sienitos II - róseos>nefelina sienitos II - cinzas. A segunda incluis rochas de natureza ultrabásica a básica, de granulação fina a média, representadas quase que unicamente por flogopita melteigitos; nela também se enquadram os malignitos e os feldspatos-melanita ijolitos originados em conseqüência da ação intrusiva daquelas rochas sobre as encaixantes (nefelina sienitos II - róseos e cinzas). Finalmente, a terceira engloba todas as rochas de granulação fina até afanítica ocorrendo na forma de diques, que retalham as diversas variedades dee nefelina sienitos, edenominadas genericamente fonolitos. Quanto ao quimismo, as rochas do complexo são fortemente alcalinas e se enquadram na série alcalina de Peacock (1931) e classe hiperalcalina de Almeida (1961). As pequenas concentrações de U, Th e sobretudo terras raras, a ausência de minerais tidos como raros e a presença constante de apatita nas diversas litologias confirmam o caráter tipicamente "miasquítico" do complexo. As diversas variedades de nefelina sienitos ) exibem evidências de terem sido submetidas à diferenciação, como indicado pelo enriquecimento em 'Al IND.2 O IND.3', 'K IND.2 O' e 'Na IND.2 O' e empobrecimento em 'Ti'O IND.2', Fe (total) e CaO. Os elementos traços Zr, Nb, Y e V acham-se concentrados nas rochas portadoras de melanita. Os flogopita melteigitos e rochas associadas possuem as maiores concentrações de Ti'O IND.2', Fe (total), MgO e CaO e as mais baixas de 'Al IND.2 O IND.3', 'K IND.2 O' e 'Na IND.2 O' relativamente às demais do maciço; quanto aos traços, são praticamente as únicas a contarem Ni, Cu, Cr, além de teores anômalos de Ba. Os fonolitos são quimicamente semelhantes às variedades de nefelina sienitos. As determinações radiométricas pelo método K-Ar forneceram idade de 127 m.a. para um micro melanita-nefelina sienito (do conduto secundário do maciço), correlacionado à primeira manifestação magmática. Os flogopita melteigitos intrusivos em nefelina sienitos II - róseos e cinzas acusaram idade ao redor de 108 m.a., enquanto que osfonolitos no intervalo 95 e 102 m.a. O estudo químico detalhado dos minerais mais abundantes d complexo mostra algumas características distintivas. A nefelina acha-se representada quase que unicamente pela variedade "médio-potássica". No entanto, o seu teor de "sílica em excesso" depende da rocha em que se encontra; é variável nos nefelina sienitos II - róseos e cinzas, situando-se ora no campo de convergência "Morozewicz-Buerger", com temperaturas entre 500 e 600°C, ora fora dele, com temperaturas da ordem de 750°C. Esse teor é mais alto nos fonolitos, revelando cristalização ao redor de 775°C, e mais baixo nas demais rochas, com a composição se aproximando da de Buerger e correspondendo ao equilíbrio químico de temperaturas submagmáticas, inferiores a 500°C. Os feldspatos alcalinos consistem dee ortoclásio pertítico na maioria das rochas, à exceção dos malignitos ) feldspato-melanita ijolitos e alguns melanita-nefelina sienitos, onde são provavelmente microclínio, e dos fonolitos, onde constituem com certeza sanidina. A composição é essencialmente potássica, com Or> 89%; contudo, nos nefelina sienitos II - róseos e cinzas, o mineral exibe ampla variação com valores compreendidos entre 'Or IND.94,4' e 'Or IND.58,6'. Os piroxênios têm composição variável conforme a natureza química da rocha e as condições de cristalização; essa composição abrange todos os termos da série: soda-augita, egirina-augita e egirina.Dos minerais de cristalização tardia, destacam-se as micas, apresentando amplas variações na relação Mg:Fe; em geral correspondem à biotita, sendo flogopita uma variedade mais rara. A melanita é um mineral primário (microfenocristal e constituinte da matriz), um produto da transformação de piroxênios, ou então, resulta da cristalização de soluções residuais do magma; todavia, em todos os casos ela tem natureza esencialmente cálcica-férrica, aparecendo andradita como um omponente básico molecular. Intercrescimento feldspato potássico com nefelina é peculiar dos nefelina sienitos I, tendo se formado a partir da cristalização de resíduo magmático enriquecido em Na e K; sua composição é similar em tudo à dos feldspatos alcalinos e da nefelina de cristais isolados formados previamente. Os resultados coligidos neste estudo sugerem que as rochas do complexo alcalino do Banhadão derivaram de sucessivas intrusões de caráter petrológico definido, a aprtir de magmas bem distintos; um magma de composição nefelinítica teria se diferenciado gerando as diversas variedades de nefelina sienitos e fonolitos; um outro de composição ferromagnesiana enriquecida em álcalis teria dado origem aos flogopita melteigitos e rochas associadas. Aparentemente, são magmas alcalinos de caráter primário, originados pela fusão direta de rochas da região basal da crosta ou do ) manto superior
- Imprenta:
- Data da defesa: 25.06.1984
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ABNT
RUBERTI, Excelso. Petrologia do maciço alcalino no Banhadão, PR. 1984. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1984. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44135/tde-25102012-164727/. Acesso em: 28 fev. 2026. -
APA
Ruberti, E. (1984). Petrologia do maciço alcalino no Banhadão, PR (Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44135/tde-25102012-164727/ -
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Ruberti E. Petrologia do maciço alcalino no Banhadão, PR [Internet]. 1984 ;[citado 2026 fev. 28 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44135/tde-25102012-164727/ -
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Ruberti E. Petrologia do maciço alcalino no Banhadão, PR [Internet]. 1984 ;[citado 2026 fev. 28 ] Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44135/tde-25102012-164727/ - Mineralogia química dos anfibolitos da região de Morretes-Antonina, Paraná
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